6.
Maha-Bhava de Mira
Na sua divina embriaguês, Mira dançava
em locais públicos. Ela não possuía idéias
sexuais. O seu exaltado estado não pode ser descrito
de forma adequada em palavras. Ela estava mergulhada num oceano
de Prema. Ela não possuía consciência
do seu próprio corpo e do que acontecia ao redor; quem
pode medir a sua profunda devoção? Quem poderá
entender seu estado interno de Premamaya de Maha-bhava? Quem
pode medir a capacidade do seu imenso coração?
Mira flutuava
na fragrância da devoção em todo o lugar.
Aqueles que entravam em contato com ela eram afetados por
sua forte corrente de Prema. Mira foi como o Senhor Gauranga.
Ela era uma incorporação do amor e da inocência.
Seu coração era um templo de devoção.
Sua face era uma flor-de-lótus de amor. Ela era bondosa
no seu olhar, amorosa no seu falar, alegre nos seus discursos;
tinha poder na sua falar e ardor nas suas canções.
Que dama maravilhosa! Que maravilhosa personalidade! Que figura
encantadora!
Os místicos
sons de Mira agem como um bálsamo calmante nos corações
feridos, e os nervos cansados daqueles que trabalham duramente
no mundo com sobrecarga em suas vidas. As doces melodias de
suas músicas exercem uma influência benigna nos
ouvintes, removendo a discórdia e a desarmonia, e os
acalma até o sono. A linguagem de amor de Mira é
tão poderosa que mesmo um completo ateu será
tocado pelos seus sons devocionais.
Mira realizou
bem a sua parte no teatro do mundo. Ela ensinou ao mundo o
caminho do amor a Deus. Ela remou o seu barco com habilidade
num mar tempestuoso das dificuldades familiares, a alcançou
a outra margem da suprema paz e absoluto destemor, ou o reino
do amor supremo. Ela pertencia ao belo sexo feminino e mesmo
assim como ela era destemida e corajosa! Apesar dela ser jovem,
ela agüentou as perseguições silenciosamente.
Ela sofreu cortantes insultos e críticas sarcásticas
mundanas bravamente. Ela deixou uma impressão indelével
no mundo e o seu nome passará para a posteridade. De
Vrindavana, Mira foi para Dwaraka. Ela ficou totalmente absorvida
na imagem do Senhor Krishna no templo de Ranchod.