RELIGIÕES
SWAMI
KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE
INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto Alegre,
RS
Direitos Reservados
1997-2006
"Neste
mundo somente são felizes os totalmente ignorantes, e
os totalmente sábios. Todos os outros são infelizes".
sabedoria dos Upanishads
"A Religião
é apenas um recipiente; recipiente que tem diferentes
formas, mas cujo o conteúdo essencial é o mesmo.
Eis porque temos que aprender a respeitar as diferentes religiões,
como sendo diferentes manifestações do mesmo e
único Supremo Brahman. Tomara todos compreendam isso".
Swami
Krishnapriyananda
Xenófanes
de Colofão, um filósofo grego nascido
cerca de 570 a.n.e., escreveu: “Mas se mãos
tivessem os bois, os cavalos e os leões, e pudessem com
as mãos desenhar e criar obras como os homens, os cavalos
semelhantes aos cavalos, os bois semelhantes aos bois, desenhariam
as formas dos deuses e os corpos fariam tais quais eles próprios
os têm". Xenófanes, Tapeçaria,
V, 110.
Sri
Sankaraacharya, o grande filósofo indiano do
século VII, disse: "Há muitos que vão
com os cabelos enrolados; muitos que têm a barba e o cabelo
raspados; muitos cujos cabelos são arrancados fora; alguns
se vestem com açafrão, ainda há outros
de várias cores, mas todos por um meio de vida. Ainda
que a verdade seja revelada diante deles, sempre haverá
os que não a vejam". Moha-Mudgarah
(Bhaja-govinda), 14.
Sri
Krishna, no Bhagavad-gita, disse:
"Abandones todas as obrigações ou Dharmas
ou deveres de sacrifícios religiosos, rendendo-se somente
a Mim; Eu irei te libertar de todas as reações
negativas de modo muito fácil, não temas".
Bgita, 18.66
Todos
estes grandes expontes da filosofia religiosa no mundo, são
equanimes ao dizer que somos os únicos responsáveis
pelo nosso destino, o qual pintamos e adornamos de acordo com
o nosso gosto e visão próprios; a religião
institucional é um meio de vida, também um forma
de escravizar os homens, uma maneira de afastar o homem do Supremo.
Isso é muito supreendente para a mentalidade Ocidental,
acostumada com o maniqueísmo - bem e mal - e assim deixa-se
levar apenas pelo que crê e não conhece.
É
interessante
comparar a história da humanidade com as formas que os
homens se relacionam com o Sagrado. Muito antes de as religiões
terem virado instituições, a curiosidade inata
do Homem para com a sua origem e destino, despertava uma grande
inquietação. Por nossa vez, nos dias tecnológicos
de hoje, onde boa parte das atividades humanas se resume na
busca pelo dinheiro e pela manutenção de um statos
de conforto relativo que, no mais das vezes, é colocado
como uma questão obrigatória para se estar no
mundo. De forma equivocada, as pessoas têm buscado o Sagrado
naquilo que lhe dão prazer na imediatidade. Também,
a todo o momento são criadas novas religiões.
As previsões das Escrituras Sagradas da Índia
Védica, que ultrapassam milhares de anos, já bem
faziam uma advertência sobre a Kali-yuga, ou era de trevas
e de inversões de valores, era na qual estamos todos
hoje mergulhados, onde os homens se tornariam escravos de religiões
e da busca de fama, prestígio e poder.
O
crescente interesse pelo mágico e pelo sagrado faz parte
da inata curiosidade existencial das pessoas. De uma certa maneira,
nem as ciências empírico-formais conseguem explicar
a natureza essencial do Homem. Alguns podem tentar descrevê-la.
Mas "descrição" é apenas um relato,
quase pessoal. O transcendente, aquilo que vai além do
simples fenômeno, continua e continuará a ser a
meta das religiões que de fato estão ligadas ao
transcendente. Assim, pois, o leitor poderá muito facilmente
identificar algo que se denomina de "religião",
daquilo que é profundamente transcendente. Muito simples:
tudo aquilo que promove a realização objetiva
(dos objetos fenomênicos), não é transcendental;
e tudo aquilo que busca a realização do subjetivo
(do sujeito transcendental), é, por conseguinte, transcendental.
Isso parece tão óbvio que nem mesmo seria necessário
escrever. Mas o fato de o mundo de hoje privilegiar somente
o objetivo e fenomênico, deixa oculto a verdadeira natureza
do Ser, que justamente é a sua transcendência.
A
ênfase
da filosofia do Sanatana-dharma é que somente o conhecimento
liberta. Avidya, ou ignorância, é apontada como
sendo a causa do Samsara, ou do eterno retorno ao mundo dos
fenômenos. Atraída pelo gozo efêmero dos
sentidos, a entidade viva deixa-se presa ao ciclo dos nascimentos
e mortes. Os textos védicos afirmam que somente quando
a essência desperta, e se volta para aquilo que está
além do fenômeno, com o conhecimento ou Viveka
que separa o que é efêmero, passageiro e fenomênico,
daquilo que e eterno e sempre existe Ser, liberta-se deste ciclo
de sofrimentos, causados por milhares de nascimentos e mortes.
Outro
aspecto fundamental na abordagem metafísica do Sanatana-dharma
é a lógica. As incoerências decorrentes
de falsas afirmações de verdade, constituem-se
em falácias, que fazem com que seguidores de muitas religiões
sejam escravos dos seus dogmas e princípios. Uma "religião
da verdade" deverá libertar, não escravizar
ou impedir alguém de ir em busca da verdade suprema,
e de realizar-se como ser humano transcendente. O sanatana-dharma
trata-se de uma filosofia prática não-dogmática,
cujo escopo fundamental é o conhecimento transcendental
ou Brahma-vidya (conhecimento do Brahman). Portanto, Seu estudo
irá auxiliar aos adeptos de todas as religiões,
e mesmo os que não possuem nenhuma, e mesmo os ateus.
O
presente estudo comparado das religiões, trazendo de
modo claro e objetivo o que há de mais fundamental em
cada uma delas, é uma maneira de mostrar claramente ao
leitor os dois lados, transcendente e imanente de Deus, e como
cada religião trabalha com eles, porque assim se compreenderá
que uma vida levada na consciência do Supremo, mesmo que
engajado numa ação, será uma vida de liberação
(de ação livre dos resultados). Esperamos que
os leitores possam realizar o essencial em todas as religiões,
porque o que não é essencial não deve ser
nem objeto de discussão, porque será tão
pessoal quando o gosto de cada um.
Om Tat Sat