
Pés de lótus
de Swami Sivananda
“Caro
Krishnapriyananda ,
Conforme tenho lido nos textos de Swami Sivananda, o contato
com Deus deve-se dar a partir da entrega pessoal ao Guru
e da iniciação?” Luiz
Resposta
Por:
Swami Krishnapriyananda
Presidente da SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
OM
Divino e abençoado Atman Luiz prabuji,
Por favor, receba as bênçãos desta
missão.
Obrigado por suas colocações e perguntas.
O contato
com Deus dá-se a partir da entrega incondicional
do devoto no Seu serviço devocional. A iniciação
significa receber a chama do conhecimento que, desde o
início, foi dada pelo Senhor, em Si mesmo, conforme
está dito no Bhagavad-gita, 4.1, a saber: “este
conhecimento imperecível do Yoga Eu instrui a Vivasvan;
Visvavan instruiu a Manu e manu para Ikshvaku”, e assim por diante. Também, no Bhagavad-gita, 8.8,
o Senhor Krishna diz que, alcançamos o Supremo
pensando-se constantemente no Purusha-paramam,
ou seja, na Suprema Personalidade de Deus.
O preceptor ou instrutor espiritual apenas aponta o caminho,
mas quem tem que trilhá-lo é a própria
pessoa, porque não há como isso ser feito
por outro em lugar de alguém. Krishna diz que na
medida em que uma pessoa se rende a Ele haverá
correspondência d´Ele (8.11). O conhecimento
a cerca de Deus pode ser adquirido em tudo, porque Deus
está em tudo e tudo está em Deus. Mas devemos
ter a lente do olhar puro para poder ver isto. Entretanto,
devido a condição de identificação
corpórea, a entidade viva não se apercebe
disto tão facilmente. Sendo assim, compreendemos
perfeitamente porque o Senhor Krishna instruiu sobre a
importância de nos aproximarmos de uma pessoa que
possui o conhecimento da Verdade Suprema. Ele diz no Bhagavad-gita,
4.34, “Este correto conhecimento se aprende perguntando-se
aos que O conhecem, prestando-lhes serviço; inicias-te
neste conhecimento com os que possuem e conhecem a Verdade”.
Esta é a forma recomendada nas escrituras, de modo
que não se trata de nenhuma inovação
ou invenção o ato de aproximar-se de um
preceptor espiritual. Prestar serviço ao mestre
espiritual é o mesmo que prestar serviço
a Suprema Personalidade de Deus ou a Verdade Suprema.
Isso quer dizer que não há nenhuma humilhação,
mas um enaltecimento diante do que há de mais sublime
e perfeito. Observe-se que Krishna fala no plural “...
aprende-se perguntando-se aos que conhecem... prestando-lhes
serviço”, logo, há muitas pessoas
que podem VER a verdade Suprema, mas nós deveremos
aprender a ver quem de fato A viu. E como isso é
possível? Muito simples, esta ou estas pessoas
estarão sempre falando de Deus, trabalhando para
Deus e O servindo no seu tempo integral, mesmo que aparentemente
elas estejam fazendo funções materiais,
na realidade, elas vivem para servir a Deus, e não
conseguem viver sem isto.
A entrega deve ser feita para Deus; o Guru ou preceptor
espiritual não deve ser servido como uma pessoa
mundana, porque isto é escravismo. Coisas mundanas
não fazem parte do serviço devocional; logo,
estas coisas não farão parte do processo.
Mas atividades como limpar a sala do templo, arrumar e
limpar o ashrama do Guru, trabalhar nos livros espirituais,
nas correções, na divulgação,
nos preparos dos alimentos para as Deidades ou para os
dias de encontro, fazer o que o Guru pede, etc., constituem
serviço devocional, porque o objetivo das ações
é o de agradar a Deus, e o Guru possui a visão,
numa avançada psicologia, de qual a melhor tarefa
para auxiliar na evolução do discípulo,
devoto do Senhor. Nada será mais agradável
para o Guru do que aquilo que agrada a Deus; isso deve
ficar bem assinalado. Krishna disse, no Bhagavad-gita,
9.27: “Qualquer coisa que tu fizeres, comeres, ofereceres,
presenteares, e quaisquer austeridades que executares,
ó filho de Kunti, faças como um oferecimento
a Mim”. Esta submissão a Deus não
significa humilhação, mas assumir a condição
de que alma é eterna serva do Senhor Supremo. Somos
um instrumento de Deus, e devemos agir como tais. O mestre
espiritual é um servo de Deus. Ele está
a serviço d´Ele, e este é o sentimento
que devemos ter do Guru. Por isso não devemos procurar
defeitos na pessoa do Guru, porque nossa condição
inferior não consegue entender os passatempos transcendais
do Senhor. As escrituras dizem que, para os olhos dos
que são puros tudo lhes parecerá puro, mas
para os olhos dos que são impuros tudo lhes parecerá
impuro, isso é uma grande verdade.
O mestre espiritual age tal qual um agente coadunador
entre o devoto e Deus, mas o mestre não pode fazer
absolutamente nada para aquele que não quer e não
se rende. Jamais o discípulo poderá ofender
o Guru, porque será uma ofensa contra o Senhor
em Si mesmo. Certa feita Parvati perguntou para o Senhor
Siva qual a maior das ofensas que alguém poderá
cometer?, no que Mahaishvara respondeu: “Nada
é mais grave, Ó Parvati, do que ofender
a um devoto e servo do Senhor Hari”. Isto é
muito importante, porque até mesmo o Senhor Supremo
move-se em direção ao Seus devotos. A palavra
sânscrita “krishna”, quer dizer, “o
todo atrativo”. Por isso, como pode O que tudo atrai
ser atraído por alguma coisa? Isso é muito
transcendental. Procure meditar na profundidade desta
expressão “krishna”. Sendo assim, o
Senhor Siva falou do que há de mais importante
numa relação com um devoto e servo do Senhor.
O Senhor Siva é a própria personificação
da auspiciosidade. A palavra sânscrita “siva”,
quer dizer “auspicioso”. Se a própria
auspiciosidade disse da importância de a maior das
ofensas, como nós poderemos duvidar?
Sendo assim, o Guru deverá ser tratado como um
representante de Deus por sobre a Terra. Ele está
há milhares de anos trabalhando para assumir a
plataforma de resgatador das almas caídas. Ele
é tal qual um martelo que coloca os pregos nos
lugares certos, para que as tábuas da lei sejam
vistas por todos e fiquem bem firmes. Por isso a expressão
“pregar”. Pregar significa afixar a lei diante
de todos. O Guru é um pregador de Deus. Suas palavras
são tal qual os pregos que fixam a verdade. Seus
gestos são os movimentos que seguram e mantêm
a Verdade das escrituras bem-vivas para todos.
Todas as
glórias para o Guru e Sua gl´pria!
Hari Om
tat sat
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