Diferenças
entre Hindu Dharma e Sanatana Dharma
SRI SWAMI KRSNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA
GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS
1997-2006
Sumário
1. Quais as diferenças entre “hindu
Dharma” e
Sanatana Dharma?
2.
Karma e Samsara
3.
Textos védicos que ampliam os ensinamentos dos Vedas
4.
As instruções do Gita estão além
do Karma Kanda dos Vedas
5.
Referências
Bilbiográfica
1.
Quais as diferenças entre “hindu Dharma” e
Sanatana Dharma?
Elas
são sutis, porém muito importantes.
Devemos observar atentamente as instruções
dadas por Krishna no Bhagavad-gita para então
compreendermos e distinguirmos claramente uma coisa da
outra. No Ocidente se acostumou a chamar a “religião” da Índia
com o nome genérico de “hinduísmo”.
Contudo, este é uma espécie de apelido
ou designação que foi dada pelos estrangeiros,
principalmente por aqueles que, depois de uma longa tradição
de disputas pelo poder, alcançaram a Índia,
muito depois dos Airyanos terem chegado naquela região,
milhares de anos antes. Os Airyanos levaram uma tradição
da cultura do Sanatana Dharma, ou religião ou
retidão ou justiça eterna. Aos poucos os
milhares de religiões existentes da Índia
foram incorporando alguns aspectos, do mesmo modo como
o cristianismo, por exemplo, tem nos seus símbolos
e rituais aspectos de muitas religiões, sendo
mais evidentes os da Babilônia, semita, grega,
romana, mitraísta (incluindo “hinduismo”),
judaico, budista, etc. Um espectador atento irá perceber
claramente cada um daqueles aspectos, seja na indumentária,
ritualística, na escrita, nas vestes, assim por
diante. Religião é sempre um somatório
de tempo, lugar e circunstâncias. Por conseguinte,
sempre terá incorporado mito, e rito de um determinado
tempo histórico, e a relação com
o poder político e social. Religião deve
ser vista sempre como um fenômeno permanente e
dinâmico; mutável com o tempo, lugar e circunstâncias.
Contudo, há uma tendência nos dias de hoje
de as pessoas vincularem “religião” com
instituição religiosa, então a confusão
se torna ainda maior.
Para o bem da verdade, não podemos dizer “religião
da Índia”, porque é seguro que na Índia
existam mais de 30 mil religiões, senão,
pelo menos umas 3 mil em virtude de cada casta distinta.
Correto é dizermos “filosofias da Índia”,
mesmo porque uma “institucionalização” da
religião é um fenômeno muito recente,
e de características políticas típicas
dos antigos reinos e reinados conquistados à força.
Apesar de distintas formas de “religião” na Índia,
hoje nós podemos encontrar um “fio comum” entre
quase todos os praticantes da religiosidade naquele território.
Convém antes salientar que na Índia existem
e convivem pacificamente milhares de religiões
distintas, por exemplo, além das milhares de divisões
dos 4 ramos principais do Hinduísmo, há,
também, religiões como budismo, islamismo,
cristianismo, sikhismo, zoroastrismo e divisões,
lamaismo, movimentos religiosos independentes das mais
variadas denominações, seitas e ordens.
Todos devem ter em mente que religião é o
que mais tem variedade da Índia. Há, inclusive,
muitos grupos que usam vestimenta, indumentária,
parafernália, etc., da tradição “hindu”,
mas não são hindus. São os chamados
grupos reformadores sociais, com idéias advindas
dos movimentos políticos, principalmente de influência
Ocidental. há, também, os “grupos
secretos”, geralmente fundados por Ocidentais,
que fazem uma mistura das suas crenças pessoais
com os símbolos e ritos hindus. Os grupos de fundamentação
e cunho político utilizam a plataforma religiosa
para uma promoção eficaz do que pretendem,
uma vez que na Índia tudo é sacralizado,
e o povo possui uma natural tendência a “religiosisar” tudo.
Apesar da existência daqueles grupos de origem “comunista”,
ou “socialista”, nos moldes Ocidentais, eles
não possuem grande relevância dentro da
cultura religiosa da Índia. Eles impressionam
e atraem mais a mente especulativa, “competitiva” e
individualista dos Ocidentais. A ocupação
(para não falar “preocupação”)
milenar do povo da Índia é com a espiritualidade,
passando estas questões políticas a ser
algo secundário.
Os pontos comuns entre o Sanatana Dharma e o que
chamamos de “hinduismo” são os conceitos filosóficos
de Karma, Samsara.
A filosofia de Sri Adi Sankara Acharia, o Vaishnava
soerguidor do antigo princípio da tradição
Airyana, conhecido por Advaita Vedanta - Sanatana Dharma
- propõem a independência da prática
religiosa, uma vez que, segundo os princípios
filosóficos do não-dualismo, o que se busca
numa religião é o mesmo em todas, logo,
o essencial é o que interessa. Portanto, Sanatana
Dharma está além de religiões; é anterior
a todas, e a origem de todas as religiões; o Sanatana
Dharma é a fonte de toda religião. Assim
como a Filosofia é a mãe de todas as Ciências,
do mesmo modo o Sanatana Dharma é o gérmen
de todas as religiões.
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