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Ecologia de quem e para quem? :.
SRI
SWAMI KRSNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA
GITA ASHRAMA
90460-000 - Porto Alegre, RS
1997-2006
"Ser
ecologista é parar de fumar, não beber álcool,
nem se intoxicar com qualquer tipo de droga ilícita,
e fazer tudo de modo a louvar a Deus. Um ecologista
de verdade não deverá comer carnes, porque
sabe que ao comer fomenta a matança, e ao matar
fomenta o desequilíbrio".
Swami Krishnapriyananda
Sumário
1.
Ecologia de quem e para quem?
2.
As Leis Divinas são completas
3.
O valor é aquilo que não nos causa indiferença
4.
Vegetarismo ou ecologia?
5.
Ecologia ou idiossincrasia solipsista?
6.
Eco-ecologia
1.
Ecologia de quem e para quem?
É
muito freqüente entre fanáticos ambientalistas
o fato de comemorarem o “salvamento de golfinhos”,
com um churrasco, cerveja e cigarros! A visão
da maioria é unilateral; sem coerência;
nem mesmo contém a lógica do bom-senso
e equidade; nas suas ações contradizem-se
na própria forma que pretendem defender.
As Escrituras védicas são enfáticas
no sentido de defender uma ação comunicativa
e de equidade com as coisas. Isso quer dizer que alguém
deve seguir uma orientação fundamentada
nos Shastras e o princípio da distribuição
equânime dos atos. O que são os Shastras?
São as Escrituras, as quais contém um conjunto
de regras e regulações práticas,
tendo em vista alcançar uma ação
comunicativa coerente, e ser igual com o igual e desigual
com o desigual. O que é uma ação
comunicativa? é aquela ação que
tem por objetivo uma correta relação entre
a realidade e a idealidade. No mundo material não
há como vivermos sem que se explore alguém.
Esse é o mundo da exploração. É por
isso que o Supremo nos reservou o valor dos alimentos
que nos são dados em abundância; neles há tudo
o que precisamos. Se olharmos com calma, e com a devida
observação, veremos que a natureza nos
dá tudo o que precisamos para viver. Quem é que
nos disse que temos que ter tantas necessidades? Cada
estação possui um conjunto de alimentos
que são abundantes. Mas ocorre que as pessoas
devastaram a natureza tendo em vista satisfazer a sua
luxúria, ou seja, agem de tal forma a mostrar
que têm poder por sobre os outros, construindo
prédios luxuosos para desfrutar, criando necessidades
de coisas que não são necessárias,
e assim enriquecerem a custa da exploração
dos outros, enquanto a natureza fica relegada a um segundo
plano. Como dizia Maquiavel, não é possível
enriquecer no mundo sem explorar os outros; então
os fins justificam os meios. Para o bem da verdade, a “natureza
e nós” é tudo uma só coisa.
Não há necessidade de colocar nenhum mandamento
sequer nas leis divinas para preservar a natureza. Ela é nosso
próximo e próprio corpo; assim como “eu” e “você” é apenas
um conceito, natureza e nós também é somente
um conceito que separa um dos outro, porque na realidade
subjetiva “natureza” e “nós” é tudo
uma só coisa. O Ocidente, principalmente, costuma
fazer uma divisão dualista homem-natureza, considerando
o homem superior aos outros animais, e à natureza
mesma. Esquece-se que somos, em nosso corpo, a própria
natureza. O que distingue o homem dos demais seres vivos
da natureza não é o fato de ele ser inteligente
ou racional, mas o fato de ser a única criatura
viva por sobre a terra que tem a capacidade de escolher
e selecionar, preservar a natureza racionalmente, e ao
mesmo tempo reconhecer a existência do Supremo;
todas as entidades vivas vivem numa forma não
primitiva de consciência que não conseguem
alcançar a idéia de Deus. Mas apesar de
viverem sem a idéia de Deus não agem para
destruir a natureza. Que interessante isso!? Há pessoas
que também têm uma relação
com o mundo de forma muito artificial e externa. Elas
não compreendem que Deus e a natureza são
elas mesmas. Algumas querem preservar golfinhos, cães
e gatos, mas não deixam de comer carnes, desmatar
e poluir de alguma forma o meio ambiente.
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