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Om Namo Bhagavate Vasudevaya! Om Namo Bhagavate Sivanandaya! Sivasya Hridayam Vishnur-vishnoscha Hridayam Sivah!
Ano 5.233 d.K -
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Documento sem título

MANIFESTO PELA LIVRE EXPRESSÃO RELIGIOSA DO YOGA

PELA LIBERDADE DO YOGA

SRI SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SANATANA DHARMA BRASIL
Av. Cel. Lucas de Oliveira, 2884
90460-000 - Porto Alegre, RS
2004

Sri Narasimha Deva - o protetor dos Yogis

Jay Sri Narasimhadeva!

Abençoado Atman Imortal
Hari Om Tat Sat
Hare Rama Hare Krishna
Om Namah Sivaya

“Ishvarapranidhanad va”
“Pela devoção e adoração ao Controlador Supremo (Deus), onipresente, chega-se ao Samadhi” (Patañjali, Yoga sutras, 1.23).

:: Manifesto pela livre manifestação religiosa do Yoga ::
Swami Krishnapriyananda


Há um crescente murmúrio no Brasil sobre a suposta profissionalização do Yoga, inclusive pela provável fiscalização do "exercício profissional" por parte de Conselho de Educação Física!? Fato que, se vingar, irá constranger o direito da livre expressão religiosa no país, e cremos que logo será derrubada devido a sua inconstitucionalidade. Pelo menos iremos nos esforçar inteiramente para isso. Yoga, para nós, é uma forma religiosa de viver!

Pessoalmente, temos vivido 32 anos a serviço irrestrito do Yoga. Mas nunca havíamos visto tamanhos disparates em nome daquilo que deve propagar a “união”, (Yoga, também, significa “união”), e não a “desunião’. Lastimavelmente, vimos nos últimos anos um crescente interesse equivocado pelo Yoga no Ocidente; acostumados a traduzirem tudo pela luz do corpo, e profundamente identificados com o temporário, o passageiro e o efêmero, chegaram às raias do absurdo de compararem a filosofia religiosa do Yoga com meras “ginásticas” e competições corporais, entre outras “disputas de beleza” do tipo, desprovidas de sentido real do verdadeiro Yoga. Compreendemos que estas coisas nascem da falta de reverência aos preceptores originais e fidedignos do Sagrado Sanatana Dharma, e a sua forma prática e religiosa de conhecimento e ação dos Vedas. Yoga trata-se de uma forma filosófico-prática de expor para as mentes desta Kali-yuga - a atual era de trevas e de querelas em que estamos vivendo -, os Sagrados Ensinamentos transmitidos pelos Rishis ou sábios do passado, advindos do Sanatana-dharma ou Vaidika Dharma (religião eterna) ditados e desvelados pela Graça Divina do Senhor Supremo.

Sua Santidade Swami Sivananda Maharaj, com certeza um dos mais renomados e respeitados mestres do Yoga do século XX, disse que,

Yoga é uma forma prática de viver o Sanatana Dharma ou Vaidika Dharma ou Hinduísmo”, e, como tal “Indiretamente conduz para a liberação ou perfeição final”.

Desnecessário dizer que Yoga trata-se de um dos seis Darshanas ou visões que foram formuladas para que as pessoas pudessem compreender os intrincados e profundos conteúdos védicos ou da religião eterna, na medida em que a era das trevas avança. A proposta do Yoga é a de trazer um estado de paz Absoluta, de tal maneira que não haja nenhum tipo de fantasias nem pensamentos mundanos. Por conseguinte, comparar o Yoga a um conjunto de ginásticas e exercícios físicos é, ao mesmo tempo, insensato e um afrontamento à liberdade da expressão religiosa livre.

Particularmente, somos Yogis que seguimos os ensinamentos do Yoga na prática. Isso quer dizer que consideramos Ashtanga Yoga de Maharishi Patañjali como não se tratando de um tratado tosco e sem valor para nós, onde apenas deve-se valorizar o terceiro passo ou Asana. Vemos que o codificador e fundador deste Darshana chamado Yoga colocou no final da ascensão do Yoga o chamado Samadhi, ou seja, “Sam= igual; tal qual; e adhi= uno, primeiro, supremo”, ou seja Samadhi é “união com o Supremo”. Ainda que o Yoga não deva ser comparado a uma religião organizada, a exemplo dos grandes grupos religiosos organizados do mundo, ele se trata de uma filosofia religiosa por excelência, sem que possua dogmas ou obrigações outras que não a retidão do Dharma e o amor puro por Deus ou Bhakti Prema. Por isso, entendemos que querer regulamentar qualquer que seja a prática religiosa de alguém é um absurdo sem precedentes, num país que quer estabelecer a democracia através do respeito ao livre exercício e prática religiosa. Além de uma garantia Constitucional, queremos exercer nossa forma religiosa de viver de modo livre e irrestritamente. Temos este direito, e lutaremos por ele. Yoga para nós é uma forma religiosa de viver, e de nos relacionarmos com o mundo e com Deus. Para nós, Asana ou posição física, é uma maneira respeitosa de saudar a Deus, Quem está acima de todas as coisas. Somente uma mente doentia, presa aos sentidos materiais grosseiros, e à especulação grosseira do culto barato ao corpo, bem como ao materialismo consumista do mundo Ocidental, e que, provavelmente, nunca estudou de forma reverente com um Guru ou preceptor espiritual, crê que a especulação mental solipsista e idiossincrática de exercícios de ginástica trata-se de Yoga. Erroneamente se pode pensar em articular tal ação demoníaca, de querer nos impedir de nos relacionarmos com Deus através do Yoga, e, ainda mais, regulá-la por leis de outros ramos do saber humano. Diga-se que a lei foi criada para o homem e não o homem para a lei. Mas o desrespeito a esta regra simples é notório no país do futebol. Quem sabe ainda teremos Yoga como modalidade olímpica!? Lástima!

É fato que por durante muitas décadas instalou-se no Brasil a mentalidade centralizadora típica de quem quer fama, prestígio e poder, e onde alguns menos inteligentes na ciência do Yoga, mas bastante oportunistas e negociantes, têm se arvorado em até mesmo se auto-intitularem “fundadores do Yoga”, e coisas megalomaníacas do gênero. Por um lado, criou-se um sistema de exercícios físicos e eróticos aliados a uma mística, onde se explora a psicologia da carência das pessoas; por outro, se induz a certos modismos com uso de roupas de moda (algumas sumárias), gírias, e apegos a grupos e a grupinhos, núcleos de fofocas e disputas infindáveis, chamando a isso de Yoga. Todos sabem que há um gosto natural das pessoas imaturas pela necessidade de auto-afirmação, ou de proclamarem que “somente o meu grupo é o certo e o melhor”; “quem não está comigo está contra mim”, etc. Esta tendência infantil do comportamento psicológico do carente emocional fomentou grupos dissidentes, que têm feito do Yoga no Brasil um palco de disputas e ingerências, transformando a ciência do saber sobre o Supremo em algo mesquinho, mundano, ridiculamente competitivo no seu sentido negativo. Isso de deve, em grande parte, pelo fato de tratarem o Yoga como uma mera ginástica, um simples culto ao corpo, quando Yoga trata-se de um estilo ético-religioso de viver, e não uma coisa que se separa da vida religiosa. Como diz Sivananda:

Yoga é a espiritualização da vida!”, e que “Yoga é para todos. O Yoga é universal. Ele não é um assunto sectário. Ele é um caminho para Deus, e não uma crença. A prática do Yoga não se opõe a qualquer religião ou a qualquer igreja sagrada. Ele é puramente espiritual e universal. Ele não contradiz com qualquer que seja a fé sincera. Yoga não é uma religião, mas é um apoio para a prática espiritual básica das verdades em todas as religiões. O Yoga pode ser praticado por um Cristão, ou Budista, por um Parsi, um Muçulmano, ou Sufi ou mesmo um ateísta. Ser um Yogi significa ter a intenção de obediência continuamente em Deus e viver em paz com os homens. Yoga é a união com Deus. Yoga é a união com todos. Deus reside em todos”.

Contorcionismos, exibicionismos, disputas de “beleza”, busca pela fama, prestígio, e poder; por ocupar cargos e gerências com títulos longos e pomposos, comparar o Yoga com ginásticas, etc., não constituem, nem mesmo de longe, o que vem a ser o Yoga. Basta dizer que os pré-requisitos para prática do Yoga são fundamentalmente morais e metafísicos, por isso, religiosos, bem como há a necessidade irremovível de pureza espiritual para o seu exercício pleno do Yoga. Para ser um Yogi, uma pessoa deve ser modesta, simples, autocontrolada, e não desejar se sobressair por sobre os demais. Como diz Swami Sivananda:

Desejo por poder, ambição material, excitamento sensual, egoísmo, paixão por riqueza e pelos mais baixos apetites, puxam o homem da sua verdadeira vida no espírito para a vida materialista. Ele pode recuperar a sua honra divina se praticar, reta e seriamente, os princípios do Yoga. O Yoga transmuta a natureza animal em natureza divina, e ergue o homem para o pináculo da glória e do esplendor Divino”.

Tendo em vista o verdadeiro Yoga estar curvado sobre o ideal da retidão da prática religiosa, para se alcançar o mais elevado Samadhi na União indissolúvel com Deus, Yoga trata-se de uma forma muito especial de relação com o Supremo; e ninguém poderá querer regulamentar com leis o Amor por Deus, porque Ele nasce no coração voluntariamente, fato notório que nenhuma lei ou decreto poderá regular. Antes que Yoga vire um ato de desprezo por parte dos leigos, sejam eles formados ou não em Educação Física, e considerando-O meramente um fortalecimento para o malabarismo barato, e que seja tratado com “jacotas”, dizemos que aqui erguemos a bandeira da Realização Religiosa do Yoga. Cremos que não será possível impedir nosso louvor por Deus por leis. Não queremos nenhum professor leigo ao Yoga vigiando nossa fé. Queremos a livre expressão da nossa prática religiosa, e exortamos os que estão contra nós a regularem as suas próprias religiões, e a não se intrometerem da livre manifestação da nossa fé. Yoga é um sacerdócio; que nos deixem seguir livremente o caminho que escolhemos para alcançarmos a Deus!

Concluímos com as palavras sérias de Gurudev, Swami Sivananda, falando sobre qual será o destino para aqueles que tratam a Religião do Yoga como um negócio ou gozo dos sentidos:

“A teoria precede a prática. Mas a mera teoria não irá ajudá-lo a colher os frutos do Yoga. Você terá Yoga, tão somente, quando você a tiver colocado dentro da sua prática diária. A mera curiosidade intelectual, o entusiamo temporário juvenil, e o mero borbulhar emocional, não podem ajudar a você em qualquer meio de Yoga. O mero posicionamento: “Eu sou um Yogi”, por ter “comido” alguns Sutras do Yoga Darshana, não é nada mais do que evidente hipocrisia, burla barata. Yoga não é um meio de fazer alguém viver confortavelmente. Yoga não é um negócio comercial. Enganar a Deus e a seu próprio ser e falsas demonstrações de alguma prática de “exercícios” de Yoga, constitui-se num crime hediondo. Enganar os outros em nome da religião é abominável. Isso merece o máximo de punição. Não há Prayachiutta ou ritos expiatórios para este tipo de engano”.

Hari Om Tat Sat: tradução: “Toda a Verdade está com o Senhor Supremo, Hari”

Swami Krishnapriyananda Saraswati

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