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A NOVA EDUCAÇÃO
SRI SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL
GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto
Alegre, RS - Brasil
1997-2006

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A Nova Educação ::
Mensagem dada a professores que cuidam de crianças
Caros
professores e professoras,
Eu estou
contente pela maravilhosa associação com vocês,
e de ver que há uma disposição sincera
de levar uma vida correta e digna por parte dos senhores. O
senhores são importantes, porque estão vocacionados
para a retidão, e o amor de Deus.
Por
favor, eu estou longe de ser considerado um puritano beato,
ou de alguém que vê tudo como feio e sujo no mundo
dos homens. Antes disso, minha preocupação em
lhes escrever esta carta é pela manutenção
da dignidade, e ela está acima de qualquer seita, religião,
ou conceito social, nascido numa mente fértil e bem intencionada
de um político ou sociólogo. Simplesmente lhes
narro o que constato, e gostaria de convocá-los para
uma reflexão.
Nesta
sexta-feira tive que sair, saio muito pouco do Ashrama, a não
ser para visitar as vacas na fazenda, e buscar o leite. Pessoalmente
gosto das vacas e fico renovado quando as vejo. Elas são
amorosas e gentis, e sempre me recepcionam bem. Pena que não
possa conviver com elas diariamente, assim teria sempre uma
bênção do Senhor, com suas maravilhosas
criaturas, tão bondosas, que nos dão o maravilhoso
leite. Como era noitinha, então grande parte das pessoas
não tinha outros compromissos fruitivos, como trabalho
e escola, então elas costumam sair e vaguear pelas ruas.
As cenas que pude ver me deixaram muito aflito e angustiado.
Nem mesmo me recordo de na minha juventude condicionada ter
algum dia ficado num estado tão deplorável. Mas
hoje facilmente poderemos ver a decrepitude de mocinhos e mocinhas
com menos de 15 anos, andando pelas ruas, levando garrafas de
bebidas alcoólicas, e saírem a beber caminhando.
Mal se vestem, parecem vampiros, suas auras são decrépitas,
apesar da juventude do corpo. Penso que não haja mais
critérios de amor próprio, porque o caminho que
seguem é da degeneração. Pior do que animais
de ruas, andam sem rumo, se intoxicam e agem de forma deplorável.
Vítimas das drogas e da degeneração esquecem-se
que são seres humanos, então, que se dirá
de Deus?
Sri
Arjuna, no Bhagavad-gita, fala para Krishna de que a degeneração
do Dharma, pelo privilégio da irretidão, e pelo
não cumprimento dos deveres prescritos de cada um, gera-se
população indesejada, ou seja, filhos que não
são amados e queridos pelos pais, pessoas que provavelmente
não irão conhecer, ou se conhecerem, deles nada
terão de afeto e instrução. O amor pelo
semelhante é algo muito particular no serhumano. Mas
mesmo os animaizinhos protegem seus filhotes, não os
abandonando, como o fez recentemente uma jovem, com pouco mais
de 18 anos de idade, já com 4 filhos, um de cada encontro
que teve, desde os 12 ou 13 anos. Agora, recentemente, ela simplesmente
não cuidava do seu último filho (os outros três
também os abandonou), e deixou-o quase a morte, e saiu
para uma nova aventura de intoxicação e luxúria,
abandonando a criança com 4 anos, sem cuidados, sem ninguém
para criar e amparar. E agora, de quem é a culpa?
Estas
jovenzinhas que andam pelas ruas, perdidas na vã ilusão
de estarem livres, e que na intoxicação buscam
o afeto inexistente de seus progenitores, estão gerando
população indesejável, porque não
têm filhos queridos e planejados, para orientar e direcionar
para a vida plena. Os filhos simplesmente “acontecem”
em suas vidas, porque por mais que se tenta ensinar nas escolas
materialistas, de que há uma relação entre
sexo e geração de filhos, parece que a realidade
fática está distante desta compreensão.
Uma
educação material, que apenas aponte para a vida
de desfrute, que dá algumas regras, e que de tempos em
tempos permite uma intoxicação coletiva, nas chamadas
festas populares, principalmente com consumo de álcool
entre os jovens, é o retrato da degeneração
da sociedade ocidental. Então, convivemos com atitudes
díspares, como o fato de algumas novelas na Televisão
incentivarem as jovens a pedofilia (uma adolescente seduzir
a um homem casado), e depois considerarem um absurdo os atos
relacionados na realidade como causa disso. A mente está
sempre ávida por curiosidades, e por querer coisas novas,
então a T.V., e os outros meios que visam lucro fácil,
funcionam como um modelo a ser seguido. Dá-se ampla liberdade
de desfrute, por um lado, dizendo que só isso é
o que importa, depois vem o noticiário a censurar as
barbáries que são decorrentes desta falda de controle.
Nunca, em tempo algum, se fecharam os olhos para as relações
de causa e efeito da violência social e da decrepitude
humana. Por exemplo, ao mesmo tempo que se nos indignamos com
a violência das grandes cidades, vemos jovens enchendo
o tanque dos seus potentes e modernos carros nos postos de gasolina,
enquanto enchem a “cara” de álcool na lojinha
do mesmo posto que abastecem seus veículos. Enche-se
o tanque a “cara” com a mesma naturalidade e facilidade,
e ninguém vê as relações de causa
e efeito disso. Nosso código de leis sobre este assunto
de embriaguês e direção é tão
sutilmente elaborado, que não é considerado crime
dirigir embriagado, mas “conduzir uma direção
perigosa embriagado”. Uma pequena mudança nos termos,
então a lei parece que abriga a proibição
de dirigir embriagado, mas não o faz. Então, seguem-se
os absurdos que vemos em todos os dias, em todas as grandes
cidades. As campanhas em prol da saúde, da direção
defensiva, de evitar álcool e fumo, etc., não
passam de adornos, ou de descargas de consciência, somente
para não dizer que não se falou algo, e não
se fez nada, ou para proteção de uma futura ação
jurídica pedindo indenização pelos danos
que tal produto gerou. Então, eles se defendem dizendo,
“mas nós advertimos que poderia gerar doenças”,
etc., isso é o máximo da hipocrisia, mas está
aí, a olhos vistos.
Nosso
apelo aqui não é outro, a não ser pela
coerência das coisas. Não podemos incentivar a
intoxicação e libertinagem por um lado, e por
outro reprimir ou abrir espaços para punir de um modo
pouco claro e louvável. Já faz tempo de o processo
de punição e recompensa se mostrou falho na educação
humana. Também é notório de que a educação
tem que formar para a vida plena, e não apenas para a
degeneração e o desfrute desenfreado.
As
Escrituras, como o Bhagavad-Gita, não proíbem
o uso dos sentidos ou dos sentimentos. Mesmo porque isso seria
uma insanidade, mas orientam para as graves conseqüências
do uso irrestrito do gozo dos sentidos, da falta de regras e
controle que conduzem, de forma inevitável, ao sofrimento
inevitável, aqui e agora, e no futuro. Saber educar a
língua e os genitais é algo que nos torna humanos.
Ser escravos dos sentidos não nos permite nem mesmo criticar
aos que consideramos inferiores a nós. Então,
a moderna educação deverá mostrar as relações
de causa e efeito das coisas, bem como que os filhos indesejados
geram mais dor e mais sofrimento. Devem as escolas ensinar sobre
alimentação, o valor da vida, a importância
de filhos e filhas, da castidade, e que o propósito da
vida humana não é outro senão de reverenciar
e amar a Deus, porque nos outros aspectos, em nada um corpo
humano se diferencia dos outros animais. Então se entenderá
que proteção em busca de abrigo, alimentação,
acasalamento, manutenção da espécie, etc.,
são aspectos que estão presentes em qualquer entidade
viva. Mas ser um humano de fato, ou seja, alguém que
segue as leis de Manu (por isso hum+manu), é algo diferente,
porque a inteligência humana é a únicas
capaz de fazer as três perguntas fundamentais do Ser:
Quem somos? de onde viemos? e para onde vamos? E delas decorrem
as três perguntas subseqüentes: Se somos filhos de
Deus, quem é Ele, onde Ele está, e como poderemos
chegar até Ele.
Eu
apelo para que todos que lidam com a juventude, que lhes ensine
o verdadeiro propósito da vida, para que aprendam ou
relembrem do juramento que se fez antes de nascermos: amar a
Deus por sobre todas as coisas. Uma vida levada na retidão
e no amor de Deus, considerando o próprio corpo como
um templo divino, irá gerar uma humanidade consciente,
e uma população rica e benevolente, cujo único
objetivo será completar a obra Divina, na plena realização
do Ser.
Deste
seu benquerente e servo eterno
Swami
Krishnapriyananda
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