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Om Namo Bhagavate Vasudevaya! Om Namo Bhagavate Sivanandaya! Sivasya Hridayam Vishnur-vishnoscha Hridayam Sivah!
Ano 5.233 d.K -
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A NOVA EDUCAÇÃO

SRI SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI

SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS - Brasil
1997-2006

:: A Nova Educação ::
Mensagem dada a professores que cuidam de crianças


Caros professores e professoras,

Eu estou contente pela maravilhosa associação com vocês, e de ver que há uma disposição sincera de levar uma vida correta e digna por parte dos senhores. O senhores são importantes, porque estão vocacionados para a retidão, e o amor de Deus.

Por favor, eu estou longe de ser considerado um puritano beato, ou de alguém que vê tudo como feio e sujo no mundo dos homens. Antes disso, minha preocupação em lhes escrever esta carta é pela manutenção da dignidade, e ela está acima de qualquer seita, religião, ou conceito social, nascido numa mente fértil e bem intencionada de um político ou sociólogo. Simplesmente lhes narro o que constato, e gostaria de convocá-los para uma reflexão.

Nesta sexta-feira tive que sair, saio muito pouco do Ashrama, a não ser para visitar as vacas na fazenda, e buscar o leite. Pessoalmente gosto das vacas e fico renovado quando as vejo. Elas são amorosas e gentis, e sempre me recepcionam bem. Pena que não possa conviver com elas diariamente, assim teria sempre uma bênção do Senhor, com suas maravilhosas criaturas, tão bondosas, que nos dão o maravilhoso leite. Como era noitinha, então grande parte das pessoas não tinha outros compromissos fruitivos, como trabalho e escola, então elas costumam sair e vaguear pelas ruas. As cenas que pude ver me deixaram muito aflito e angustiado. Nem mesmo me recordo de na minha juventude condicionada ter algum dia ficado num estado tão deplorável. Mas hoje facilmente poderemos ver a decrepitude de mocinhos e mocinhas com menos de 15 anos, andando pelas ruas, levando garrafas de bebidas alcoólicas, e saírem a beber caminhando. Mal se vestem, parecem vampiros, suas auras são decrépitas, apesar da juventude do corpo. Penso que não haja mais critérios de amor próprio, porque o caminho que seguem é da degeneração. Pior do que animais de ruas, andam sem rumo, se intoxicam e agem de forma deplorável. Vítimas das drogas e da degeneração esquecem-se que são seres humanos, então, que se dirá de Deus?

Sri Arjuna, no Bhagavad-gita, fala para Krishna de que a degeneração do Dharma, pelo privilégio da irretidão, e pelo não cumprimento dos deveres prescritos de cada um, gera-se população indesejada, ou seja, filhos que não são amados e queridos pelos pais, pessoas que provavelmente não irão conhecer, ou se conhecerem, deles nada terão de afeto e instrução. O amor pelo semelhante é algo muito particular no serhumano. Mas mesmo os animaizinhos protegem seus filhotes, não os abandonando, como o fez recentemente uma jovem, com pouco mais de 18 anos de idade, já com 4 filhos, um de cada encontro que teve, desde os 12 ou 13 anos. Agora, recentemente, ela simplesmente não cuidava do seu último filho (os outros três também os abandonou), e deixou-o quase a morte, e saiu para uma nova aventura de intoxicação e luxúria, abandonando a criança com 4 anos, sem cuidados, sem ninguém para criar e amparar. E agora, de quem é a culpa?

Estas jovenzinhas que andam pelas ruas, perdidas na vã ilusão de estarem livres, e que na intoxicação buscam o afeto inexistente de seus progenitores, estão gerando população indesejável, porque não têm filhos queridos e planejados, para orientar e direcionar para a vida plena. Os filhos simplesmente “acontecem” em suas vidas, porque por mais que se tenta ensinar nas escolas materialistas, de que há uma relação entre sexo e geração de filhos, parece que a realidade fática está distante desta compreensão.

Uma educação material, que apenas aponte para a vida de desfrute, que dá algumas regras, e que de tempos em tempos permite uma intoxicação coletiva, nas chamadas festas populares, principalmente com consumo de álcool entre os jovens, é o retrato da degeneração da sociedade ocidental. Então, convivemos com atitudes díspares, como o fato de algumas novelas na Televisão incentivarem as jovens a pedofilia (uma adolescente seduzir a um homem casado), e depois considerarem um absurdo os atos relacionados na realidade como causa disso. A mente está sempre ávida por curiosidades, e por querer coisas novas, então a T.V., e os outros meios que visam lucro fácil, funcionam como um modelo a ser seguido. Dá-se ampla liberdade de desfrute, por um lado, dizendo que só isso é o que importa, depois vem o noticiário a censurar as barbáries que são decorrentes desta falda de controle. Nunca, em tempo algum, se fecharam os olhos para as relações de causa e efeito da violência social e da decrepitude humana. Por exemplo, ao mesmo tempo que se nos indignamos com a violência das grandes cidades, vemos jovens enchendo o tanque dos seus potentes e modernos carros nos postos de gasolina, enquanto enchem a “cara” de álcool na lojinha do mesmo posto que abastecem seus veículos. Enche-se o tanque a “cara” com a mesma naturalidade e facilidade, e ninguém vê as relações de causa e efeito disso. Nosso código de leis sobre este assunto de embriaguês e direção é tão sutilmente elaborado, que não é considerado crime dirigir embriagado, mas “conduzir uma direção perigosa embriagado”. Uma pequena mudança nos termos, então a lei parece que abriga a proibição de dirigir embriagado, mas não o faz. Então, seguem-se os absurdos que vemos em todos os dias, em todas as grandes cidades. As campanhas em prol da saúde, da direção defensiva, de evitar álcool e fumo, etc., não passam de adornos, ou de descargas de consciência, somente para não dizer que não se falou algo, e não se fez nada, ou para proteção de uma futura ação jurídica pedindo indenização pelos danos que tal produto gerou. Então, eles se defendem dizendo, “mas nós advertimos que poderia gerar doenças”, etc., isso é o máximo da hipocrisia, mas está aí, a olhos vistos.

Nosso apelo aqui não é outro, a não ser pela coerência das coisas. Não podemos incentivar a intoxicação e libertinagem por um lado, e por outro reprimir ou abrir espaços para punir de um modo pouco claro e louvável. Já faz tempo de o processo de punição e recompensa se mostrou falho na educação humana. Também é notório de que a educação tem que formar para a vida plena, e não apenas para a degeneração e o desfrute desenfreado.

As Escrituras, como o Bhagavad-Gita, não proíbem o uso dos sentidos ou dos sentimentos. Mesmo porque isso seria uma insanidade, mas orientam para as graves conseqüências do uso irrestrito do gozo dos sentidos, da falta de regras e controle que conduzem, de forma inevitável, ao sofrimento inevitável, aqui e agora, e no futuro. Saber educar a língua e os genitais é algo que nos torna humanos. Ser escravos dos sentidos não nos permite nem mesmo criticar aos que consideramos inferiores a nós. Então, a moderna educação deverá mostrar as relações de causa e efeito das coisas, bem como que os filhos indesejados geram mais dor e mais sofrimento. Devem as escolas ensinar sobre alimentação, o valor da vida, a importância de filhos e filhas, da castidade, e que o propósito da vida humana não é outro senão de reverenciar e amar a Deus, porque nos outros aspectos, em nada um corpo humano se diferencia dos outros animais. Então se entenderá que proteção em busca de abrigo, alimentação, acasalamento, manutenção da espécie, etc., são aspectos que estão presentes em qualquer entidade viva. Mas ser um humano de fato, ou seja, alguém que segue as leis de Manu (por isso hum+manu), é algo diferente, porque a inteligência humana é a únicas capaz de fazer as três perguntas fundamentais do Ser: Quem somos? de onde viemos? e para onde vamos? E delas decorrem as três perguntas subseqüentes: Se somos filhos de Deus, quem é Ele, onde Ele está, e como poderemos chegar até Ele.

Eu apelo para que todos que lidam com a juventude, que lhes ensine o verdadeiro propósito da vida, para que aprendam ou relembrem do juramento que se fez antes de nascermos: amar a Deus por sobre todas as coisas. Uma vida levada na retidão e no amor de Deus, considerando o próprio corpo como um templo divino, irá gerar uma humanidade consciente, e uma população rica e benevolente, cujo único objetivo será completar a obra Divina, na plena realização do Ser.

Deste seu benquerente e servo eterno

Swami Krishnapriyananda

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