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Documento sem título
Falácias
no texto Nostra Aetate
SRI
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE
INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto Alegre,
RS - Brasil
1997-2006
.:
Não
vou me alongar em palavras. Quero ser breve. Recebo o texto
Nostra
Aetate. Penso que é um
texto com um tempo de existência
considerável para reflexão. Afinal, são
40 anos da sua escrita. Mas isso de dizer, de tempo e quantidade, para
dar valor a algo, é tão
falacioso como dizer que uma religião é melhor
do que outra porque tem mais adeptos. Mas vi, no meio do
texto, uma alusão ao Hinduísmo e Budismo, colocando “no
mesmo saco”, filosofias tão distintas e opostas,
fato que me fez pensar se de fato trata-se de algo sério
no seu conteúdo. Eu estou pensando se não estamos
apenas sendo hipócritas. Diz o texto: “A
Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões
existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses
modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora
se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria
segue e propõe, todavia, refletem não raramente
um raio da verdade que ilumina todos os homens. No entanto,
ela anuncia, e tem mesmo obrigação de anunciar
incessantemente Cristo, «caminho, verdade e vida» (Jo.
14,6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa
e no qual Deus reconciliou consigo todas as coisas (4)”.
Pelo que entendi, “aceitamos a religião de vocês
mas.... vocês não tem caminho, nem verdade,
nem vida, porque não têm Cristo.....”.
Hum! Interessante o fato de que uma religião advinda
do Mithraísmo,
de origem indo-iraniana, estabelecida pela imposição
da força,
mantém sua admoestação
para os que
não aceitam a sua fé. E deve ter algo dentro
da nossa religião
que "não é santo"....
Sei, sei, tirando o que é ruim fica tudo bom... Pensei,
aqui temos um claro Argumentum
ad Baculum,
ou seja, somos forçados a entender que “aqueles
que se recusarem a aceitar Cristo como salvador não
encontram a plenitude da vida”. Também,
as premissas do parágrafo não são coincidentes
com a conclusão, logo, temos uma Petitio Principii,
se dizem “...
a Igreja... nada rejeita....” e depois rejeita, temos
uma Contradição Performativa. Ou então,
se os argumentos são válidos, e a conclusão é pretendida
como tal, temos uma Ignoratio Elenchi. Mas sei que
o texto parte de uma busca de inter-relação
com as “religiões
não cristãs”. Mas se a proposta é respeitar
as diversas religiões e fés, então,
qual a razão de ter um Red Herring? Entendi,
o papa aprova que eu siga outra religião.... é devido
a sua autoridade e da Igreja que posso ter a fé que
tenho. Ah tah!
Sei,
sei, são termos lógicos. Corro o risco
de ser exorcizado como um endemoniado. Grande parte do
texto é bom... ufa!
Que bom que o mal fosse somente isso, um problema de lógica!
Mas, sinceramente, penso que não estou a altura
de largar da minha fé para ajustar-me a um documento
que prega, primeiro: “...os homens constituem todos
uma só comunidade”;
e depois diz algo como: “respeitamos a sua religião,
desde que você se converta a minha, e retirando as
coisas que não são 'santas'! da sua”.
Mas o que não é "santo", o que
segundo julgam, segundo suas próprias convicções?
Sei, sei, "nós", a Igreja, "somos
santos e temos o caminho para a santidade". Isso
não é,
de modo algum, conteúdo de uma proposta conciladora,
convenhamos. Quem sabe, estou sendo exorcizado
agora porque “A
Igreja reprova, por isso, como contrária ao espírito
de Cristo, toda e qualquer discriminação
ou violência praticada por motivos de raça
ou cor, condição ou religião”.
Meu Deus! Toda e qualquer discriminação é reprovada...
Mas por quem, se o único caminho é Cristo?
Ainda bem que o Papa deixa eu seguir a minha religião...
poxa!
Lendo
o texto todo, percebemos que a soberana igreja católica nos
permitiu seguir a nossa fé, hum hum, retirando o que
"não presta", etc. e tal. Claro, precisamos da autorização
deles para adorar a Deus ao nosso modo, sim, sim!!! Assim,
humildemente, proponho um pequeno estudo
das falácias que encontramos no texto (um leitor experiente
poderá ver mais algumas), onde elas nos deixam inquietos,
diante das evidências.
Argumentum
ad Baculum (Apelo à Força):
Utilização da força ou da ameaça
para impor a conclusão. Ex: Aqueles que se recusarem
a aceitar a Bíblia irão queimar no inferno!
Petitio
Principii:
Ocorre quando as premissas são tão questionáveis
quanto a conclusão alcançada. Ignoratio
Elenchi: Ou Falácia da Conclusão Irrelevante. Consiste
em utilizar argumentos válidos para chegar a uma conclusão
que não tem relação alguma com os argumentos
utilizados.
Red
Herring: Falácia cometida quando material irrelevante é introduzido
no assunto discutido para desviar a atenção e
chegar a uma conclusão diferente.
“CONTRADIÇÃO PERFORMATIVA!
O que você diz (escreve) entra em contradição
com o que faz, quando fala (escreve), pois se fala (escreve),
necessariamente, deve querer/pretender (a) ser entendido,
(b) dizer a verdade, (c) discutir o que disse, (d)...”
Conclusão,
vou seguir a minha fé sem a autorização da Igreja, e se
quiserem podem vir conosco. Posso garantir que ninguém
irá ser queimado no inferno que eles criaram.
Hari Om Tat Sat
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