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Om Namo Bhagavate Vasudevaya! Om Namo Bhagavate Sivanandaya! Sivasya Hridayam Vishnur-vishnoscha Hridayam Sivah!
Ano 5.233 d.K -
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BRASILIANO OU BRASILEIRO?

SRI SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI

SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS - Brasil
1997-2006

.: Braziliano sim, brasileiro não :.

Roche Brasiliano (1600-41?), Bucaneiro que vinha "explorar o Brasil" Por uma graça divina, encontrei-me, dia destes, com o prof. Antonio Fallavena. Ele é uma das poucas pessoas que têm se dedicado a ações comunitárias, procurando mostrar que as mudanças que queremos ver nos outros devem primeiro partir de nós mesmos. E por isso tem se dedicado a uma cultura de educação para Ações Comunitárias. E durante nossa curta e informal conversa, enquanto realizávamos algumas cópias de folhetos numa pequena gráfica, foi que surgiu este assunto, em virtude do fato de estarmos falando do “poder das palavras”, e do significado objetivo e subjetivo que elas têm. Ele trouxe a superfície de minha ignorância, o fato de termos em nossa carteira de identidade a nacionalidade “brasileira”. De fato, este termo está equivocado, porque não condiz com a cidadania propriamente dita, ou de quem nasce no Brasil, mas trata-se de uma antiga denominação de uma função ou “profissão”.

Ainda que Celso Luft, certa feita, tenha dito para mim, que “o uso consagra a palavra”, hoje eu tenho alguns pontos para contrariar nesta idéia, pelo menos em parte. Acho que aqui iniciaremos uma campanha pela verdadeira cidadania nacional!

Do mesmo modo como a palavra “hinduismo" é inadequada para designar o conjunto de crenças e de adoração dos que praticam o Sanatana-dharma, pois trata-se de um apelido que os estrangeiros deram para os praticantes da religião originária de Bharata (erroneamente chamada de “índia”), também falamos dos nomes pejorativos dados aos locais onde as pessoas mais pobres, bem como os negros, que vivem em locais com nomes depreciativos, assim como os apelidos que as pessoas pobres recebem, e entre eles aceitam e mesmo se auto-denominam. Vejam alguns pobres exemplos, como: “Beco da Fumaça”, “Buraco Quente”, “Buraco da Vó”, “Vila dos Macacos”, “Boca do Lixo”, e assim por diante. Os ricos transvestem seus ricos condomínios chamando-se de “Village Dunas”, “Village Athena”; vivem em Petrópolis, Três-figueiras. Pobres vivem na “Vila da Maria Degolada”, “Boca do Lixo”, e assim vai. Ora, as palavras pejorativas nos humilham, diminuem, e desqualificam principalmente àqueles que têm poucos recursos e riquezas. Será que é isso que queremos para melhorar nosso país, e a sua gigantesca e tradicional cultura discriminatória, que distancia ricos e pobres? Sim, a palavra cria e destrói. Não conheço arma mais poderosa do que a palavra. A palavra inicia e termina mesmo uma relação de amor. Não nos surpreenderá, nem mais nem menos, o fato de sabermos que se apelidarmos os mais pobres com palavras, tomando por exemplo, a palavra “restinga”. Ela tem uma conotação de discriminação e aniquilamento do outro. “Restinga” tem o sentido etimológico de “região afastada; local alagado; zona que aparece somente na baixa mar, e mostra o subproduto sobrenadante; é uma região marginal”; ou que é o “restolho” de alguma coisa. Por isso, como poderemos ter uma cultura de paz, de desenvolvimento e crescimento, se permitimos chamar os mais pobres de “restolhos”, e eles se obrigarem a aceitar isso, sem nem mesmo saber reivindicar para mudar?

Por outro lado, é um enorme erro nos considerarmos "brasileiros", porque, de fato, "brasileiro" é um nome de uma profissão, e não de um povo (brasileiro quer dizer: "quem explora o Brasil" - na época, o pau-brasil). Esse nome "brasileiro", foi dado pelos despachadores oficiais de Portugual, que davam licença para alguns "explorarem o Brasil"; terra até então considerada um lugar de pura exploração. O sufixo "eiro", na língua portuguesa, denota uma atividade, uma profissão ou um ofício. Conforme diz o Dicionário Aurélio, o sufixo “eiro”, vem do Latim, arRu (de -arRus, a, um e -arRus, ii), por via popular.] Suf. nom. Quem exerce certo ofício, profissão ou atividade'; '(o) que apresenta certo tipo de comportamento, ou determinado traço de personalidade'; 'objeto ou instrumento de ação'; 'máquina ou aparelho'; 'recipiente, receptáculo, ou móvel próprio para guardar certo tipo de coisa'; 'equipamentos esportivos ou de proteção'; 'acúmulo ou coletividade'; 'local'; 'viveiro'; 'planta', 'árvore'; 'afecção, doença, ou defeito físico'; 'ato ou efeito'; 'gentílico': balseiro, barbeiro, costureiro, hoteleiro, vaqueiro; agoureiro, alcoviteiro; açucareiro, agulheiro, paliteiro; formigueiro, cupinzeiro; abacateiro, abricoteiro, cacauzeiro, craveiro; cobreiro; brasileiro, mineiro. [Equiv.: -deiro, -deira, -eira, -eir(o)-, -oeira, -oeiro, -zeira, -zeiro: arranjadeiro, benzedeiro, abraçadeira, amoladeira, frigideira; cafeteira, enceradeira, geladeira; biscoiteira, cristaleira, manteigueira, sapateira, sopeira; cotoveleira, tornozeleira; aguaceira, apostemeira, cabeleira; carvoeira, clareira; cerejeira, jabuticabeira, roseira; cegueira, manqueira; bebedeira, brincadeira, choradeira; escaqueirar; cabroeira; cordoeiro; ingazeira; taxizeiro; imbuzeiro. V. -ário. ]. Ainda que apareça o sentido de “coletividade”, na definição do Dicionário, ele é para as coisas ou “res”, e não para pessoas.

De verdade, chegamos à conclusão que nós somos "Brasilianos", ou "Brasilienses"; cidadãos do Brasil. É de fato surpreendente sabermos que no Brasil adotamos o nome de uma profissão para designar uma cidadania... (penso que seja o único país do mundo a fazer assim). Todas as pessoas que nascem nos outros países têm um sufixo que denota o fato de “serem cidadãos”, e não “exploradores”, da sua pátria... Engraçado, que somente nós chamados a nós mesmos de "brasileiros"; todos os outros nos chamam de cidadãos do Brasil..... (Brazilian, inglês; Braziliani, italiano; Brasileño, espanhol; Brasiliansk, sueco; Brasilianisch, alemão; Bra´sijen, hebraico; e assim por diante.... Nas palavras dos outros povos, que usam para nos designar, todos dizem "nativos ou cidadãos do Brasil”, nunca uma profissão.... ou exploração....como possui o sentido etimológico de "brasileiro". Por que somente nós temos que nos autoconsiderar (ainda que sem sabermos) “exploradores do Brasil”, e não termos um nome que nos dá o status de cidadãos do Brasil:?

Pode ser que o “uso consagre a palavra”, então, se mudarmos o uso de nossa cidadania, de "brasileiro", “exploradores do Brasil”, para "Brasiliano ou Brasiliense", “cidadãos do Brasil”, quem sabe a consciência mude, e passemos a ser construtores de um lugar melhor para todos?

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