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BRASILIANO
OU BRASILEIRO?
SRI
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE
INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto
Alegre, RS - Brasil
1997-2006
.:
Braziliano sim, brasileiro não :.
Por
uma graça divina, encontrei-me, dia destes, com
o prof. Antonio Fallavena. Ele é uma das poucas pessoas
que têm se dedicado a ações comunitárias,
procurando mostrar que as mudanças que queremos ver
nos outros devem primeiro partir de nós mesmos. E por
isso tem se dedicado a uma cultura de educação para Ações Comunitárias.
E durante nossa curta e informal conversa, enquanto realizávamos
algumas cópias de folhetos numa pequena gráfica, foi que surgiu
este assunto, em virtude do fato de
estarmos falando do “poder das palavras”, e do
significado objetivo e subjetivo que elas têm. Ele trouxe
a superfície
de minha ignorância, o fato de termos em nossa carteira
de identidade a nacionalidade “brasileira”. De
fato, este termo está equivocado, porque não
condiz com a cidadania propriamente dita, ou de quem nasce
no Brasil, mas trata-se de uma antiga denominação
de uma função ou “profissão”.
Ainda
que Celso Luft, certa feita, tenha dito para mim, que “o
uso consagra a palavra”, hoje eu tenho alguns pontos
para contrariar nesta idéia, pelo menos em parte. Acho
que aqui iniciaremos uma campanha pela verdadeira cidadania
nacional!
Do
mesmo modo como a palavra “hinduismo" é inadequada
para designar o conjunto de crenças e de adoração
dos que praticam o Sanatana-dharma, pois trata-se de um apelido
que os estrangeiros deram para os praticantes da religião
originária de Bharata (erroneamente chamada de “índia”),
também falamos dos nomes pejorativos dados aos locais
onde as pessoas mais pobres, bem como os negros, que vivem
em locais com nomes depreciativos, assim como os apelidos que
as pessoas pobres recebem, e entre eles aceitam e mesmo se
auto-denominam. Vejam alguns pobres exemplos, como: “Beco
da Fumaça”, “Buraco Quente”, “Buraco
da Vó”, “Vila dos Macacos”, “Boca
do Lixo”, e assim por diante. Os ricos transvestem seus
ricos condomínios chamando-se de “Village Dunas”, “Village
Athena”; vivem em Petrópolis, Três-figueiras.
Pobres vivem na “Vila da Maria Degolada”, “Boca
do Lixo”, e assim vai. Ora, as palavras pejorativas nos
humilham, diminuem, e desqualificam principalmente àqueles
que têm poucos recursos e riquezas. Será que é isso
que queremos para melhorar nosso país, e a sua gigantesca
e tradicional cultura discriminatória, que distancia
ricos e pobres? Sim, a palavra cria e destrói. Não
conheço arma mais poderosa do que a palavra. A palavra
inicia e termina mesmo uma relação de amor. Não
nos surpreenderá, nem mais nem menos, o fato de sabermos
que se apelidarmos os mais pobres com palavras, tomando por
exemplo, a palavra “restinga”. Ela tem uma conotação
de discriminação e aniquilamento do outro. “Restinga” tem
o sentido etimológico de “região afastada;
local alagado; zona que aparece somente na baixa mar, e mostra
o subproduto sobrenadante; é uma região marginal”;
ou que é o “restolho” de alguma coisa. Por
isso, como poderemos ter uma cultura de paz, de desenvolvimento
e crescimento, se permitimos chamar os mais pobres de “restolhos”,
e eles se obrigarem a aceitar isso, sem nem mesmo saber reivindicar
para mudar?
Por
outro lado, é um enorme erro nos considerarmos "brasileiros",
porque, de fato, "brasileiro" é um nome de
uma profissão, e não de um povo (brasileiro quer
dizer: "quem explora o Brasil" - na época,
o pau-brasil). Esse nome "brasileiro", foi dado pelos
despachadores oficiais de Portugual, que davam licença
para alguns "explorarem o Brasil"; terra até então
considerada um lugar de pura exploração. O sufixo "eiro",
na língua portuguesa, denota uma atividade, uma profissão
ou um ofício. Conforme diz o Dicionário Aurélio,
o sufixo “eiro”, vem do Latim, arRu (de -arRus,
a, um e -arRus, ii), por via popular.] Suf. nom. Quem exerce
certo ofício, profissão ou atividade'; '(o) que
apresenta certo tipo de comportamento, ou determinado traço
de personalidade'; 'objeto ou instrumento de ação';
'máquina ou aparelho'; 'recipiente, receptáculo,
ou móvel próprio para guardar certo tipo de coisa';
'equipamentos esportivos ou de proteção'; 'acúmulo
ou coletividade'; 'local'; 'viveiro'; 'planta', 'árvore';
'afecção, doença, ou defeito físico';
'ato ou efeito'; 'gentílico': balseiro, barbeiro, costureiro,
hoteleiro, vaqueiro; agoureiro, alcoviteiro; açucareiro,
agulheiro, paliteiro; formigueiro, cupinzeiro; abacateiro,
abricoteiro, cacauzeiro, craveiro; cobreiro; brasileiro, mineiro.
[Equiv.: -deiro, -deira, -eira, -eir(o)-, -oeira, -oeiro, -zeira,
-zeiro: arranjadeiro, benzedeiro, abraçadeira, amoladeira,
frigideira; cafeteira, enceradeira, geladeira; biscoiteira,
cristaleira, manteigueira, sapateira, sopeira; cotoveleira,
tornozeleira; aguaceira, apostemeira, cabeleira; carvoeira,
clareira; cerejeira, jabuticabeira, roseira; cegueira, manqueira;
bebedeira, brincadeira, choradeira; escaqueirar; cabroeira;
cordoeiro; ingazeira; taxizeiro; imbuzeiro. V. -ário.
]. Ainda que apareça o sentido de “coletividade”,
na definição do Dicionário, ele é para
as coisas ou “res”, e não para pessoas.
De
verdade, chegamos à conclusão que nós
somos "Brasilianos", ou "Brasilienses";
cidadãos do Brasil. É de fato surpreendente sabermos
que no Brasil adotamos o nome de uma profissão para
designar uma cidadania... (penso que seja o único país
do mundo a fazer assim). Todas as pessoas que nascem nos outros
países têm um sufixo que denota o fato de “serem
cidadãos”, e não “exploradores”,
da sua pátria... Engraçado, que somente nós
chamados a nós mesmos de "brasileiros"; todos
os outros nos chamam de cidadãos do Brasil..... (Brazilian,
inglês; Braziliani, italiano; Brasileño, espanhol;
Brasiliansk, sueco; Brasilianisch, alemão; Bra´sijen,
hebraico; e assim por diante.... Nas palavras dos outros povos,
que usam para nos designar, todos dizem "nativos ou cidadãos
do Brasil”, nunca uma profissão.... ou exploração....como
possui o sentido etimológico de "brasileiro".
Por que somente nós temos que nos autoconsiderar (ainda
que sem sabermos) “exploradores do Brasil”, e não
termos um nome que nos dá o status de cidadãos
do Brasil:?
Pode
ser que o “uso consagre a palavra”, então,
se mudarmos o uso de nossa cidadania, de "brasileiro", “exploradores
do Brasil”,
para "Brasiliano ou Brasiliense", “cidadãos
do Brasil”,
quem sabe a consciência
mude, e passemos a ser construtores de um lugar melhor para
todos?
Hari Om Tat Sat Topo
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