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O VEDANTA
SWAMI
KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE
INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
© Direitos Autorais reservados
Porto Alegre, RS - Brasil 1997-2006
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O Vedanta ::
Sumário
1. O Vedanta
1.1. Metafísica
védica
2. Os Corpos materiais
3. Escola Vedanta
1.1.
Metafísica védica
A metafísica indiana, sem dúvida alguma, ganhou
um grande impulso com o Vedanta de Sankara. Esta escola de filosofia
praticamente influenciou todas as demais que vieram após
ela, mesmo àquelas que a contestaram. Por vezes, notamos
que o Vedanta aparece como uma retomada de consciência
dos Vedas, principalmente após a descaracterização
feita por Buddha das Escrituras, tentando suspender os sacrifícios
injustificáveis que ocorriam como solução
para todos os “problemas do mundo físico e espiritual”,
principalmente o praticado pelos brahmanes, que também
estavam cobrando taxas muito elevadas para prestarem seus serviços.
Cada vez faziam mais exigências, a ponto que nem mesmo
um rei não dispor de tamanha quantidade de produtos ou
riquezas para poder resolver os “problemas divinos”.
De fato, podemos considerar a posição de Buddha,
principalmente por ter se dedicado a bem-fazer boas ações
para as pessoas menos favorecidas, uma posição
de rebelação contra o “brahmanismo ortodoxo”,
quer dizer, na medida em que descaracterizou os textos védicos,
Buddha afirmou a necessidade de uma retomada de consciência
diante das exigências absurdas dos brahmanas.
O Vedanta, por sua vez, experimenta um forte renascimento com
Sankaracarya, mas mantendo as características do Naturalismo
herdado contingentemente da filosofia niilista e materialista
de Buddha. Esta naturalismo podemos considerar como uma filosofia
da natureza, onde são feitas comparações
entre o purusha (Ser), a Prakriti (Natureza) e o Jiva (Alma
individual). De modo peculiar, quase toda a filosofia do Vedanta
gira em torno deste tripé filosófico, hora deslocando
o Jiva para o seio do purusha, hora misturando os conceitos
em níveis diferentes, e assim por diante. Apesar disso,
existe um consenso quanto a certos conteúdos filosóficos,
que é o caso dos múltiplos estágios, ou
corpos, do sujeito. Este conceito, como dissemos, parte no início
de uma “piramidização” dos seres no
mundo. Grosso modo, o primeiro reino é o mineral, o segundo
o vegetal, depois, segue-se o animal, e, por último,
o hominal. A partir daí, inverte-se a pirâmide,
cada vez mais concentrada no topo inicial, e agora abre-se para
um estágio superior do Ser; no caso do primeiro estágio,
o “angelical”, aumentado a complexidade em rumo
ao Absoluto.
Os corpos materiais, segundo o Vedanta clássico, são
em número de cinco, podendo eventualmente serem ampliados
para sete, dependendo o enfoque que lhes é dado. Comum
a todos eles, no entanto é o que se conhece como maya,
ou seja, ilusão, uma vez que estes corpos, sendo temporários,
tendem a desaparecer com o tempo. Esse sentido de temporariedade,
no entanto, é a verdadeira tradução para
a palavra “ilusão” ou maya, e não
como “alucinação”, como normalmente
é mal traduzida no Ocidente.
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