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SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI

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Porto Alegre, RS - Brasil
1997-2007

Sri Narada Muni diante de Sri Brahmaa

"Om! Que juntos estejamos protegidos; que juntos sejamos nutridos e aceitos; que juntos nos reforcemos; que juntos possamos compreender; que juntos não tenhamos inimigos. Oˆ paz! Paz! Paz!".

Sumário
1. Introdução
2. Verso 1
3. Verso 2
4. Verso 3


Introdução
Kalisantarana - a essência dos VedasKalisantarana-upanishad trata-se de um Upanishad pertencente ao Krishnayajurveda. A tradução literal é: “Instruções para a Transição à Kali-Yuga”; trata-se um texto muito antigo, e Sua idade exata nos é desconhecida, contudo, os historiadores dão ao Yajur-Veda cerca de 1.500 anos de existência antes de nossa era, considerando-O como sendo do “período védico”, portanto, tendo já aproximadamente 3.500 anos que foi escrito. O Yajur-Veda contém uma parte chamada “branca” e outra “preta”, Shukla e Krishna, respectivamente, e o Kalisantarana está na parte Krishna do Yajurveda, uma vez que esta parte contém comentários em prosa bem como instruções detalhadas sobre o que ensina, diferente dos textos em verso.

O presente Upanishad - literalmente: instruções diante do Mestre – trata-se de uma conversa espiritual entre Sri Narada Muni, um devoto do Senhor Sri Krishna, que se dedica a divulgar Seus passatempos aos som de uma Vina (instrumento indiano de cordas) ao redor do universo, e o Senhor Brahma, o criador do mundo material. Quando a Dvapara Yuga, ou “era-de-cobre” terminava, deslumbrava-se o advento da era de Kali ou era das hipocrisias, trevas e ignorâncias, de modo que todos ficaram muito temerosos de como conseguir liberarem-se das amarras do Karma, ocasionadas pela era que se iniciava. A pouca duração da vida (em média 100 anos); a preponderância do egoísmo, bem como a tendência para o desfrute mundano e a identificação com o corpo material, características da era de Kali, são sérios obstáculos para a realização espiritual. Ciente destes problemas, Sri Narada Muni dirigiu-se ao Senhor Brahma, o pai da criação, e com ele recebeu as instruções de alívio para esta era de trevas.

De acordo com os textos védicos, cada uma das eras possui algum tipo de sistema ou Abhyasa que dá o alívio da liberação ou Moksha do Samsara. Na Satya-yuga, ou “era-de-ouro”, os textos védicos dizem que a meditação no Senhor Supremo libera alguém do ciclo de nascimentos e mortes; na Tetra-Yuga, “era-de-prata”, é possível alcançar a liberação apenas pela realização de sacrifícios no fogo sagrado; adorar as Deidades no templo, é o processo necessário para a liberação da Dvapara-yuga, “era-de-bronze”. Na Kali-yuga, “era-de-ferro”, o processo é o de recitar os Santos Nomes do Senhor Narayana – Vishnu -, sem que sequer hajam regras específicas para isso.

Sri Adi Sankaracharya, o grande filósofo do Sanatana-dharma do século VIII instruía os Seus discípulos e seguidores a repetirem os Santos nomes num Mala – rosário – de 108 contas, de modo que o Bhakta – devoto – fizesse pelo menos 64 voltas diariamente deste Mantra, no processo chamado de Japa, ou repetição do Maha-Mantra. Há três formas de repetir o Maha-Mantra, a saber: 1) na forma sonora, Vaikhari-Japa; 2) silenciosa ou sussurrada, Upamshu-Japa; e 3) mentalmente ou Manasika-Mantra, processo este onde o devoto já alcançou a plena concentração da Mente.

O presente texto dispensa quaisquer comentários, uma vez que as Suas instruções são diretas e puntuais. Somente eventuais esclarecimentos do significado de alguns termos e procedimentos serão anotados, como ”notas de rodapé” para que o leitor possa iniciar-se imediatamente neste Abhyasa da Kali-yuga, e assim alcançar a liberação do Samsara.

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