1.
Ganesha
Sri
Ganesha é uma forma de Brahman Supremo; Ele realiza
muitos passatempos ou Lilas, por isso O vemos de tantos modos
e maneiras, aparecendo segurando diferentes parafernálias.
Isso acontece com qualquer outra forma externa de Brahman,
nas representações de Deus, e em alguma de Suas
formas pessoais. Brahman, ou Supremo, ou Iswara, também
Krishna, ou Siva, São distintas formas de Uno.
Desta forma, a figura de Ganesha (Gana-- som (alusão à tromba)
+ Isha—Senhor), também, possui um largo aspecto
arquetípico, os quais expressam um estado de perfeição,
bem como os meios de obtê-la. O símbolo mais importante
de Sri Ganesha diz respeito ao fato de que Ele deve ser descoberto
como a Divindade no interior de si mesmo.
Ganesha é o primeiro som, OM, no qual todos os hinos
sagrados iniciam. Quando Shakti, a energia, matéria
ou poder feminino, e Siva, o Ser, ou consciência, unem-Se,
tanto som – Gana, e Luz, Skanda, nascem. Ganesha representa
o equilíbrio perfeito entre a força e a bondade;
poder e beleza. Ele, também, tem a simbologia a capacidade
de discernimento, a qual provê a habilidade para distinguir
entre a Verdade e a ilusão; o que é real e o
irreal.
Uma descrição de todas as características
e atributos de Sri Ganesha é dada no Ganapati Upanishad,
feito pelo Rishi Atharva, no qual Ganesha é declarado
como idêntico ao Brahman ou Atma. Este Upanishad contém
um dos mais famosos Mantras de Sri Ganesha: Om Gam Ganapataye
Namah, que literalmente tem o significado de: Eu me rendo a
Vós, ó Senhor dos mestres).
De acordo
com as regras estritas de iconografia Hindu, Ganesha em figuras
com apenas duas mãos é considerado
tabu. Portanto, Ganesha aparece no mais das vezes com quatro
braços, os quais simbolizam a Sua divindade. Algumas
imagens podem contem seis, outras oito, dez, doze ou quatorze
braços; cada mão carrega uma simbologia, a qual
difere dos símbolos das outras. Contudo, há cerca
de cinqüenta e sete símbolos no todo, de acordo
com alguns especialistas.
A imagem
de Ganesha é composta dos seguintes símbolos:
quatro animais, homem, elefante, a serpente, e o rato, que
dão a noção de conjunto para Sua figura.
Todo o séqüito possui um profundo significado simbólico
no conjunto.
2.
O Senhor da boa-fortuna
Em termos gerais, Sri Ganesha é a deidade mais frequentemente
amada e invocada, uma vez que Ele é o Senhor da boa
fortuna, e também o destruidor dos obstáculos,
tanto da vida material como espiritual. É por esta razão
que Sua graça é evocada ante de iniciar quaisquer
que sejam as tarefas (por exemplo, trabalho rotineiro, viagens,
prestar exames, conduzir os negócios, uma entrevista,
realizar uma cerimônia, etc.). O Mantra, Aum Sri Ganeshaya
Namah (saudação ao nome de Sri Ganesha), ou similar, é o
que se usa nestas ocasiões. É por essa tradição
que todas as seções de Bhajans, cânticos
devocionais, iniciam com uma evocação de Ganesha.
O Senhor benevolente de todos os princípios. Através
da Índia, e da cultura do Sanatana Dharma, o Senhor
Ganesha é o primeiro símbolo colocado em qualquer
nova casa ou morada.
Além do mais, Sri Ganesha está associado com
o primeiro Chakra, o qual representa o instinto de consecação
e sobrevivência; da procriação e do bem-estar
material.
3.
Atributos corporais
Cada elemento do corpo de Sri Ganesha possui seu próprio
valor, e seu próprio significado. No mais das vezes,
Sri Ganesha é representado com quatro mãos. Um
devoto deverá meditar na forma do Senhor e procurar
entender o significado. A orientação do Guru
ou mestre espiritual é de fundamental importância
para se poder compreender o que tudo significa (mas pode ser
que uma vida inteira não seja suficiente para isso...).
Vejamos os símbolos mais freqüentes em Sri Ganesha:
- a cabeça de elefante: indica fidelidade, inteligência
e poder de discernimento;
- uma presa: este fato de ter uma presa inteira e outra
quebrada tem o significado de que Ganesha possui a
habilidade de sobrepor
todas as formas de dualismo;
- largas orelhas: denota sabedoria; habilidade para escutar
as pessoas que pedem ajuda, e refletem as Verdades espirituais.
Elas, também, significam a importância fundamental
de escutar tendo em vista aprender e assimilar as idéias.
As largas orelhas indicam que quando Deus é conhecido,
tudo é conhecido;
- tromba curvada: indica as potencialidades intelectuais,
as quais se manifestam em si mesmas na faculdade (Viveka)
de discernimento
entre o que é real, temporário e passageiro,
daquilo que é terno, sempre existente (Atma);
- Trishula na testa: a lança com três pontas (arma
do Senhor Siva, similar a um tridente), sinaliza simbolicamente
o tempo: passado, presente e futuro, e Ganesha tem total domínio
sobre ele.
- barriga de Ganesha: ela contém os universos infinitos.
Ela significa a generosidade da natureza e equanimidade; a
habilidade de Ganesha absorver os sofrimentos do universo e
proteger o mundo;
- posição de Suas pernas (uma descansando e outra
sendo apoiada), indica a importância de viver e participar
do mundo material, bem como do mundo espiritual; a habilidade
de viver no mundo sem mundanizar-se;
- quatro braços: eles representam os quatro atributos
internos do corpo sutil que são: Manas ou mente, Buddhi,
intelecto; Ahamkara, ego, e a consciência condicionada
ou Chitta. O Senhor Ganesha representa a consciência
pura – Atma – a qual habilita as quatro funções
dos atributos em nós;
- mão segurando machado: tem a simbologia de reduzir
todos os desejos, dores e sofrimentos. Com este machado, Ganesha
tanto pode golpear como repelir os obstáculos. O machado,
também, simboliza o aguilhão que conduz o homem
para o caminho da retidão e da Verdade;
- segunda mão segurando um laço: tem o símbolo
da força, que amarra a pessoa devota à eterna
beatitude de Deus. O laço conduz a idéia de que
devemos nos libertar dos apegos e desejos mundanos;
- a terceira mão abençoa os devotos: esta é a
posição da benção, refúgio
e proteção divina ou Abhaya;
- a quarta mão sustenta uma flor de lótus: o
Padma simboliza a elevada meta da evolução humana;
a doçura de realizar o Ser interior.
4. O Senhor cuja forma é o
OM, carregado por Mushika
Ganesha é representado, também, e descrito como
Omkara ou OM. O formato de Seu corpo é uma copia que
delineia a sílaba OM em Devanagari (a escrita do sânscrito).
O OM é conhecido como Mantra Bija ou Mantra Semente.
Por esta razão, Sri Ganesha é considerado a corporificação
ou encarnação do cosmos inteiro; como sendo a
base de todos os fenômenos do mundo (Vishvadhara; Jagadoddhara).
Além do mais, na linguagem Tamil, a sagrada silaba é indicada
precisamente por suas características que delineiam
a cabeça de Ganesha.
De acordo
com as interpretações, o veículo
que transporta Sri Ganesha, o ratinho ou Mushikam, representa
a sabedoria, bem como o talento e a inteligência. Ele
simboliza a pequena investigação de um objeto
critico. Assim, ela é também um símbolo
da ignorância que domina a escuridão e teme a
luz do conhecimento.
Tanto Sri
Ganesha com Mushika adoram Modaka, um doce o qual é tradicionalmente
oferecido para ambos em cerimônias de adoração.
Mushika é usualmente representado bem menor do que Ganesha,
contrastando com os veículos de outras formas ou Deidades.
No entanto, Mushika é representado como um rato enorme
na arte Maharashtrian (de Mahatashtra), que desenham Mukash
como um grande rato.
Também, uma outra interpretação diz que
o ratinho Mushika ou Aku, representa o ego, a mente com todos
os nossos desejos, e o orgulho individual. Ganesha cavalga
o ratinho, tornando-se mestre e não escravo daquelas
tendências; indicando, também, o poder do intelecto
e das faculdades de discernimento como superiores a mente.
Ademais, o rato – que é extremamente voraz na
natureza – é muitas vezes representado próximo
a um prato de doces, com seus olhos para Ganesha, enquanto
segura um bocado de comida entre suas patas, como que aguardando
uma ordem de Ganesha. Isso tudo representa a mente, a qual
foi completamente subordinada a faculdade do intelecto; a mente
sobre estrita supervisão, a qual se fixa em Ganesha,
e não pega comida a não ser com a promissão
de Ganesha.
Por fim,
tudo isso representa a modéstia a humildade
que devemos ter. Ganesha, apesar de sua gigantesca forma, grande
talento e conduta, torna-Se tão leve que pode ser carregado
por alguém tão pequeno, como um ratinho insignificante.
5.
Casado ou celibatário?
É
interessante observar como, de acordo com a tradição,
Sri Ganesha foi gerado por Sua mãe, Parvati, sem a intervenção
do Seu marido, Sri Siva. Siva, de fato, sendo eterno – Sadasiva – não
possui nenhum desejo de ter filhos. Consequentemente, o relacionamento
de Ganesha e Sua mãe é único e especial.
Devido a isso Sri Ganesha é representado, tradicionalmente
no Sul da Índia, como sendo celibatário. É dito
que Ganesha, tendo a Sua mãe como a mais bela a perfeita
mulher no universo, exclamou: “traga-me uma mulher tão
maravilhosa como És que casarei com ela”. No norte
na Índia, por outro lado, Sri Ganesha é com freqüência
representado como sendo casado com duas filhas do Senhor Brahma:
Riddhi (intelecto), e Siddhi (poderes espirituais). Popularmente,
no norte da Índia Ganesha está acompanhado por
Saraswati, a deusa da sabedoria e da arte, e por Laksmi, a
deusa da fortuna e da sorte, simbolizando que todas estas qualidades
sempre acompanham quem descobre a suas qualidades divinas internas.
Simbolicamente, isso representa o fato de que a riqueza, prosperidade,
e sucesso, acompanham aqueles que possui as qualidades de sabedoria,
prudência, paciência, etc., as quais Sri Ganesha
representa.
6.
Kalabou
Há uma outra mitologia, especificamente na Bengala,
a qual fala que Sri Ganesha casou-Se com Kalabou. Kalabou nada
mais é o que a bananeira, representada tradicionalmente
no Sari branco, com bordas vermelhas. A história conta
que Sri Ganesha necessitava casar, centro dia quando chegou
em casa, Ele viu Sua mãe Durga Devi comendo com Suas
próprias dez mãos. Ficando chocado, Ele perguntou
por que Ela fazia aquilo? Durga respondeu que depois de Ganesha
casar Sua esposa não daria para Ela nenhum alimento,
então estava comendo daquela forma, com Suas dez mãos.
Sentido-se triste, Ganesha decidiu que deveria casar-se com
a bananeira ou Kalabou, então Sua mãe jamais
teria algum aborrecimento com comido, uma vez que a bananeira
não pode deixar de produzir frutos.
A tradição consagra que nos dias de festival
de Durga no Saptami (primeiro dia de adoração
a Durga), nas primeiras horas do dia, Kalabou é levada
para banhar-se no rio Gange. Após a cerimônia
do banho, ela é adornada com um Sari branco com bordar
vermelhas, e pó vermelho é jogado sobre suas
folhas. Então ela é colocada sobre um pedestal,
decorada e adorada com flores, pasta de sândalo, e varinhas
de incenso. Após isso, ela é colocada no lado
direito de Ganesha. É por essa razão que Kalabou é popularmente
conhecida como a esposa de Ganesha.
7.
Etimologia e derivações de Ganesha
No norte da Índia, Ganesha é tradicionalmente
conhecido como Gana (república). Este nome influenciou
o pais afrinacano com o mesmo nome. A palabra Genash é formada
pelos nomes Gana + isha, portanto, Ganesha é uma Sandhi
ou junção de palavras. Um dos sentidos de Gana é som,
como já vimos, mas Gana também significa república,
então o sentido seria “Senhor da República”.
Ganesha é, também, conhecido como Ganapati; o
sufixo “pati” indica Senhor ou protetor da Republica.
De acordo com os Jats, Ele guia o bem-estar da republica. Nada
acontece na república sem a Sua permissão. Uma
cerimônia de casamento deverá ser realizada com
Suas bênçãos, e entrar na área de
uma república deverá ser feita sob sua permissão.
8.
Como Ganesha ganhou a cabeça de elefante?
Há muitas histórias da mitologia dos Hindus que
contam como Ganesha obteve a cabeça de elefante; isso
deu origem a muitas historietas de como isso aconteceu. E muitas
destas historias revelam as origens da enorme popularidade
do culto a Ganesha.
- decapitado e reanimado por Siva
A mais conhecida das histórias de Ganesha é,
provavelmente, a que está no Siva Purana. Certa feita,
quando Sua mãe Parvati, nenhum dos seus servos estava
disponível para cuidar da Sua casa. Então Ela
criou uma imagem de um lindo menino, feita com pasta de pó de
Tumerique (este pó Ela havia preparado para clarear
Seu corpo, pis tem propriedade antiseticas e refrescantes);
desta forma, Ela deu vida a imagem, surgindo Ganesha. Parvati
ordenou que Ganesha ficasse na porta, e não permitisse
ninguém entrar na casa. Obedientemente Ganesha seguiu
a ordem de Sua mãe. quando o Senhor Siva voltava para
Sua casa, Ele tentou entrar, sendo impedido por Ganesha. Siva
ficou enfurecido com a atitude do garoto, que se atreveu a
impedi-lO. Ele disse para Ganesha que era o marido de Parvati,
e pediu que Ganesha O deixasse entrar. Mas Ganesha havia escutado
de Sua mãe que não deixasse entrar ninguém.
Siva perdeu a Sua paciência e lutou com Ganesha, sendo
que a Sua cabeça foi cortada pelo Trishula de Siva.
Quando Parvati veio para fora, e viu Seu filho sem vida, Ela
ficou muito furiosa e triste. Ela ordenou que Siva restaurasse
a vida do menino novamente.
Desafortunadamente, o poder do Trishula de Siva aremessou
a cabeça para muito longe. Todas as tentativas para encontrar
a cabeça foram em vao. Num último recurso, Siva
foi até o Senhor Brahma que sugeriu para Siva para que
colocasse no menino a primeira cabeça que encontrasse
no Seu caminho a qual estivesse olhando o norte ao dormir.
Siva, então, enviou Seus soldados celestais Gana para
encontrar e pegar a cabeça de qualquer criatura que
eles tivessem a felicidade de achar e que estivesse com a dormindo
com a cabeça para o norte. Eles encontraram um elefante
dormindo daquele modo, depois de terem cortado a cabeça
do elefante, foi então colocada no corpo de Ganesha,
trazendo-O novamente a vida. Daí por diante ele foi
chamado de Ganapati, ou o chefe dos soldados celestes, e desde
então é adorado por qualquer que seja antes de
iniciar quaisquer atividades.
- Siva e Gajasura
Uma outra história da forma de Ganesha é sobre
o fato da existência de um demônio ou Asura, o
qual tinha todas as características de um elefante,
sendo chamado de Gajasura. Ele havia feito severas penitências
ou Tapasias, austeridades, tendo em vista alcançar qualquer
coisa que desejasse. Então o demônio desejou que
saísse fogo do seu corpo sempre que quisesse, de modo
que ninguém se aproximasse dele. Siva era a deidade
adorada, de modo que deu tal benção para o demônio.
Gajasura continou a sua penitencia até que Siva apareceu
diante dele, sempre perguntando o que ele desejava. O demônio
respondeu, “Eu desejo que você more no meu estômago”.
Então o Senhor Siva concedeu este desejo ao demônio
e passou a residir no interior no estomago dele. O Senhor Siva é conhecido
como Bhola Sankara, uma vez que Ele á uma Deidade facilmente
agradada; quando Ele está satisfeito com Seu devoto,
Ele atende aos seus desejos, e deste modo, de tempos em tempos,
cria determinadas situações intrincadas. Foi
por esta razão que Parvati, Sua esposa, procurava por
Ele sem conseguir encontrá-lO. Como último recurso,
Ela foi até Seu irmão Vishnu, pedindo para que
Ele encontrasse Seu marido. Vishnu, que a tudo conhece, garantiu
para Ela: “Não se aborreça, querida irmã,
Seu marido é Bhola Shankara, e prontamente atende aos
Seus devotos; em qualquer que seja o que Lhe peçam,
sem medir as conseqüências. Por esta razão,
penso que Ele esteja em alguma dificuldade. Eu irei ver o que
está acontecendo”.
Então Vishnu, o regente onisciente do jogo cósmico,
articulou uma pequena representação. Ele transformou
Nandi, o búfalo de Siva, num búfalo dançante,
e levou-o até diante de Gajasura, assumindo, ao mesmo
tempo, a aparência de um flautista (como Sri Krishna).
O encantamento realizado pelo búfalo deixou o demônio
em êxtase, e então ele pediu para que o flautista
pedisse o que quisesse para ele. Vishnu respondeu, “Você pode
me dar o que eu pedir?” Gajasura respondeu, “o
que você deseja? Eu posso lhe dar imediatamente o que
você pedir”. O flautista disse, então: “Eu
desejo que libere o Senhor Siva do seu estômago”.
Gajasura então se deu conta que o flautista era Vishnu
em pessoa, e apenas quem fosse onisciente poderia saber e pedir
tal coisa. Tendo liberado o Senhor Siva, Gajasura fez um último
pedido: “Eu tenho sido abençoado pelo Senhor de
muitas maneiras; meu último pedido é todos me
adorem depois de minha morte”. Então o Senhor
Siva trouxe Seu próprio filho e substituiu a Sua cabeça
com a de Gajasura. Dendê então na Índia, é que
toda a ação, tendo em vista a prosperidade, deve
iniciar com a adoração a Ganesha.
9.
A contemplação
de Shani
Uma menos conhecida história de Ganesha vem do Brahma
Vaivarta Purana, que narra uma versão diferente do surgimento
de Sri Ganesha. Por insistência de Siva, Parvati jejuou
por um ano (Punyaka CVrata), para agradar a Vishnu, para que
tivesse um filho. O Senhor Vishnu, após Parvati ter
terminado o sacrifício, anunciou que iria encarnar pessoalmente
como Seu filho em cada Kalpa (era). Consequentemente, Sri Krishna
nasceu como filho de Parvati, como Seu encantador filho. Este
acontecimento foi celebrado com grande júbilo, e todos
os semideuses foram convidados e verem a criança recém
nascida. Então, Shani, Saturno, o filho de Surya (o
Sol), hesitou olhar o menino, uma vez que Shani havia sito
amaldiçoado com a visão da destruição.
Porém Parvati insistiu de ele visse o bebê, o
qual fez Shani, e imediatamente a cabeça da criança
saiu fora, e subiu até Goloka. Vendo Siva e Parvati
tristes por este fato, o Senhor Vishnu montou Seu pássaro
veículo, Garuda, e correu até as margens do rio
Pushpa-Bhadra, e trouxe com Ele uma cabeça de um jovem
elefante. A cabeça então foi ligada ao corpo
do filho de Siva e Parvati, e deste modo reviveu-O. A criança
foi chamada de Ganesha, e todos os semideuses o abençoaram,
desejando para Ele poder e prosperidade.
10.
Siva e Aditya
Um outro conto da Índia que diz respeito a Sri Ganesha
relata um incidente no qual o Senhor Siva matou Aditya, o filho
de um sábio. Siva trouxe de volta a vida do menino,
mas isso não pacificou o horror do sábio Kashyapa,
quem era um dos sete grandes sábios ou Rishis. Kashyapa
amaldiçoou Siva dizendo que Siva deveria perder a Sua
cabeça. Quando isso aconteceu, a cabeça do elefante
de Indra foi colocada no lugar dela.
Também há um outro conto em que numa ocasião,
onde Parvati costumava banhar-se dentro do Ganges, e o chefe
dos elefantes – deusa Malini - estava bebendo água,
dando a luz um bebê com quatro braços, e com cinco
cabeças de elefante. A semideusa do rio, Ganga, reivindicou
Ele como Seu filho, mas Siva disse ser filho d´Ele e
Parvati, reduzindo as cinco cabeças para uma, e colocando
Ele como o controlador dos obstáculos – Vigneshwara.
11.
Como a presa de Ganesha quebrou-se?
No Mahabharata
Há muitas histórias sobre este fato, ou seja,
o modo como Sri Ganesha quebrou uma de Suas presas. Na primeira
parte do Mahabharata, épico onde está a celebre
obra o Bhagavad-Gita, e dito que Vyasa pediu para que Ganesha
trascrevesse o poema quando ele ditasse. Ganesha concordou,
mas apenas com uma condição, a de que Vyasa O
recitasse sem nenhuma interrupção; sem qualquer
pausa. O sábio, por sua vez, disse que Ganesha deveria,
então, anotar somente quando tivesse entendido claramente
o que fora dito, antes de anotar. Desta forma, Sri Vyasa pode
recuperar-se um pouco antes de continuar a falar os versos
do Mahabharata, os quais Ganesha somente anotou quando entendeu.
O ditado começou, mas a pena que Ganesha usava quebrou-se,
então, Ele quebrou a Sua própria presa, e a usou
como uma pena para escrever o texto ditado por Vyasa, e assim
pode continuar sem interrupção, permitindo que
mantivesse a Sua palavra.
Ganesha e Parashurama
Certo dia, Parashurama, um Avatar do Senhor Vishnu, foi prestar
uma visita ao Senhor Siva, mas ao longo do caminho Ele foi
bloqueado por Ganesha. Parashurama então lutou com
Ganesha com Seu machado (ganho do Senhor Siva), na contenda
deixou-Se golpear pelo próprio machado e perdeu a
Sua presa.
Ganesha e a lua
Um dia Ganesha, após ter recebido de muitos dos Seus
devotos grande quantidade de doces (Modaka), tendo em vista
melhorar a digestão da grande quantidade que ingeriu,
decidiu dar um passeio. Ele subiu no Seu ratinho veículo
e então saiu. A noite está magnífica,
e a lua resplandecente. Silenciosamente uma serpente apareceu
e assustou o ratinho pensando que iria morrer, então
fazendo com que desse um pulo, e Ganesha foi jogado no chão.
O enorme ventre de Ganesha abriu-se quando ele bateu no chão,
e todos os doces que havia comido se esparramaram ao redor
d´Ele. não obstante, devido a Sua inteligência
não permitir que ficasse irado, sem perder tempo com
lamentações, ele tentou remediar a situação
do melhor modo possível. Ele pegou a serpente que causara
o acidente e a usou como um cinto, tendo em vista manter Sua
barriga fechada, vedando assim o dano. Satisfeito por esta
solução, Ele remontou o ratinho, e continuou
a Sua escursao. Chandradeva, o semideus da Lua, viu aquela
cena e riu-se. Ganesha, tendo o temperamento irratiço,
amaldiçoou a Lua, dividindo a sua face em duas, quebrando
uma de Suas presas e atirando-a contra a Lua, dizendo que qualquer
um que visse a face da Lua naquele dia cairia em má sorte.
Hari Om Tat Sat
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