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SRI
KRISHNA CHEITANYA BHARATI
Biografia pelos biógrafos autorizados
SWAMI
KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE
INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA
DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
© Direitos
Autorais reservados
Porto Alegre, RS - Brasil
1997-2006

Sumário
1. Introdução
2.
Uma história da reconstrução hindu
3.
Segregação de castas
4.
Questões controversas
5.
A Biografia de Cheitanya
6. Conclusão
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1.
Introdução
Lembro-me de quando iniciei
a estudar a vida e obra de Sri
Krishna Cheitanya Bharati, inspirado pela sua
brevíssima,
mas objetiva, biografia escrita por Sua Santidade Swami
Sivananda,
me impressionou o fato de aquele grande devoto não-dualista
aceitar a todos no Seu Kirtana: Sivaistas, Vaishnavas, Deviistas,
Smartistas,
Muçulmanos, e assim por diante. Todos eles faziam parte
da sua ação de recuperação do "Hinduísmo",
esmorecido por intrigas internas e pela opressão dos
governadores islãmicos. Sendo um profundo conhecedor
da lógica, um instrumento derradeiro contra a especulação
e opressão religiosa, Vishvanbara alcançou
os pícaros da glória da realização
espiritual, tendo até mesmo deixado um grande
erutido, como Bathacharya, comovido pela Sua erudição.
Sendo um Sannyasi da linhagem de Sri Sankar, por excelência,
respeitava os preceitos do Advaita Vedanta, uma elevada
filosofia
que abomina todo e qualquer tipo de crendices e especulações.
Contra a opressão muçulmana, e falta de conhecimento,
Cheitanya surge na Índia, como um arauto de reconquista
da fé Hindu. A lógica de Cheitanya serve como
uma navalha cirúrgica para separar o que é verdadeiro
do fantasioso, sectário, dogmático. A época
de Cheitanya é uma época de domínio
islãmico,
onde a religião muçulmana não apenas é
uma imposição quase absoluta, como a exploração
da cobrança de impostos e espoliação
de todo o tipo fazem parte das atitudes, tendo uma força
tão grande quanto a do Império Romano na sua época,
10 séculos antes. Felizmente, o conhecimeto que é
ciência e não apenas crendice, sobrevive aos tempos
e aos governos deste o daquele governo, daquela ou desta religião.
Sendo Assim, Cheitanya ajudou as pessoas a recuperarem a
sua
fé, perdida pela opressão, tanto dos próprios
Hindus abastados, como dos muçulmanos que estavam no
poder.
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Sumário
2.
Uma história da reconstrução hindu
Sri Cheitanya não somente era grande
na filosofia e na lógica Vaidika. Ele também era
um homem de tamanho e estatura elevados. Não raro, ele
impunha-se para afastar os outros do caminho dos seus seguidores.
A visão daquele homem resoluto e desafiador fez com que
ganhasse o nome de "mahaprabhu", tal como Ramanuja
havia ganho, por ser grande praticamente em todos os sentidos.
Não raro Cheitanya ia resolver pessoalmente em casos
em que seus correligionários ficassem impedidos de ensinar
e pregar nos moldes das antigas escrituras Hindus. Há
vários fatos que provam que Mahaprabhu costumava enfrentar
os oponentes, também, no embate físico. Isso pode
parecer um pouco exagerado, pensando-se e considerando-se que
a filosofia do Vedanta parte do pressuposto filosófico
do Ahimsa, o que, para os olhos dos ocidentais, parece ser uma
filosofia de apatia e pacacidade. No entanto, como bem frisou
Mahatma-gandhi, o Ahimsa é uma filosofia que é
mais dura e forte do que a lei talionar. Ser adepto do Ahimsa
é poder dizer não às leis injustas, que
privilegiam um pequeno grupo ou apenas a um grupo. Cheitanya
não admitia ninguém se interpolando na livre manifestação
da sua fé. Ele herdou isso da linhagem de Sankara, e
ele agia de um modo muito peculiar, e as pessoas seguiam-no
muito entusiasticamente. Isso provocava grande medo nos governantes;
ele usava a "desobediência civil" ou Ahimsa
como um método contra os "estrangeiros". Como
hoje, naquela época, cada povoado praticava a sua fé,
porém, desde que atendesse aos mandos do Kashi, o governador
muçulmano. Isso queria dizer que todos poderiam realizar
os rituais e métodos da sua fé, desde que se pagasse
os impostos que eram exigidos (de forma arbitrária).
Bastava algum muçulmano, ainda que fosse um só
morador de uma aldeia, reclamar dos cânticos devocionais
protaginizados por Nimai, e ou seus seguidores, para que fossem
obrigados a entregar as Mrigangas (tambores), e ser obrigados
a parar como "programa" de cantos e oferendas. A "liberdade"
era ampla, desde que satisfizesse aos muçulmanos.
De
fato, "A encarnação do Senhor Cheitanya
aconteceu no século XVI, numa época quando os
Muçulmamos tinham começado a governar na Índia.
Babar, o Badshah de Kabul, tinha vindo governar Delhi. Ele tinha
pego o estado de Punjab dos Rajputs, e o tinha agora sob o seu
controle. No sul da Índia, também, o reino de
Vijayanagara fora desintegrado em pequenas regiões, e
aos pucos caiu sob o controle dos Muçulmanos. Nesta época,
os Muçulamanos e Hindus entraram em guerra uns com os
outros. Não apenas na vida política, mas na vida
social também, os Hindus e Muçulmanos conflitavam.
qualquer um que aceitasse alguma coisa de um Muçulmano,
sofria um ostracismo por parte dos Hindus" (cf. Swamigal).
Além do mais, devido ao tratamento de menosprezo que
se costumava dar as pessoas de classes mais pobres ou consideradas
inferiores, muitos Hindus se converteram ao Islamismo naquela
ocasião. Swamigal diz que "Na Bengala (região
de Orissa), o Islamismo, na época de Cheitanya, era a
religião dominante, e largamente praticada. Na vida diária,
as pessoas que realizavam Yaga/Yajñas, tinham diminuido
consideravelmente". Não é de se estranhar,
também, que uma parte da vida de Cheitanya tenha algo
de folclórico da influência da religião
de Maomé. De modo semelhante, alguns contam que Sacy
devi deu à luz Cheitanya procurando uma árvore
Neem (cinamomo brasileiro), conforme fez Maria na tamareira
- a mãe de Isa Al Massiah, conhecido como Jesus Cristo,
conforme o relato da Surata 19.3.23 do Alcorão.
Este
quadro de domínio opressivo e oportunista da religião
islâmica, por sobre os Hindus, montou todo um outro quadro
de perda de identidade, e que aos poucos foi sendo reconstruído.
Cheitanya aparece neste cadinho efervescente da cultura, e o
seu método simples de cantar os nomes de Hari, Rama e
Krishna, fez com que aos poucos as pessoas retornassem para
sua cultura religiosa Hindu de origem. De fato, muitos que antes
estavam de algum modo servindo a algum muçulmano rico,
ou mesmo a religião islãmica, juntaram-se a ele,
provocando a ira dos governantes.
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