6.
Conclusão
Há grande distância entre o dualismo ingênuo,
nascido da influencia cristã, do monismo puro ou
Kevala Advaita, filosofia original dos Vedas. Entendemos
que a teoria criacionista da alma nasceu da necessidade
de os sacerdotes cristãos primitivos explicarem a
diversidade de seres vivos, principalmente seres humanos,
bem como a razão da finitude. Aos poucos, a teoria
criacionista ganhou adeptos e refutadores. Confusos pelo
fato de existir uma evolução objetiva –
material e fenomênica –, e desconhecerem uma
subjetiva – do Atma em relação a sua
condição de pureza ou Brahman, os adeptos
do Dvaita fizeram uma doutrina tentando acomodar suas ansiedades
da realização de uma vida sem sofrimentos
(livre do Dhukha-traya), numa filosofia escatológica.
Isso é uma semelhança inequívoca com
a idéia do paraíso judaico-cristão,
que, por sua vez, tem suas origens na religião do
povo egípcio. Basta ver os preparativos deixados
nas tumbas e pirâmides, onde todo um aparato para
um “vida futura”, acompanham a múmia
de um faraó ou grande homem. Esta idéia escatológica
ganha grande impulso a partir das respostas dadas aos que
não tinham a lei do Karma como referência,
refutando-a diante de uma apocatástase, ou liberação
de todos os pecadores no final dos tempos.
A
filosofia védica defende a não-criação
da alma, pois considera o fato de a alma ser eterna e sempre
existente, e este conceito aparece em livros mais populares
como o Bhagavad-gita, no capítulo 2, por exemplo,
onde lemos:
“Em qualquer tempo, nunca se nasce ou se morre; mesmo
vindo-a-ser, nunca se deixa de existir, e mesmo não-nascido,
continua a ser. O Ser ou Atman, é o eterno ancestral,
não nascido, sempre existente, e que nunca morre,
mesmo quando o corpo é morto. 2.20 Conhecendo-se
que o Ser ou Purusha é indestrutível, e que
é não-nascido, eterno e imutável, ó
Partha, como podereás causar ferimentos ou matar
alguém? 2.21 o Ser ou Alma nunca pode ser conrtado
em pedaço, por qualquer instrumento, nem tampoco
queimado pelo fogo, umedecido pela água ou seco pelo
vento. 2.23 Este ser ou Alma é inquebrantável,
e impossível de queimar; é insolúvel
e não pode secar, e, com certeza, está penetrado
em todos, sendo eterno e imutável, sendo sempre o
mesmo. 2,24 Está dito (ns Escrituras), que este ser
é invisível, inconcebível; portanto,
conhecendo bem, isso (de morte do corpo), não deve
ser lamentado; 2.25. Imanifesto é o Ser ou Atma no
começo, e no meio, ó Bharata; é manifesto
e de novo imanifesto, enquanto o corpo é destruído.
2.28. Alguns vêem o Ser como uma maravilha, e outros
assim tratam de explicá-lO. Outros ouviram que o
Ser é muito maravilhoso; e há outros que,
tendo escutado sobre Ele, nunca entendem tal coisa. 2.29.
O encarnado é eterno, não pode ser morto.
Isto, ó descendente de Bharata, é igual com
todas as entidades vivas. Portanto, tu não deves
nunca te lamentar. 2.30.
A
natureza eterna e indestrutível da alma, bem como
o fato de ser incriada, está amplamente descrita
nos textos védicos Vaidika-dharma. Esta visão
incriacionista é o tópico fundamental do Kevala-Advaita,
ou monismo puro.
Hari
Om Tat Sat
Segue | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 |
::
Tópicos Relacionados ::