3.
Explicações dos Puranas
Nas obras comentadas dos sábios, portanto do Smriti
com os Puranas, encontramos várias colocações
sobre a alma. Os conceitos que estão nos Puranas
são advindos dos Upanishads, um conjunto de textos
de elevada filosofia, onde são mencionados os
aspectos do Jiva e do Paramatma.
No
Vishnu Purana, como no seu derivado, Bhagavata-Purana,
o Senhor Krishna dirige-se a Uddhava falando da inutilidade
ou futilidade das luxúrias celestes e mundanas. Ele
faz comparações dizendo que “Este
corpo humano é como uma árvore, na qual dois
pássaros – Jivatma e Paramatma (a alma individual
e a alma Suprema) – se abrigam. Dois frutos, felicidade
e sofrimento, aparecem nela. Jivatma, a alma individual,
como destes frutos, enquanto o Paramatma, a alma Suprema,
fica como um espectador indiferente”. Ainda que
esta explicação nos pareça dualista,
ela é profundamente monista, porque caso considerássemos
o fato da diferença do Jiva e do Paramatma em termos
de unidade, então teríamos que definir um
corpo humano com duas almas, e não uma. Mas esta
citação fala da qualidade de “maya”
enquanto a alma está corporificada, que se enreda
nos pares de opostos do mundo material. Para esclarecer
isso, o Senhor Krishna diz, “Há três
tipos de Jiva: Baddha (atada), Bhakta (devoto), e Mukta
(liberado). Baddha Jivas ou almas aprisionadas ou atadas,
são aquelas que cedem aos prazeres sensuais, e que
não gostam da companhia dos piedosos. Mukta Jivas
ou almas liberadas, são aqueles que estão
livres dos apegos e amarras materiais. Os Bhaktas Jjivas
ou devotos, são aqueles que estão meditando
em Mim, e que dedicam tudo aos Meus pés, tendo amor
por Minhas virtudes. Meus devotos são afáveis,
livres de falhas, tolerantes, possuem sentimento de fraternidade
por todos, e controlam seus desejos”.
O sentimento de amor pelo Supremo é, de fato, o que
pode liberar uma alma condicionada no mundo material, porque
é aproximar-se da sua própria natureza divina
e eterna.
No
Siva Purana, Suta Deva diz que, pelo fato
da existência de oito tipo de cativeiros neste mundo
material, a alma é, também, conhecida como
Jiva. Isso porque, a palavra sânscrita “jiva”
tem uma relação com “jihva’, que
quer dizer “língua”, o órgão
do sentido que desfruta os sabores. Suta, continua: “Os
oito cativeiros são: a natureza, a inteligência
qualitativa, o ego e o Panchatanmatras, isso é, a
audição, o tato, a visão, a gustação
e o olfato”. Os órgãos dos sentidos
são responsáveis pelos sentidos correspondentes,
e o Jiva, alma condicionada, deixa-se levar por eles, mesmo
sendo Maya, como se fossem verdade absoluta.
Segue o Siva Purana, dizendo: “Cada alma está
aprisionada naqueles oito aspectos da natureza material.
As ações realizadas como resultado daqueles
cativeiros são chamadas de Karma”. De
fato, segundo a filosofia do Sanatana Dharma, as almas tomam
um nascimento num ciclo que está aprisionado nos
efeitos de seus Karmas. Para alguém liberar-se deste
Karma resultado das ações deverá saber
controlar os oito Chakras sutis. O Siva Purana refere-se
aos oito Chakras como “... nada mais do que oito
formas da natureza material”. O Senhor Supremo,
Siva, está além do alcance deste oito Chakras,
mas tendo pleno controle deles. Afirma o Purana, que uma
pessoa pode alcançar a liberação dos
cativeiros do mundo apenas por intermédio da adoração
do Sivalinga, uma vez que o Linga é tanto uma forma
grosseira como sutil. Há, também, cinco tipo
de Lingas na Terra, a saber: Swayambhu Linga, Bindu Linga,
Pratisthit Linga, Char Linga, e Guru Linga. Então,
uma pessoa que possui desejos prazeres mundanos deverá
adorar o Linga na forma de grosseira do Sivalinga, e aqueles
que desejam alcançar a liberação do
mundo material deverão adorar a forma sutil do Sivalinga.
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