OS
SÍMBOLOS SAGRADOS DA ÍNDIA
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
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2005

A
vaca, uma verdadeira usina; é vista como uma segunda
mãe pelos Hindus. Não raro, ela é recebida
como um "convidado especial".
Sumário
1.
BHUMI – a segunda mãe
2.
A incorporação de novos símbolos no
sacrário simbólico do Hinduísmo
3. Dharmachakra, as oito regras do viver
4. O Jainismo, a incorporação
do swástika, da meia-lua, e os três pontos
5. Sikhismo e o Ek Onkar – Deus é
uno
6. ISLAMISMO – a lua crescente é
uma promessa de devoção para Allah
7. Judaísmo - “menorah”
– a criação do mundo
8. Cristianismo – crucifixo, o sacrifício
de Jesus Cristo
9. Zoroastrismo - o fogo sagrado da pureza
e da eternidade
10. Um único Deus, com múltiplas
formas e manifestações
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1.
BHUMI – a segunda mãe
No
Hinduísmo, o planeta Terra é representado
por um animal, e este é a vaca. Não há
símbolo mais intrigante para os olhos dos ocidentais
do que o da vaca. Ao contrário do que muitos pensam,
a vaca não é adorada como Deus, mas é
considerada uma segunda mãe, porque depois da nossa
mãe de leite é ela que nos sustenta, sem nada
reclamar, fornecendo leite, manteiga, iogurte, ghi, bem
como o esterco para aquecer as casas, cozinhar os alimentos,
fabricar incenso, e adubar a terra. Na tradição
da cosmologia védica, é Bhumi, a Terra na
forma de uma vaca, que sofrendo diante da destruição
do mundo pela maldade dos demônios, quem se aproxima
do Senhor Vishnu e pede a Ele para enviar um emissário
Seu, conhecido como avatara, para acabar com a destruição
demoníaca do mundo. Por isso, e outros pontos muito
importantes da cultura indiana, há uma grande preocupação
com a ecologia e a manutenção dos animais
como parte da harmonia do mundo. A matança, de qualquer
ser vivo, é visto como uma destruição
na ordem da criação.
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2.
A incorporação de novos símbolos no
sacrário simbólico do Hinduísmo
O
povo indiano é constituído de pessoas de todas
as fés. Cidades horizontais mostram templos, mosteiros,
mesquitas, igrejas e gurudwaras (Ashramas de gurus). A roda
do tempo representa a teria que o tempo é uma força
onisciente na vida material.
A Índia possui um povo muito hospitaleiro, e sua
diversidade cultural e religiosa, centrada nos Vedas, e
no espírito universal da unidade de Deus, se abre
com muita facilidade para novas religiões, e, não
raro, missigenando-se com símbolos, cânticos
e procedimentos rituais, sem perder a identidade e a originalidade
do sacrário tradicional.
Durante muitos séculos os Hindus foram massacrados
por culturas exógenas, forçados a adotarem
uma religião de costumes diferentes dos seus, e quando
o fizeram, algumas coisas não foram demovidas da
sua posição. O sacrifício da vaca,
por exemplo, é um ponto irremovível do originário
sagrado; sendo ela considerada uma segunda mãe, os
indianos a vêem com respeito e admiração.
Muitos símbolos, rituais e processos de puja, de
adoração à deidade, de religiões
e setas, algumas até sectárias, passaram a
fazer do dia a dia dos indianos. Vejamos alguns destes símbolos
e sua relação com o aspecto religioso.
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3.
Dharmachakra, as oito regras do viver
Os
oito raios da roda simbolizam o caminho para auto-realização,
e é simbolizado pela composição do
Dharmachakra. No centro, está uma grande quantidade
de ignorância e maldade. Os oito raios conduzem para
um outro lugar onde é mostrado o caminho para tratar
com a roda da vida.
O Dharmachakra, ou a roda da lei é
um dos mais importantes símbolos do Budismo. O Dharma
(reto agir), de acordo com a visão de Buddha, é
a lei pela qual todos os seres são favorecidos quando
um grande número de pessoas pratica seus preceitos
com fé. A roda simboliza o bom e nobre comportamento
em cada pessoa. Num sentido amplo, ela é a roda da
eternidade e da realidade cósmica, a qual suporta
todas as mudanças. Na visão Vaishnava (seguidores
de Vishu), a roda, além de referenciar ao infindável
ciclo de nascimentos e morte da alma não liberada,
simboliza a sudarshana, uma arma que Vishnu traz em uma
das Suas mãos, e que destrói os demônios
e restabelece a paz.
Para os budistas, a roda com oito raios simboliza o caminho
da salvação, os quais Buddha ensinou. O eixo
simboliza as três causas de sofrimento: má
vontade, ignorância e luxúria. As oito virtudes
representadas pelos raios da roda são: reta visão
da vida, reta resolução para fazer o bem;
reta palavra; reta conduta; reto agir na profissão;
reto empenho em alcançar os objetivos; reta observação
e consciência e reta concentração.
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4.
O Jainismo, a incorporação do swástika,
da meia-lua, e os três pontos
Os
Jainistas crêem no Ahimsa, ou não-violência,
como o primeiro axioma da vida. Ser não violento
é não causar sofrimento para qualquer criatura.
É necessário ter uma atitude de abhava, ou
viver pensando que todas as criaturas precisam umas das
outras.
As metas dos Jainistas são:
conhecimento, retidão, caráter, e salvação.
Os jainistas seguem o caminho dos ensinamentos dos seus
24 Tirthankaras, e consideram o chakra e o swástika
como sagrados. Estes símbolos são usados com
freqüência nos rituais de adoração.
Na ocasião do 2.500o do desaparecimento de Mahavira,
o fundador do Jainismo, mais um símbolo foi incorporado
nos rituais de adoração. Este símbolo
compreende uma meia lua, três pontos, o swástica
e uma palma da mão com a figura de um chakra dentro.
O chakra, ou a roda do dharma, no Jainismo, possui 24 raios,
cada um representando uma virtude específica, sendo
que o ahimsa (não violência), é o mais
proeminente. O três pontos simbolizam o conhecimento,
dharma e caráter (gyan, darshan e charitra). A meia-lua
é siddhashila, ou qualidade sagrada, o perfeito estado,
e o ponto interno é Siddha Bhagawan, ou Deus.O completo
significado deste símbolo é que todas as pessoas
podem encontrar bem-aventurança através do
caminho do dharma, do reto agir.
Ahimsa paramo dharma: “a não-violência
é a maior das justiças”, faz parte do
ideal sagrado dos Jainistas, e foi fonte de inspiração
para grandes homens, como o Mahatma Ghandi.
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5.
Sikhismo e o Ek Onkar – Deus é uno
Uma
reprodução do símbolo do Ek Onkar,
os ensinamentos do Sikhismo seguem a divindade que é
única e todo poderoso. O símbolo é
semelhante ao do oˆ, o som cósmico que significa
divindade.
O
Sikhs utilizam o símbolo do EK ONKAR como significado
de que Deus é uno, e Ele é satisfeito pela
devoção e pela observação
do Dharma. Os princípios da religião dos
Sikhs estão contidos no Grande Sahib o qual é
comparado aos ensinamentos dos Gurus Sikhs. Este livro
é, em si mesmo, um objeto de adoração.
O Sikhismo, uma da mais recentes religiões do mundo,
foi fundada pelo Guru Nanak, no tempo de uma comunal e
nacional desarmonia.
Duas espadas, uma adaga e um escudo, dispostos num desenho
específico, também é representativo
para o Sikhismo. Este símbolo é favorável
para o espírito marcial da religião. Ele
mostra que a pessoa que segue a sua fé está
preparada para lutar pela sua crença e na rendição
de sua vida na defesa de sua fé.
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6.
ISLAMISMO – a lua crescente é uma promessa
de devoção para Allah
A lua crescente e a estrela juntas
já era um símbolo de adoração
em Bizâncio. Com a conquista destas terras pelos Turcos,
ele tornou-se uma representação para a cultura
Islâmica. Freqüentemente retratada nas mesquitas
e dargas, ele é usado em bandeiras nacionais em muitos
países Islâmicos.
O
Islã é, categoricamente, contra o uso de qualquer
símbolo para adoração ou veneração.
De qualquer modo, com a passagem do tempo, com a inabilidade
do homem comum entender a sua elevada metafísica,
algumas figuras foram se tornando sagradas no Islamismo.
A caligrafia do Corão é em si mesma freqüentemente
utilizada como evocação devocional. A pintura
da pedra de Kaba, em Meca, é outro símbolo
sagrado. A lua crescente, com uma estrela, é um símbolo
popular usado por sobre as mesquitas. Mas nenhum destes
símbolos é utilizado o honrado em qualquer
cerimônia associada no Islamismo. Este símbolo
da Lua crescente com uma estrela, juntas, esteve originalmente
associado com a adoração da Lua em Bizâncio.
Quando os Turcos Otomanos conquistaram aquele império,
eles usaram este símbolo como sinal de vitória.
Mais tarde, ele tornou-se um símbolo da cultura Islâmica,
aparecendo em bandeiras dos estados Islâmicos. A Lua,
pacífica e fresca, é a representação
da direção e consolo dada pelo Islamismo para
os seus seguidores, com a promessa de devoção
dirigida a Allah, o todo poderoso.
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7.
Judaísmo - “menorah” – a criação
do mundo
Cada uma das velas do Menorah
sustenta um dia da criação, com o sétimo
dia sendo destinado ao descanso.
O
Menorah, o candelabro de sete pontas é o símbolo
mais comum no Judaísmo. Ele representa a criação
do mundo por Deus em seis dias, com o sétimo dia
chamado de Sabbath, destinado para o descanso. Incrementado
no moderno Judaísmo, o Magen David, ou a estrela
de seis pontas de David, representa as 12 tribos de Israel
(seis pontas e seis entradas), e tornou-se um símbolo
popular que aparece na bandeira nacional de Israel. Além
disso, as casas dos Judeus não são consideradas
completas se não tiverem por detrás da porta
o Shema Israel ou o Mezzuah. Ele simboliza os mandamentos
dados diretamente para Moisés. Feito de prata ou
madeira, ele confirma que Deus é único.
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8.
Cristianismo – crucifixo, o sacrifício de Jesus
Cristo
O simples crucifixo transcende
o sofrimento para criar o símbolo de amor supremo
O
crucifixo é o mais antigo símbolo para os
Cristãos. Ele é usado por todas as seitas
cristão ao redor do mundo. A crucificação
de Jesus Cristo, e o sacrifício da Sua vida para
a humanidade, podem ser reconhecidos com um perfeito símbolo
do Seu amor. Cada igreja utiliza um crucifixo com um designer
particular – algumas vezes pesadamente ornamentada
e outras de forma grave e simples – mas sempre significa
impressionante amor.
O conceito de crucificação algumas vezes causa
perplexidade na era moderna. Foram os Romanos, de quem o
império incluída a Palestina durante os anos
da vida de Cristo, que adotavam o bárbaro costume
de crucificar com o significado de punição
capital. Desta forma, Jesus foi conduzido pela via elevada
e em locais públicos, sendo o último símbolo
da degradação humana e da dor.
De acordo com a história bíblica, Jesus foi
crucificado na companhia de dois ladrões. Esta é
uma espantosa verdade que simboliza a humilhação
do corpo e do espírito humanos, tendo tornando-se
um símbolo de amor e dignidade, ficando expresso
no seu último discurso: “Pai, perdoai-os, porque
eles não sabem o que fazem”.
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9.
Zoroastrismo - o fogo sagrado da pureza e da eternidade
De modo similar aos Hindus,
os Parsis reverenciam o fogo como o mais sagrado dos elementos.
Ele destrói toda a impureza. Tudo que o toca de torna
puro.
O
sagrado caldeirão de fogo é o símbolo
mais popular do Zoroastrismo. Os Parsis, de quem a religião
data entre os anos 1300 e 660 d.n.e, vieram a Índia
vindos da Pérsia, séculos atrás, carregando
com eles o fogo sagrado. Este fogo, chamado de Arar Behram,
queima em todo o templo e jamais se extingue. Este fogo
é tratado com a dignidade de um rei, tendo uma coroa
pendurada por sobre ele. Nos rituais, os Parsis, aplicam
as cinzas deste fogo nas suas testas. O fogo representa
Deus. A oferta de sândalo feita para ele é
considerada sagrada.
Ahura Mazda, quem revelou os ensinamentos desta religião
para Zarathustra, é descrito como um homem com um
boné, barba, e assas. Este símbolo é
freqüentemente utilizado para denotar a religião
Zoroastra.
Estes símbolos, criados pelos Zoroastristas na Pérsia,
datam de 3.000 anos atrás, sobrevivendo nos dias
de hoje nos Parsis, um número significante de pessoas
que vivem na Índia. Os símbolos fazem lembrar
os ensinamentos morais de Zarathustra, o profeta fundador
da religião. A filosofia desta religião ocupa-se
com a inexorável guerra entre o bem e o mal, e ela
é resumida nos Gathas, ou hinos escritos na linguagem
Avesta, a qual está ligada ao sânscrito.
Os símbolos originaram-se nos tempo em que o Zoroastrismo
era a religião do império Pérsia, tendo
na sua fé as suas grandes regras. Contudo, na ocasião
da invasão dos Islâmicos, os Zoroastristas
foram expulsos de suas terras, eles trouxeram com eles o
seu fogo sagrado, seus textos religiosos e estes símbolos
para a Índia, local onde eles fizeram seu lar, desde
então.
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10. Um único
Deus, com múltiplas formas e manifestações
O
Hinduísmo define muito bem as múltiplas formas
e manifestações de Deus. Chamados de Lilas,
diversões, histórias ou passatempos de Deus,
é extraordinário o conteúdo pictórico
e teológico das várias religiões. Quando,
no princípio, os pesquisadores ocidentais, principalmente
influenciados pelo cristianismo não ecumênico,
viram a imensa variedade de representações
dos deuses do Panteão Hindu, julgaram que se tratava
de uma religião de politeístas, que adoravam
a múltiplos deuses, sendo, não raro, comparados
aos primitivos povos que supostamente viviam em cavernas.
Contudo, um acurado exame da vasta bibliografia, iconografia
e a aproximação com a filosofia e metafísica
do Hinduísmo mostraram uma outra face que estava
oculta pela ignorância dos ocidentais. Hoje percebemos
que em todas as religiões da Índia o que prepondera
é um único Deus, com suas múltiplas
manifestações, formas, cores e perfumes. É
por isso que os indianos são muito receptivos para
novas idéias religiosas, desde que não se
desrespeite o sagrado princípio de não matar
a vaca e que não se lhes profane seus templos com
coisas consideradas pecaminosas; assim como o Santíssimo,
é considerado consubstanciado na hóstia da
Igreja Católica, para os Hindus a prashada, a sala
do templo, as deidades e Seus apetrechos, além dos
livros, comentários e escrituras dos seus gurus e
mestres, são considerados a manifestação
de Deus vivo personificado, que vive harmoniosamente com
os homens.
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