OS
SÍMBOLOS SAGRADOS DA ÍNDIA
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
©
Direitos Autorais reservados
Av. Cel. Lucas de Oliveira, 2884
90460-000 - Porto Alegre, RS - Brasil
2005
Sumário
1. Purna Kumbha - vivendo uma vida
plena
2. Coco, o fruto do resplendor
3. Serpentes, representam a energia
4. Lótus, a beatitude final
1.
PURNA KUMBH : vivendo uma vida plena
“O
pote cheio, decorado com folhas de manga, e com um coco,
aparece em todos os rituais e cultos. Ele é uma prece
para a imortalidade bem como para uma melhor e plena vida,
como uma experiência completa”.
Por
toda a história, apaixonadamente, o homem direcionou-se
para conquistar a morte e para diminuir a degeneração
certa da sua força e poder. De modo similar à
mitologia de muitos outros países, a antiga literatura
da Índia também contém mitos sobre
sábios e homens sensatos que dedicaram anos em árdua
penitência e meditação solitária
ao mestre dos segredos da imortalidade. Muitas ervas do
Himalaia são ditas possuidoras de qualidades mágicas
que revivam uma pessoa morta. Épicos como o Ramayana
ou o Mahabharata, contém histórias sobre o
uso do Sanjivani, a erva da grande revitalização
das qualidades da vida.
Enquanto a imortalidade física e a eterna juventude
ficam apenas no sonho mítico, os pensadores indianos
contemplam um grande ideal sobre a vida e como realizar
uma experiência completa. Eles procuram, através
do conhecimento, experiência e concentração
toda a energia mental e espiritual, acrescentar uma certa
riqueza para a vida, uma totalidade da qual guiará
os seres humanos próximos ao sonho da imortalidade.
Este conceito de plenitude, de total auto-contentamento,
é simbolizado no pensamento indiano e pela arte,
através da figura gráfica do Purna Kumbh ou
o pote cheio.
De acordo com a mitologia, os semideuses, esperando encontrar
o néctar da vida eterna, bateram o oceano cósmico
e receberam de suas nascentes ondas de kumbh ou o pote de
néctar da imortalidade. O pote encerra dentro da
sua forma arredondada a plenitude e a riqueza da vida. Uma
amarga guerra entre os semideuses e os demônios seguiu-se
para manter o seu poder, mas ninguém pode ganhar
o néctar completamente.
O pote, de algum modo, tornou-se um símbolo, e mesmo
hoje é usado nos rituais religiosos representando
a imortalidade, Quando entram numa nova casa, a família
indiana, cerimonialmente, carrega o kumbh decorado com folhas
de manga e um coco. Na cerimônia do casamento e da
morte, o pote pleno é característica constante
como uma lembrança do desejo humano para alcançar
a completude da vida. Um pote cheio de água do sagrado
rio Ganga (Ganges) é muitas vezes adorado nas casas
e nos santuários. De igual modo, um pode de água
é associado com fluidez e concessão de energia
vital. Freqüentemente o pote é decorado com
uma swástika, o símbolo da energia solar.
Muito naturalmente, o kumbh tornou-se o tema de um magnífico
festival (Kumbhamela) presidido na Índia ao redor
da época do trânsito de Júpiter em Aquário,
que ocorre a cada 12 anos. Milhões de entusiásticos
banhistas reúnem-se em Hardwar e Allahaba, próximos
ao sagrado Ganga e em Nasik e Ujjain, as margens do Godavari
e do Kshipra, para seus rituais de banho, tornado este festival
uma grande assembléia de banhistas rituais do mundo.
Topo
| Sumário
2.
COCO: fruto do resplendor
“O
coco cresce em abundância ao longo da costa da Índia.
A sua utilização em rituais e sacramentos
é comum a todas as regiões. Um coco é
dado a uma pessoa para honrá-la, ou para transportar
boa vontade e bênçãos. À parte
de conceder um deleitável sabor para muitos pratos
indianos, o coco é onipresente como um fruto do resplendor”.
Um
símbolo de igual importância ao Kumbh, da plenitude
da vida humana é o coco. De fato, a Índia
peninsular é o local onde os coqueiros são
abundantes ao longo da costa; esta árvore é
chamada de Kalpavriksha (árvore da cabeça),
ou a árvore mítica, a qual concede qualquer
desejo feito.
O coqueiro oferece em si mesmo inumeráveis usos utilitários
e de decoração. As suas largas folhas são
tecidas juntas e utilizadas para cobrir as choças
do vilarejo; a casca do coco é utilizada como combustível
e sua cortiça é utilizada para fazer cordas
e esteiras. O núcleo do fruto é comestível,
assim como sua água é refrescante, saciando
a sede e não é contaminado. O óleo
de coco, derivado de suas palmas, é tradicionalmente
utilizado para cozinhar bem como para untar o corpo.
O coco é presença intensiva nos casamentos,
nascimentos e nos rituais fúnebres, bem como na inauguração
de casas e prédios. Ele é freqüentemente
utilizado em combinação com o pote de kumbh,
com as folhas de manga, e de novo faz lembrar-nos da necessidade
de tornar a vida humana uma rica experiência.
Na tradição dos lares indianos, nenhum presente
é completo a menos que seja acompanhado de um coco.
Um professor é honrado com um presente de uma manta
e shrifial, o fruto do resplendor, como é chamado
o coco. Uma mulher grávida dá um coco como
um presente auspicioso. Na ausência de ídolos
quando se administra vários pujas (oferendas) e sacramentos,
freqüentemente se usa os cocos em vez dos semideuses
e semideuses como seus representantes, do panteão
Hindu. O coco é, então, imerso no mar ou em
água corrente.
Topo
| Sumário
3.
Serpentes, representam a energia
“As serpentes são
favorecidas com distintas personalidades na mitologia Hindu.
Elas guardam a Terra e seus tesouros secretos. Elas possuem
o seu mundo particular, Nagaloka, o qual possui palácios
de jóias e florestas mágicas. Os Nagas são
um povo muito poderoso na Índia épica e mitológica.
As serpentes são adoradas como concessão de
uma boa prole e prosperidade material”.
A
adoração à serpente é um dos
mais antigos cultos da civilização humana
e prevalece na Síria, Egito, Grécia, Itália,
México, e ainda é encontrada em muitos países
da África e da Ásia. Na sabedoria mitológica
destes países, às serpentes é creditado
poder mágico por sobre gemas e tesouros. Elas são
repositórias de sabedoria e também de controle
da fertilidade humana.
Os Sumérios, Egípcios e Gregos, selaram o
testemunho das serpentes como símbolos de cura. Em
todas estas culturas as serpentes são cidadãos
do mundo subterrâneo onde, gemas e jóias de
inigualável brilho e beleza, se diz que estão
armazenadas. No artista indiano, e no patrimônio cultural,
a serpente simboliza a saúde e o poder subterrâneo
dos tesouros; quando possui certa conotação
sexual, e é adorada como deidade a qual concede boa
prole aos seres humanos. Na mitologia Hindu, também,
Ananta ou Sesha, o rei das serpentes, descansa no Oceano
cósmico, onde é a morada de meditação
do Senhor Vishnu, Deus que mantém e nutre todos os
Universos.
Cada semideus do panteão Hindu está ligado
com mitos de serpentes. Krishna, a mais popular encarnação
de Vishnu, mostra-Se como o conquistador de Kaliya, o rei
serpente no rio Yauna. No caso de Shiva, o asceta semideus
da transformação, e da dança da destruição,
a serpente enrosca-se no seu cabelo e ao redor do seu pescoço.
Milhares de esculturas e pinturas mostram Shiva sendo enrolado
por cinco serpentes ao redor do seu corpo. Antigos monumentos
Jainistas e Budistas também descrevem cultos de adoração
à serpente.
O
mais imaginativo simbolismo da serpente enroscada, de qualquer
forma, é encontrado na arte dos tempos antigos, onde
a serpente enrolada representa a Kundalini, como uma energia
adormecida em todos os seres humanos. As serpentes são
conhecidas na mitologia como guardiãs ou Digpalas,
de várias direções. São elas:
Ananta, para o Este; Abhoga, para o sudoeste; Padmaka ou
Padmanabha, para o Sul; Shankhapala para o sudoeste; Kulika
para o noroeste; Va™ki para o Norte e Mahapadma
para o noroeste.
Topo
| Sumário
4.
LÓTUS, a beatitude final
“O
Lótus é empregado universalmente em muitas
religiões da Índia por causa do seu símbolo
de paz e de desapego da matéria mundana. Ele representa
a união com a divindade, enquanto fonte inspiradora
de inumeráveis imagens poéticas e desenhos
gráficos no patrimônio artístico indiano”.
Antigos
manuscritos e a iconografia da Índia usam o lótus
intensivamente como um símbolo de muitos princípios
abstratos. Deuses e deusas são constantemente retratados
como estando de pé ou sentados sobre muitos esplendorosos
lótus vermelhos ou brancos e carregando lótus
em suas mãos. As deidades Budistas e Jainistas também
são pintadas repousando sentadas com flores e lótus
em suas mãos. Em todo o oriente religiosos, o lótus
é um símbolo de beatitude, graça, paz
divina e total desapego das qualidades mundanas como desapego,
ira, paixão luxuriosa, inveja e egoísmo.
O lótus, na sua verdadeira natureza, cresce em locais,
tipo banhados, cobertos por musgo, ou ervas daninhas e sujeira.
De fato, ele apenas pode ser visto florescendo na sujeira
e na lama. Mesmo assim, sua beleza é incomparável.
O lótus, desta forma, vive num local banhado, coberto
de musgo, mas, na realidade, não pertence a ele.
Ele é desapegado pro si mesmo, completo em si mesmo,
puro e lindo.
As múltiplas pétalas do mítico lótus
também simbolizam as camadas da personalidade humana.
Na medida em que eles se abrem, simbolizam o gradual alcance
e aproximação da auto-realização.O
cerne do lótus, então, aparece para realizar
a liberação do cativeiro terrestre e liberar
para ávida eterna. Ele é a flor nacional da
Índia e um símbolo único indiano.
Na literatura da Índia, há uma enorme
variedade de nomes para o lótus. Por causa do seu
nome ser Padma, Lakshmi é chamada Padma ou Padmaja,
significando “nascida de um lótus”. Por
causa de ele ser chamado Kamal, Vishnu é chamado
Kamalayan, ou “que tem olhos de lótus”.
A imagem de um lótus e uma abelha é constantemente
repetida na literatura devocional, retratando Deus, e a
perfeita fragrância formada pela flor com o amor devocional
a abelha ao seu redor.
O lótus é encontrado em muitas cores e aspectos
– aqueles que florescem durante o dia são chamados
de Nalin, Aravind ou Utpala. Os que florescem durante a
noite são conhecidos como Kumuda. Os muitos nomes
do lótus também são usados para descrever
os aspectos da divindade e a misericórdia de Deus.
Topo
| Sumário
Anterior | Próxima