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SRIMAD BHAGAVAD-GITA
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI

Introdução | Histórico do Épico | Quem é Krishna? | Resumo do Gita | Resumo da Lâminas | Gita Jayanti | Glossário | Gita Mahatmya | Verso da Semana
RESUMO DOS CANTOS
Canto 1 | Canto 2 | Canto 3 | Canto 4 | Canto 5 | Canto 6 | Canto 7 | Canto 8 | Canto 9 | Canto 10 | Canto 11 | Canto 12 | Canto 13 | Canto 14 | Canto 15 | Canto 16 | Canto 17 | Canto 18
VERSOS COMPLETOS
1.Arjuna-Vishada-Yoga | 2.Sankhya-yogah | 3.Karma Yoga |4.Jñana-Karma-Sannyasa-ogah |5.Sannyasa-Yogah | 6.Atma-Samyama-Yogah | 7.Jñana-Vijñana-Yogah | 8.Akshara-Brahma-Yogah |9.Raja-Vidya-Rajaguhya-Yogah | 10.Vibhuti-Yogah | 11.Vishva-Rupa-Darshana-Yogah | 12.Bhakti-Yogah | 13.Krishnakshetra-kshetrajña-vibhaga-yogah | 14.Guna-traya-vibhaga-yogah | 15.Purushottama-Yogah | 16.Daiva-Asuras-Sampadvibhaga-Yogah | 17.Shraddhatraya-Vibhaga-Yogah | 18.Moksha-Sannyasa-Yogah

SRIMAD BHAGAVAD-GITA
Histórico da narrativa épica

SRI SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI

© SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL

GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS, Brasil
1997 - 2007

Sumário
1. O que está se passando? Antecedentes
2. A Curiosa Kunti
3. O surgimento dos Pandavas
4. A proteção de Krishna


3. O surgimento dos PandavasOs Pandavas e  Draupadi
Uma vez estando Pandu, Madri e Kunti, bem afastados de todos na floresta, por motivo da maldição, a casta Kunti, percebendo a aflição de seu esposo, contou-lhe sobre os mantras que Durvasa havia lhe dado. Pandu, então, pediu que Kunti chamasse o Senhor Dharma, o semideus da justiça, para gerar um filho prodigioso, e que pudesse restabelecer a paz, a ordem, e o devido ordenamento, uma vez que Duryodhana, o filho mais velho de Dhritarashtra, já estava a causar sofrimentos em demasia ao mundo. Dharma, em sua biga, ao ouvir o apelo mágico de Kunti, desceu do céu, e, ao meio-dia, deu a Kunti o filho chamado de Yudhishtira. É interessante notar que a raiz sânscrita da palavra “Yud”, dá origem a palavra “Yus”, que quer dizer “justiça”, tendo sido adotada pelos romanos como sinônimo de dever e justiça. Yudhishthira ficou conhecido como Ajata-shatru, ou seja, aquele que não possui inimigos, sendo-lhe alcunhado como “quem conhecerá a verdade”. Tendo incumbido - após a batalha de Kurukshetra - cada um dos seus irmãos, e os que sobreviveram à batalha, de uma função social e cultural diferente. Assim, para Arjuna ficou a função de zelar pelas pessoas idosas; Bhimasena, do departamento de cozinha; Duryodhana, da tesouraria; Sahadeva, da recepção das pessoas e dos estrangeiros (relações públicas); Krishna, de lavar os pés e cuidar dos calçados de todos os convidados que chegassem ao palácio; Draupadi, também conhecida como deusa da fortuna, encarregou-se de coordenar e distribuir alimentos a todos. Karna, encarregava-se de dar caridade; Nakula, ficou responsável pelo departamento de armazenagem dos alimentos, assim por diante. Desta forma, cada um dos que sobreviveram a guerra, e que não foram muitos, ocuparam um função devocional no chamado Varnashrama.

Após o nascimento de Yudhishtira, o rei Pandu pediu a Kunti que chamasse Vayu, o semideus do vento. Em meio a inúmeras fragrâncias, Vayu deu a Kunti o filho Bhima, possuidor de grande força. Por fim, Pandu pediu que Kunti chamasse por Ÿndra, o mais importante dos semideuses, que prontamente atendeu o chamado da rainha e concedeu-lhe um filho, e este recebeu o nome de Arjuna, o que possui braços poderosos, que seria um grande guerreiro. Yudhishtira e Bhima, possuíam a pele clara, mas Arjuna detinha a tez morena. Madri, a outra esposa do rei recluso, aproximando-se de Pandu, perguntou-lhe se poderia conceber-lhe filhos da mesma maneira que Kunti.

Pandu sugeriu que pedisse o mantra a Kunti, o que esta imediatamente concedeu. Madri gerou gêmeos, uma vez que articulou o mantra dos Aswins, semideuses cavaleiros e médicos dos deuses, e, ao mesmo tempo, se-nhores das luzes e das trevas. Estes gêmeos receberam o nome de Nakula e Sahadeva. Estes cinco filhos de Pandu são chamados de Pandavas (articula-se que estes cinco personagens sejam os que deram origem as cinco raças no Planeta). Por outro lado, esquecendo-se da maldição do cervo, certa feita, na Primavera, Pandu seguiu furtivamente Madri, que tinha ido banhar-se, sozinha, do rio. Mesmo diante da negativa da esposa em manter relações, Pandu forçou-a para isso, morrendo imediatamente, dando um grito nos braços de sua amada. Pandu e Madri foram cremados juntos, em conformidade com a tradição, e pelo desejo da esposa. Por sua vez, a rainha Kunti criou os Pandavas, que logo também tiveram seus próprios filhos. Contudo, o reino estava sendo mantido por Duryodhana, filho mais velho do cego rei Dhritarashtra, e, a legitimidade do mesmo, conforme a lei das sucessões hereditárias, teria que ser passada para o filho mais velho de Pandu, Yudhishthira, conforme a tradição monárquica ancestral secular.

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4. A proteção de KrishnaSri Krishna defende Draupadi
Os Pandavas tinham em comum uma mesma esposa, Draupadi, e a tratavam com grande respeito. Por ter perdido todas as posses num jogo de dados, realizado no palácio do rei cego Dhritarashtra, inclusive tendo apostado seus irmãos e a si mesmo, Yudhishthira apostou, por último, a própria esposa. Esta foi, então, levada de rasto até seus novos donos, os Kurus, que queriam tirar-lhe à roupa, mesmo que tinha ela alegado que estava menstruada. Contudo, por mais que tentassem retirar-lhe o sari este nunca terminava, porque o Senhor Supremo, Krishna, de modo transcendental, sempre colocava mais um pedaço em suas vestes. Vendo-se humilhada, levantou a suspeita sobre a legitimidade de tal ação, uma vez que seu esposo tinha, antes, perdido a si mesmo nas apostas, logo, não mais teria legitimidade sobre ela quando fez a aposta derradeira; mas Draupadi não conseguiu convencer aos seus algozes, quando, então, amaldiçoou a todos os Kurus, prevendo a morte de Duryodhana com um golpe na coxa, e de seus irmãos, prometendo lavar seus cabelos no sangue de um deles. Um lúgubre uivo de lobo fez-se ouvir após a maldição levantada por Draupadi, e todos caíram de joelhos, inclusive os Pandavas, porque isto era considerado um sinal de mau agouro. Draupadi fizera isto para livrar a todos os Pandavas da propriedade escrava e da vergonha que estavam sofrendo pela humilhação, sem que nem mesmo restassem-lhes as roupas do corpo.

Saída para o exílio dos PandavasTemendo a realização da maldição, o rei Dhritarashtra concedeu três pedidos para Draupadi, mas esta realizou apenas dois, que de imediato lhe foi concedido; um primeiro, livrando Yudhishthira da escravidão, e, um segundo, pedindo a liberdade de todos os Pandavas, do martírio da vergonha, reservando-se o direito de não realizar um terceiro pedido, mesmo na insistência do rei cego Dhritarashtra, alegando Draupadi que, “por ganância, perde-se o dharma”. Mas Dhritarashtra fez questão de libertá-la, com o intuito de que a profecia não se cumprisse. Libertos, todos se afastaram, porém, ainda disputaram, derradeiramente, se iriam ou não ficar por ali no reino. Numa última jogada de dados, Yudhishthira perdeu mais uma vez para o astuto jogador de dados, representante dos Kurauvas, tendo que ficar degredado, junto com seus irmão e a esposa, morando no frio e seco deserto por 13 anos.

A recuperação da legitimidade do reino só foi possível mediante a imensa batalha entre estas duas correntes familiares; os Pandavas, filhos e descendentes de Pandu, e os seus 7 exércitos, e os Kurus, filhos e descendentes de Dhritarashtra, e seus 11 exércitos, que se enfrentaram na grande batalha no campo dos Kurus (Kurukshetra), até que não sobrassem muitas pessoas. Esta batalha é descrita em pormenores no Mahabharata. Apesar de tudo, os Pandavas foram os vencedores, graças a ajuda poderosa e divina de Krishna, provando que a tirania e ilegitimidade não se mantêm por muito tempo no poder.

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