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SRIMAD
BHAGAVAD-GITA
Histórico
da narrativa épica
SRI SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
© SOCIEDADE
INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS, Brasil
1997 - 2007
Sumário
1.
O que está se passando? Antecedentes
2. A Curiosa Kunti
3. O surgimento dos Pandavas
4. A proteção
de Krishna
3.
O surgimento dos Pandavas
Uma vez estando Pandu, Madri e Kunti, bem afastados de todos
na floresta, por motivo da maldição, a casta Kunti,
percebendo a aflição de seu esposo, contou-lhe
sobre os mantras que Durvasa havia lhe dado. Pandu, então,
pediu que Kunti chamasse o Senhor Dharma, o semideus da justiça,
para gerar um filho prodigioso, e que pudesse restabelecer a
paz, a ordem, e o devido ordenamento, uma vez que Duryodhana,
o filho mais velho de Dhritarashtra, já estava a causar
sofrimentos em demasia ao mundo. Dharma, em sua biga, ao ouvir
o apelo mágico de Kunti, desceu do céu, e, ao
meio-dia, deu a Kunti o filho chamado de Yudhishtira. É
interessante notar que a raiz sânscrita da palavra “Yud”,
dá origem a palavra “Yus”, que quer dizer
“justiça”, tendo sido adotada pelos romanos
como sinônimo de dever e justiça. Yudhishthira
ficou conhecido como Ajata-shatru, ou seja, aquele que não
possui inimigos, sendo-lhe alcunhado como “quem conhecerá
a verdade”. Tendo incumbido - após a batalha de
Kurukshetra - cada um dos seus irmãos, e os que sobreviveram
à batalha, de uma função social e cultural
diferente. Assim, para Arjuna ficou a função de
zelar pelas pessoas idosas; Bhimasena, do departamento de cozinha;
Duryodhana, da tesouraria; Sahadeva, da recepção
das pessoas e dos estrangeiros (relações públicas);
Krishna, de lavar os pés e cuidar dos calçados
de todos os convidados que chegassem ao palácio; Draupadi,
também conhecida como deusa da fortuna, encarregou-se
de coordenar e distribuir alimentos a todos. Karna, encarregava-se
de dar caridade; Nakula, ficou responsável pelo departamento
de armazenagem dos alimentos, assim por diante. Desta forma,
cada um dos que sobreviveram a guerra, e que não foram
muitos, ocuparam um função devocional no chamado
Varnashrama.
Após
o nascimento de Yudhishtira, o rei Pandu pediu a Kunti que chamasse
Vayu, o semideus do vento. Em meio a inúmeras fragrâncias,
Vayu deu a Kunti o filho Bhima, possuidor de grande força.
Por fim, Pandu pediu que Kunti chamasse por Ÿndra, o mais
importante dos semideuses, que prontamente atendeu o chamado
da rainha e concedeu-lhe um filho, e este recebeu o nome de
Arjuna, o que possui braços poderosos, que seria um grande
guerreiro. Yudhishtira e Bhima, possuíam a pele clara,
mas Arjuna detinha a tez morena. Madri, a outra esposa do rei
recluso, aproximando-se de Pandu, perguntou-lhe se poderia conceber-lhe
filhos da mesma maneira que Kunti.
Pandu sugeriu
que pedisse o mantra a Kunti, o que esta imediatamente concedeu.
Madri gerou gêmeos, uma vez que articulou o mantra dos
Aswins, semideuses cavaleiros e médicos dos deuses, e,
ao mesmo tempo, se-nhores das luzes e das trevas. Estes gêmeos
receberam o nome de Nakula e Sahadeva. Estes cinco filhos de
Pandu são chamados de Pandavas (articula-se que estes
cinco personagens sejam os que deram origem as cinco raças
no Planeta). Por outro lado, esquecendo-se da maldição
do cervo, certa feita, na Primavera, Pandu seguiu furtivamente
Madri, que tinha ido banhar-se, sozinha, do rio. Mesmo diante
da negativa da esposa em manter relações, Pandu
forçou-a para isso, morrendo imediatamente, dando um
grito nos braços de sua amada. Pandu e Madri foram cremados
juntos, em conformidade com a tradição, e pelo
desejo da esposa. Por sua vez, a rainha Kunti criou os Pandavas,
que logo também tiveram seus próprios filhos.
Contudo, o reino estava sendo mantido por Duryodhana, filho
mais velho do cego rei Dhritarashtra, e, a legitimidade do mesmo,
conforme a lei das sucessões hereditárias, teria
que ser passada para o filho mais velho de Pandu, Yudhishthira,
conforme a tradição monárquica ancestral
secular.
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4.
A proteção de Krishna
Os Pandavas tinham em comum
uma mesma esposa, Draupadi, e a tratavam com grande respeito.
Por ter perdido todas as posses num jogo de dados, realizado
no palácio do rei cego Dhritarashtra, inclusive tendo
apostado seus irmãos e a si mesmo, Yudhishthira apostou,
por último, a própria esposa. Esta foi, então,
levada de rasto até seus novos donos, os Kurus, que queriam
tirar-lhe à roupa, mesmo que tinha ela alegado que estava
menstruada. Contudo, por mais que tentassem retirar-lhe o sari
este nunca terminava, porque o Senhor Supremo, Krishna, de modo
transcendental, sempre colocava mais um pedaço em suas
vestes. Vendo-se humilhada,
levantou a suspeita sobre a legitimidade de tal ação,
uma vez que seu esposo tinha, antes, perdido a si mesmo nas
apostas, logo, não mais teria legitimidade sobre ela
quando fez a aposta derradeira; mas Draupadi não conseguiu
convencer aos seus algozes, quando, então, amaldiçoou
a todos os Kurus, prevendo a morte de Duryodhana com um golpe
na coxa, e de seus irmãos, prometendo lavar seus cabelos
no sangue de um deles. Um lúgubre uivo de lobo fez-se
ouvir após a maldição levantada por Draupadi,
e todos caíram de joelhos, inclusive os Pandavas, porque
isto era considerado um sinal de mau agouro. Draupadi fizera
isto para livrar a todos os Pandavas da propriedade escrava
e da vergonha que estavam sofrendo pela humilhação,
sem que nem mesmo restassem-lhes as roupas do corpo.
Temendo
a realização da maldição, o rei
Dhritarashtra concedeu três pedidos para Draupadi, mas
esta realizou apenas dois, que de imediato lhe foi concedido;
um primeiro, livrando Yudhishthira da escravidão, e,
um segundo, pedindo a liberdade de todos os Pandavas, do martírio
da vergonha, reservando-se o direito de não realizar
um terceiro pedido, mesmo na insistência do rei cego Dhritarashtra,
alegando Draupadi que, “por ganância, perde-se
o dharma”. Mas Dhritarashtra fez questão de
libertá-la, com o intuito de que a profecia não
se cumprisse. Libertos, todos se afastaram, porém, ainda
disputaram, derradeiramente, se iriam ou não ficar por
ali no reino. Numa última jogada de dados, Yudhishthira
perdeu mais uma vez para o astuto jogador de dados, representante
dos Kurauvas, tendo que ficar degredado, junto com seus irmão
e a esposa, morando no frio e seco deserto por 13 anos.
A recuperação
da legitimidade do reino só foi possível mediante
a imensa batalha entre estas duas correntes familiares; os Pandavas,
filhos e descendentes de Pandu, e os seus 7 exércitos,
e os Kurus, filhos e descendentes de Dhritarashtra, e seus 11
exércitos, que se enfrentaram na grande batalha no campo
dos Kurus (Kurukshetra), até que não sobrassem
muitas pessoas. Esta batalha é descrita em pormenores
no Mahabharata. Apesar de tudo, os Pandavas foram os vencedores,
graças a ajuda poderosa e divina de Krishna, provando
que a tirania e ilegitimidade não se mantêm por
muito tempo no poder.
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