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RASA LILA

SWAMI SIVANANDA


© Tradução para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA

SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS
1997-2007

Nós temos neste dia uma ocasião muito auspiciosa a qual chamamos de Rasa Purnina, a noite de lua cheia no mês de Asvini, o qual está associada com os Lilas de Bhagavan Sri Krishna, que é Shodasa Kala, Murti, Purna-Avatara, Divindade condescendente que veio aqui embaixo no mundo físico da nossa percepção. Em Krishna a glória do Infinito está condensada ou compactada e focalizada através da finitude da percepção humana. Isso quer dizer o Avatara de Sri Bhagavan Sri Krishna, no qual nós temos um verdadeiro e fantástico fenômeno que se chama Rasa Lila; uma dança na qual Ele realizou nas margens do rio Yamuna, em Madhuvana, no retiro florestal de Vrindavana, na noite de lua cheia neste dia em particular. Isso não é meramente um evento histórico ou épico que nós estamos narrando, e recitando, mas um fenômeno espiritual, porque Deus é espiritual, porque tudo o que Deus faz é espiritual. E se Ele pode fazer qualquer coisa, ela será apenas espiritual. Não há outro propósito por detrás das Suas atividades; é apenas espiritual. E fora, apesar do tamanho da Sua criação, é espiritualmente que Está operando. A materialidade é desconhecida no mundo de Deus; é uma coisa que não existe. Então, é uma história espiritual que não lemos e recitamos no Srimad Bhagavatan, e no Mahabharata, em conexão com a vida de Bhagavan Shri Krishna. O Bhagavatan não se trata de uma biografia mortal que nos lemos, porque no reino de Deus a mortalidade não existe. Mortalidade, vicissitude, transigência, materialidade, externalidade, dor e morte são limitações da consciência produzidas por um erro de percepção, e eles não existem por si mesmos. Eles não têm existência como tal, mas eles são apenas processos que tendem em direção ao Ser Celestial. Assim, neste maravilhoso fenômeno chamado dança da Rasa, o Espírito está dançando com Suas próprias manifestações. O Srimad Bhagavatam maravilhosa e significativamente coloca: “Reme rameso vrajasundaribhih yatharbhakah svapratibimba-vibhramah"; como uma criança brinca com a sua própria sombra vendo um espelho, assim fez o Senhor brincando com os devotos eternos de Vrindavana. Ele não brincou com pessoas, assim como uma criança não brinca com ninguém quando olha a si mesmo no espelho. Esta é a interpretação dada no Srimad Bhagavatam, no Dasama Skandha. Então é Deus brincando com Deus, como uma criança brincando consigo mesma ou o dançarino original dançando com o seu próprio reflexo, conotando com a dança cósmica espiritual, a atração das partes em direção ao Todo, inseparáveis formas de Deus, e das almas por causa da agonia da privação do Supremo. A inquieta aventura da alma com respeito ao seu Original, do qual ele é uma parte integral, não Ela em Si mesmo, mas a quinta-essência da dança chamada de Dança da Rasa. “Rasa” significa “quinta-essência. “"Raso vai sah; Rasam hyevayam labdhva anandi bhavati," diz o Taittiriyopanishad. Rasa e Ananda que se manifesta em todos os lugares do mundo. É a bem-aventurança e não a dor que vemos no mundo. Dor é apenas uma parte recusa da nossa consciência em reconhecer a bem-aventurança da Criação de Deus. Ananda é a realidade. Dor não é a verdade da existência. Ananda é a Beatitude Celeste, beatitude, magnificência, e o resplendor de Deus que revela-Se em Si mesmo neste histórico e épico movimento do Supremo dentro do reino temporário como Bhagavan Sri Krishna. É impossível entender para a mente humano o que a Rasa significa. Porque não tem um significado por a pessoa entender. Ela foi uma dança de Deus com a Sua própria melodia. Ela é uma eterna Tandava ou dança cósmica a qual está conotativamente em todas as manifestações: pessoal, social, política, e espiritual. Ela é o remédio que é administrado para a alma do homem, para curá-lo da doença do Samsara. Como o sábio Suka coloca no final da descrição do Rasa Panchadhyayi: “Este é o remédio prescrito para a doença do coração”. ´Hridroga` é apalavra usada, a qual significa doença do coração, para o qual há apenas um remédio, a saber, o amor de Deus. Nossa doença do coração é a nossa doença central. Não se trata necessariamente de uma mera doença física do coração, a qual nós chamamos de pressão alta, ataque cardíaco, etc., mas consciência do Samsara, o cativeiro da alma. Kama, Krodha, e Lobha são os ataques cardíacos, primeiramente falando. E estas são as essências do cativeiro da alma. A cura do Samsara está contida supostamente nesta escondida importação da dança da Divindade no reino mortal. Deus dança eternamente. Talvez seja a dança de Siva, dança de Rudra, ou dança de Krishna. Talvez voce a chame por qualquer nome ou apelido que goste. Ela é o espírito persistindo através da matéria e interferindo com cada passo do processo da evolução no trabalho da transformação da matéria em espírito, convertendo externamente dentro da Beleza universal de Deus, e insistindo que o mortal deve tornar-se Imortal. Porque a pessoa tem um direito de nascimento que é Divino.

Rasa lilaNovamente reiteramos, que não é possível descrevê-la. Apesar de nos dar uma idéia de que, e de como Deus trabalha, e o qual é a meta da vida para nós. A meta da alma é a unidade com Deus, e impaciente está a alma até que tenha uma visão de Deus. Apesar de ser verdade que a Rasa é capaz de ser entendida plenamente, não é impossível de ser realizada, porque isso quer dizer o que a alma deseja. A insaciável saudade, e o desejos infindáveis da mente humana são demonstrações suficiente do fato que Deus não pode ser açambarcado pela mente humana. O que de fato a alma pede é por Deus, e não por um enfeite na Terra. Nós não estamos pedindo por alimento, roupa, proteção, abrigo cordial ou proteção. A alma está pedindo nada mais do que por Deus. Mas esta saudade pelo Eterno manifesta-se em si mesma como pedidos distorcidos, e busca por objetos temporários, os quais são os falsos desejos da alma aprisionada pelo falso ego, na sua incompetência para compreender as saudades e aspirações pelo Supremo. A alma está aparentemente louca. Ela está enlouquecida por que não pode ver Deus através dos sentidos. Carregar o fogo com um pedaço de palha é impossível. Mas a alma conter infinitamente a sua mente finita. A tentativa impossível da alma de limitar a universalidade de Deus dentro da mente infinita, está a atividade Samsárica, e os prazeres dos sentidos, a titilação dos nervos, e as coceiras da consciência. Mas estas não nos podem satisfazer, porque nós não ficaremos satisfeitos até que sejamos satisfeitos. E o “Nós” e o verdadeiro “Eu”, é a alma interna a qual pede pela Alma que está fora (pelo que ela não tem ou não consegue). A alma nos seres humanos pede pela alma Infinita. Nós estamos clamando por esta Alma. O finito está pedindo pelo Infinito, porque o finito não pode ser satisfeito com qualquer número de objetos finitos. As riquezas da Terra não podem satisfazer uma simples alma, porque a alma é uma expressão do Infinito, o qual é Uno, e os objetos são finitos, apesar deles serem em grande número. Este significado convence as mentes das pessoas, os devotos, através da descrição do deleite, do enlouquecido e intoxicado amor de Deus, os quais a Gopis de Vrindavana exibiram, num período histórico do tempo, de um jeito sobre-humano. O eterno traz escondido por detrás do Seu passatempo é a imortalizaçao de todas as tentativas de devoção. De todos os acontecimentos da vida do Sri Krishna, este é um dos quais o homem não pode entender, não possuindo o necessário entendimento. Porque ali, nos cinco capítulos do Srimad Bhagavatam, descrevendo o Rasa-lila, o grande autor compactou-o dentro de uma infinidade de serviços de conhecimentos e pleno de sentimento de compreensão. A linguagem sânscrita é usada com nível superior. Repentinamente há uma mudança de ênfase e retórica no Srimad Bhagavatam, quando o capítulo da Rasa inicia. E você começa a sentir a pulsação dentro de seus nervos, como se fosse, quando esta experiência supranormal nos foi dada linguagem humana.

Abençoados sejam os devotos, videntes da Verdade, e aspirante que procuram por Deus, e não descansam até que Ele seja alcançado. Que a graça infinita do Todo Poderoso caia por sobre todos nós!

Om Tat Sat

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