Hinduísmo - Festivais
NAGA
PANCHAMI
SWAMI
KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SANATANA DHARMA BRASIL
Av. Cel. Lucas de Oliveira, 2884
90460-000 - Porto Alegre, RS
4a edição em Português – 2004
Sumário
1. Nag
Panchami
2. A serpente e o lavrador
3. Krishna e a serpente Kaliya
4. As celebrações
1.
Naga Pañchami
O festival de Naga Pañchami, ocorre no 15º dia da
lua brilhante do mês de Shravan, Julho/Agosto, e onde
as pessoas adoram a serpente ou “Nag”. Este dia
é conhecido como o festival das serpentes. Este festival
ocorre nos meses chuvosos, e crê-se que pode evitar uma
picada de cobra durante este tempo. As pessoas visitam os templos
que são especialmente dedicados para a s Serpentes, neste
período, principalmente, para adorar as serpentes. Os
templos do Senhor Siva são os preferidos para esta ocasião,
uma vez que as serpentes são consideradas muito queridas
por Ele. No sul na Índia, as pessoas esculpem serpentes
utilizando esterco de vaca, colocando do lado de fora, ao lado
da porta, como um sinal de boas vindas para o semideus das serpentes.
Alguns vão até os formigueiros adorar as serpentes,
crendo que elas os habitam. Ou então fazem um espécie
de capuz, colocando sobre o formigueiro ou cupinzeiro, feito
de Gandha (pigmento aromático), Halad-Kumkum (Tumerique
em pó), Chandan (pasta de sândalo), e Keshar (açafrão),
colocando num prato de metal e fazendo a adoração.
A mulheres fazem uma adoração especial para Ananta
(a serpente de mil cabeças, onde o Senhor Vishnu repousa
no oceano de leite); a serpente cósmica nos templos.
O Senhor Siva é adorado também, uma vez que está
adornadO com serpentes. As serpentes são presenteadas
com leite e doces, sendo que estes produtos são colocados
dentro das florestas. Os adoradores de serpente procuram por
ocos nas árvores, nas florestas, onde as serpentes possam
estar. Quando eles encontram um oco de uma árvore, eles
fazem visitas periódicas, colocando leite, bananas, e
outros alimentos diante deles, especialmente para agradar as
serpentes.
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2.
A serpente e o lavrador
Certa feita, um lavrador estava arando sua terra. Ele avançou
por sobre um cupinzeiro de formigas inadvertidamente, destruindo-o
com o seu arado, de modo que algumas jovens serpentes que estavam
escondidas nele, foram mortas. A mãe-serpente, casualmente,
tinha saído. Quando ela retornou para a sua morada, ela
não encontrou seus filhotes. Mas, por fim, ela encontrou
seus filhotes picados em pedaços. Ela ficou furiosa por
isso, e logo entendeu que o lavrador tinha matado seus filhotes,
e pensou em algo para vingar-se.
Durante a noite,
enquanto o lavrador estava dormindo com sua esposa e filhos,
a serpente chegou furiosa. Ela começou a picar os pés
do lavrador, e depois um a um os pés da mulher dele e
seus filhos. Todos começaram a chorar. Mas aconteceu
que naquela noite, a filha mais velha havia ficado fora, em
outro lugar. Então a serpente lembrou-se que numa certa
ocasião a filha mais velha havia casado, e foi morar
com o sogro dela. Então a serpente pensou “Eu não
terei misericórdia dela, também”.
A serpente,
então, foi correndo para o outro vilarejo. Ela parou
diante de porta de uma casa e avistou uma jovem moça
dentro dela. A serpente estava determinada a picar a moça,
tal qual havia feito com o lavrador e a sua família.
Mas então ela percebeu que a jovem moça estava
com as mãos juntas, adorando a serpente que ela havia
feito com “Gandh”, e nove “Nagkule”,
jovens serpentes. Ela tinha oferecido “Nagane”,
grãos secos e moídos; “Lahya”, arroz
descascado, e “Durva”, grama sagrada para Ganapati,
e ela estava orando com grande devoção: “Ó
Deus Serpente, não se zangue comigo por ter cometido
qualquer engano. Aceite minha adoração. Olhe pelos
meus pais e familiares na sua casa, e por meu esposo e sogro.
Não pique ninguém. Perdoe qualquer falta que nós
tenhamos cometido inadvertidamente”.
Ouvindo e vendo
isso, a serpente ficou muito agradada, e foi diante da moça.
Quando a moça abriu os olhos e viu a moça diante
dela, ficou assustada. Mas a serpente disse-lhe: “Não
tenha medo. Eu não irei picar você. Diga-me quem
é você, e onde é casa dos seus pais?”
Então, a serpente soube que a moça era a filha
mais velha do lavrador, e ficou muito triste por ter matado
todos os familiares da moça.
A serpente disse
para a moça o que havia acontecido, e disse para que
ela não chorasse. Ela deu a moça um néctar,
e que ela deveria salpicar por sobre seus pais e irmãos,
e assim eles todos iriam voltar a vida novamente.
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3.
Krishna e a serpente kaliya
O
Naga Panchami tem ligação, também, com
o passatempo ou Lila do Senhor
Krishna. Certa feita, quando Sri Krishna ainda era um jovenzinho,
Ele estava jogando bola na beiro do rio, quando a bola caiu
no alto de uma árvore. Então, Krishna subiu na
árvore e sacudiu os galhos, e a bola caiu dentro do rio
Yamuna. Naquela região, vivia uma serpente macho, chamado
Kaliya, e que amedrontava e todos, controlando toda a parte
do rio.
De repente,
Krishna caiu da árvore dentro da água. Então,
a terrível serpente veio para pega-lO. Mas Krishna, prontamente,
subiu em cima da cabeça da serpente e pegou-a pelo pescoço.
Percebendo a imensa força de Krishna, Kaliya logo viu
que Ele não se tratava de uma pessoa comum, percebendo
que não seria fácil vencê-lO. Sentindo-se
perto da morte, a serpente disse para Krishna: “Por favor,
não me mate”. Krishna encheu-se de compaixão,
fazendo com que a serpente prometesse, de agora em diante, prometendo
que não iria mais molestar ninguém. Então,
Krishna deixou Kaliya livre no rio novamente.
No dia de Naga
Panchami, a vitória de Krishna por sobre a serpente macho
Kaliya é comemorada. É por esta razão que
Sri Krishna é conhecido, também, como Kaliya Mardan,
aquele que derrotou a poderosa serpente Kaliya.
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4.
As celebrações
Durante
este dia, a escavação da terra está proibida,
porque as serpentes vivem por baixo da terra, sendo que neste
dia, ninguém do mundo deve feri-las ou perturbá-las.
Os vários Puranas, como Agni Purana, Skanda Purana, Narada
Purana, etc. falam que as serpentes andam por sobre a Terra,
vestidas e ornamentadas com jóias brilhantes. Os mil
capelos de Shesha Naga, ou Ananta, são lindamente adornados
com jóias. É dito que quando Ela se inclina ou
boceja, toda a Terra, bem como os oceanos, e montanhas, começam
a tremer.
Neste dia de
comemoração de Naga Panchami, as mulheres fazem
desenhos de serpentes nas paredes de suas casas, usando uma
mistura de pó preto, esterco de vaca e leite. Então,
são oferecidos leite, Ghee, água e arroz doce.
Elas crêem que por estas oferendas as serpentes jamais
irão picar qualquer membro da família.
Em Maharashtra,
encantadores de serpentes vão de casa em casa carregando
serpentes adormecidas dentro de cestas, pedindo por esmolas
e roupas.
Em Kerala, os
templos das serpentes são coroados neste dia, e adorações
são feitas com pedras ou ícones de metal da serpente
cósmica, Ananta Sesha. Os altares de muitas casas possuem
serpentes de cobre ou prata, que são adoradas com leite
e doces, junto com preces da família, pedindo o bem de
todos e prosperidade.
Em Punjab, o
festival de Naga Panchami é celebrado em Setembro-Outubro,
e é chamado de Gura Naumi. Uma serpente é feita
em massa de farinha, e são dadas voltas com ela dentro
de uma cesta, ao redor do vilrejo, então uma oferenda
de farinha e manteiga é feita em cada casa. E a serpente
de massa, então, é enterrada.
No West Bengal,
e em certas partes de Assan e Orissa, a deidade da cobra é
adorada no dia do Naga Panchami, como a deusa Manasa.
Hari Om Tat Sat
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