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Swami Sivananda

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Swami Sivananda

.: YOGA :.

O YOGA, O QUE É E O QUE NÃO É

SRI SWAMI CHIDANANDA

© Swami Krishnapriyananda Saraswati
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
90460-000 - Porto Alegre, RS
2006

Sri Brahma

Shri Brahma – quem pela primeira vez instruiu os quatro ramos de Yoga; cada um saído de uma de Suas quatro cabeças

Sumário

1. Introdução
2. Definição de Shri Swami Shivananda
3. Aplicação do Yoga
4. Cuidado com o que é falso

5. Analogia da ascensão no Yoga
6. Quatro tipos de Yoga

1. Introdução
Em sânscrito, a definição primária do termo Yoga é de um estado de união com o Divino ou a experiência de unidade com a grande Realidade. Yoga, portanto, representa a experiência da Verdade, a consciência da Realidade; a união com o Divino. Há outros significados secundários do termo Yoga. Yoga é também um conjunto de desenvolvimento científico e inteligentemente formulado de técnicas práticas para remover todas as impurezas impostas pela natureza do corpo, mente e sentidos, socorrendo-nos para concentrar nossos pensamentos inteiramente em direção ao Supremo. Desta forma, Yoga significa qualquer coisa que purifique a natureza inferior do homem, para controlar os seus sentidos grosseiros, e que direciona a mente em direção a Deus, para envolvê-lo num nível profundamente interior de adoração do Divino e, finalmente, realizar sua eterna unidade com a Consciência Divina.

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2. Definição de Shri Swami Sivananda
Gurumaharaj deu um sintética definição de Yoga no Seu livro, “Kundalini Yoga”, descrevendo da seguinte maneira:

“A palavra Yoga vem da raiz sânscrita “Yuj”, a qual significa juntar; unir. No seu sentido espiritual, trata-se de um processo pelo qual realiza-se a identidade do Jivatma e Paramatma, pelos Yogins. A alma humana é levada para dentro da comunhão consciente com Deus. Yoga é o refreamento da modificações mentais; é a inibição das funções da mente, o qual conduz a realização do espírito na sua verdadeira natureza. Yoga é a inibição da mente pelo Abhyasa e pelo Vairagya” (Yoga Sutras de Patañjali)

Yoga é a ciência que ensina o método de união do espírito humano com Deus. Yoga é a ciência divina a qual livra o Jiva (alma individual) do mundo fenomênico dos objetos dos sentidos, e o une com o šnanta šnanda (bem-aventurança Divina), Parama Shanti (Paz Suprema), felicidade do caráter de um Akanda, e os poderes que são atributos inerentes do Absoluto. Yoga dá Mukti através do Asaˆprajnata Samadhi, pela destruição de todos os Sankalpas de todas as funções mentais antecedentes. Não é possível o Samadhi sem o despertar de Kundalini. Quando o Yogi alcança o elevado estagio, todos os seus Karmas são queimados e ele alcança a liberação do Saˆsara-Chakra (roda de nascimentos e mortes)”.

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3. Aplicação do Yoga
A aplicação do Yoga é universal, por isso pode ser aplicado dentro da moldura de qualquer religião. Apesar disto, o Yoga claramente transcende a religião. Ele é uma Supra-religião, muito além de dogmas e doutrinas. A extensão e duração de sua aplicabilidade é proporcional a necessidade de toda a humanidade o tempo todo. Eu gostaria de tentar mostrar para vocês o significado do que Yoga pensa para cada um neste grande e movimentado século vinte.

Em primeiro lugar, Yoga não se trata de meras acrobacias. Algumas pessoas supõem que o Yoga está primeiramente preocupado com a manipulação do corpo, dentro de várias posições estranhas, erguendo-se a cabeça por uns instantes, ou girando por sobre a coluna por outros, ou, então, assumindo qualquer número de estranhas posses as quais são mostradas nos livros textos de Yoga. Estas técnicas são corretamente empregadas em distintos tipos de práticas de Yoga, mas elas não formam uma parte integral do tipo mais essencial. A postura física serve, na melhor das hipóteses, como um auxiliar, ou uma forma de menor importância no Yoga.

Em Segundo lugar, o Yoga não é a realização de feitos mágicos. Eu menciono isto em especial em meio a muitas concepções erradas que existem em abundância sobre o Yoga; isto se deve devido a certas pretensões, as quais têm sido feitas por falsos Yogis – na realidade pseudos-Yogins. Qualquer coisa que é bom para todos é facilmente corrompida por pessoas pervertidas; em todos os tempos da história do mundo isto tem acontecido. Por detrás de uma deliberada mistificação das coisas pertinentes ao Yoga há o descanso de um motivo egoísta. Desafortunadamente, o que resulta é a distorção desta verdadeira ciência. Não estará fora do lugar, portanto, para eu dizer a vocês franca e claramente que nem tudo que há sido colocado como sendo Yoga é, realmente, Yoga. Certamente Yoga não é algo mágico, nem é a realização de qualquer extraordinário ou pouco comum feito místico.

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4. Cuidado com o que é falso
Nenhum Yoga é “faquirismo”; esta falsa impressão é adquirida por muitos turistas e viajantes, especialmente pelas pessoas mais novas, com uma forte preferência pelo sensacional e fantástico que esta idéia fantasiosa tem conseguido fazer; deste modo, Yoga, passa a ser uma forma de auto-tortura: deitar em camas de pregos, enterrar-se a si mesmo, mastigar ou engolir pedaços de vidros, beber ácido, engolir pregos ou perfurar-se com pinos e agulhas, etc. Isso tudo nada tem a ver com Yoga, e os verdadeiros Yogis nada tem a ver com tudo aquilo.

O Yoga não se trata de nenhum rito peculiar ou cerimônia estranha; nem mesmo se trata de hedonismo, paganismo, ou quiromancia. O Yoga não é profetização, astrologia, leitura de pensamentos, nem o exorcismo de espíritos demoníacos ou “possessões”; nada daquilo é Yoga. Se as pessoas chamam-se a si mesmas de Yogis, e explicam os seus “Yogas” pelo exibicionismo de qualquer daqueles feitos pouco comuns, elas estão usando de maneira imprópria o termo Yoga. O Yoga, também, não é auto-hipnotismo ou auto-hipnose. Ele não é o realizar encantamentos ou o fazer de gestos monótonos. O Yoga, também, não é como o resultado das experiências obtidas por tomar ácido lisérgico, mescalina, peyote (produto de origem Mexicana) ou cogumelos. Estas experiências não são Yoga; nem elas são produtos do Yoga.

O Yoga não é nenhum culto religioso. Certos conceitos Orientais repousam por trás desta idéia. Isto é uma lastimável verdade. Mas estes conceitos não têm nada a ver com a evolução adequada desta ciência. O Yoga engloba elevado desenvolvimento e técnicas práticas, as quais podem ser aplicadas por pessoas de qualquer raça, nação, casta, credo, igreja ou seita. Enquanto definição filosófica foi sendo consolidada, e enquanto os conceitos religiosos dos Hindus foram sendo formulados, a ciência do Yoga foi se desenvolvendo. Certos conceitos metafísicos são peculiarmente Hindus e Orientais, mas o Yoga está separado das suas bases filosóficas e metafísicas, sendo uma ciência prática que nos aproxima da realização da Realidade Suprema, o verdadeiro Centro de toda a vida, ou seja, de Deus; sendo um patrimônio de toda a humanidade.

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5. Analogia da ascensão no Yoga
O adorado Gurudev Shri Swami Shivanandaji Maharaj costumava contar uma maravilhosa parábola a respeito da importância e da verdade sobre o Yoga: “Havia uma grande árvore na floresta. No topo de um ramo havia um grande favo de mel, mas subir para o topo da árvore era difícil. Alguém tinha que preparar os passos no tronco da árvore e subir para pegar o mel, mas isso demandaria grande paciência e trabalho inteligente. Uma delgada cobra enroscou-se na árvore, e atingiu uma grande parte da altura. Ela aparentava ser forte, apesar de estar perigosamente pendurada no ar. Um homem guloso, desejando possuir o mel, sem muito esforço iniciou a subir na árvore, unicamente com a ajuda do réptil. Ele foi muito lento para dar os passos no tronco da árvore pensando que a cobra era forte o suficiente para segurá-lo no topo. Quando ele estava a alguns poucos metros do chão, um violento vento sacudiu a cobra e o homem caiu, e fraturou os seus braços”.

Semelhante é o caso com aqueles que tentam subir a árvore do Yoga (Divindade), para beberem o mel de Moksha, com a ajuda do réptil do Kamya Karmas (ações com motivos egoístas e desejos) através de atalhos. O caminho do Yoga descansa ao longo do tronco da árvore da Divindade. Você deve improvisar os passos nela, com algum esforço, o qual é Sadhana (prática espiritual). Você tem que subir passo por passo, iniciando com Yama, Niyama, šsana, Pranayama, Pratyahara, Dharana, Dhyana, e, então, alcançar o pináculo com o Samadhi; não há um atalho para isso, e você não pode se esquivar da sua responsabilidade. Se, por outro lado, você escalar com a ajuda de Kamya-Karmas, apesar deles, também, aparentarem serem fortes, eles não o levarão para o elevado Yoga. Quando o vento do desejo egoísta, avidez pelas coisas deste mundo, e dos prazeres do paraíso, soprarem, este réptil do Karma irá quebrar, e você terá uma queda terrível.

Ó homem! O trabalho egoísta não levará você para a meta do Yoga, porque apenas o trabalho abnegado poderá ajudar você. Sadhana significa alguma coisa muito severa; você tem que subir ao topo através de uma dura via. Mas uma vez que você alcance o topo, você irá beber o néctar da imortalidade, e da eterna bem-aventurança.

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6. Quatro tipos de Yoga
Há vários sistemas de Yoga, os quais eu irei agora, brevemente, descrever. O primeiro é o sistema intelectual, no qual as pessoas empregam suas faculdades humanas (racionais) num exercício supremo, ou seja, a realização da Verdade. Este caminho é conhecido como Jñana-Yoga, ou o Yoga do intelecto. Nele, se escuta as exposições da natureza de Deus, adquirindo-se um entendimento da realidade, sempre por intermédio da reflexão; no final das contas, penetra-se dentro Dela através do poder da razão, na profundidade da meditação.

O Segundo sistema é conhecido como Bhakti-Yoga, ou o Yoga da Devoção e do Amor. Este é um caminho muito doce, onde se é peculiarmente satisfeito, e é facilmente adaptado para o temperamento emocional. O crescimento se dá dentro de uma íntima relação com o Ser Supremo, através do constante pensamento sobre Ele; orando-se para Ele, adorando-O, sentindo-se próximo a Ele, assim tão próximo com alguém que naturalmente caminha com Ele, fala com Ele, vive, se move, e tem o ser Uno n’Ele. Um elo se ergue, segundo o qual o amor puro é direcionado para Deus. Neste exercício, os seres humanos tornam-se totalmente completos.

No terceiro sistema de Yoga todas as fazes, e atividades da vida, são dedicadas para Deus. Na sua base altruísta as obrigações humanas são, assim, integradas. Este sistema é conhecido como Karma-Yoga, ou Yoga do serviço abnegado, portanto, serviço livre de egoísmo. A principal e crucial ação neste sistema é o despojamento do falso-ego. Quando o falso-ego pessoal está completamente ausente, todas as criaturas por sobre a Terra são claramente compreendidas como sendo manifestações visíveis de Deus, como os comoventes templos nos quais a Divindade está guardada. O serviço para os outros, então, se torna natural e fácil, e cada ação é feita não como um ato secular, mas como um ato de adoração. Ocupados na transmutação do dinamismo dentro na realização divina pode-se adorar o Divino em todo o lugar. O professor na escola; o doutor no hospital; o farmacêutico na farmácia; o homem de negócios na bolsa-de-valores; cada um envolvido na sua atividade profissional pode transmutar seu dinamismo em pura devoção, adotando uma humilde e interna atitude de adoração.

No quarto sistema de Yoga, a pessoa emprega um processo muito especial, no qual todos os pensamentos são feitos para mergulhar em Deus. Nos tornamos mais e mais conscientes de Deus, como o Centro dos seres; este caminho é, também, muito maravilhoso. Ele é conhecido como Raja-Yoga ou Yoga da Concentração e da Meditação. O pensamento é movimento da mente material, e os movimentos da mente material são produzidos pelo movimento do ar vital, força interna chamada de Prana, e, também pelo movimento do corpo. Assim, pensamento, Prana e o corpo, estão todos interconectados. O total subjugamento, e controle do corpo devem ser feitos sob uma firme e estável postura. O domínio e controle da energia psíquica interna podem ser alcançados pela prática de técnicas de controle respiratórios. E, finalmente, todos os raios espalhados da mente podem ser fechados em si mesmos, ainda que oriundos de muitas partes do universo, e se concentrarem somente por sobre a idéia una de Deus. No culminar deste processo, a pessoa se ergue por sobre o nível da mente, tomando o estado de superconsciência, no qual se realiza a experiência de unidade com Deus, e ela libera-se para sempre do cativeiro do corpo, e da morte em si mesma. Há muitos sinais encorajantes neste caminho de Yoga, sendo considerado por muitos seguidores no Ocidente como o mais adequado método para a solução dos complicados problemas da sua civilização.

Om Tat Sat

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