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O
Sonho do Rei Janaka :.
SWAMI SIVANANDA
© Tradução
para o Português de
SWAMI KRISHNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
90460-000 - Porto Alegre, RS, Brasil
1997 - 2006
"‘Seja
firme em servir os outros".
Swami Sivananda
Sumário
1.
Comentário introdutório
2.
O Sonho do Raja Janaka
3.
O rei discípulo e a ilusão do mundo
4. Relatividade do mundo
5. Casamento para quê?
1.
Comentário introdutório
Swami Krsnapriyananda
O rei Janaka foi o pai de Sita, a esposa de Sri Rama. Ele
foi um rei exemplar, que tinha um profundo senso de liberação.
A partir de um sonho que teve certa feita, ele deu início
a uma profunda investigação do Brahman. A história
que veremos a seguir tem em vista mostrar a irrealidade do
mundo material, não enquanto expressão material,
mas transcendental. Para o leitor compreender o texto na sua
profundidade filosófica deverá despojar-se das
idéias dualistas, uma vez que não é possível
uma metafísica sem que haja o devido despojamento
da dualidade ou Dvaita. A filosofia dos Vedas, e todos os textos derivados e comentados
são Avaita, ou não-dualistas. A grande confusão
nos dias de hoje é devida a más interpretações
e solipsismos feitos por sobre a metafísica dos Vedas,
e que no mais das vezes estao comprometidas com a visão
de movimentos religiosos independentes, e que não possuem
vocação filosófica. No Bhagavad-gita, e numa enumerável seqüência
de textos e comentários diversos da literatura védica,
o rei Janaka é citado como exemplo de retidão,
esforço e empenho no caminho do Dharma. No verso 3.20
daquele texto memorial do Yoga, Krishna cita Janaka como um
grande exemplo de quem alcançou a liberação
do Samsara por meio da ação abnegada ou Karma-yoga.
São as seguintes as palavras de Krishna, dirigidas para
Arjuna: “Certamente, pela ação correta
ou Karmayoga o rei Janaka, e outros, conseguiram a perfeição,
agindo pelo exemplo; considera que devas atuar e cumprir”. Bgita, 3.20 Isso quer dizer que a realização
do serviço abnegado é tão elevada quanto
qualquer exercício de realização pelo
Jñana. Karma-yoga
não é uma ação feita
tendo em vista um resultado, mas uma ação pura
e livre de busca de resultados. A ação deve ser
exemplar, uma vez que na ação abnegada está a
liberação da idéia de “eu” e “meu”.
Deve-se saber diferenciar uma ação benevolente,
que tem em vista agradar o próprio ego e receber fama
e prestigio dos que olham daquela ação que é feita
de forma absolutamente abnegada, sem ter em vista nenhum beneficio
egoísta como fama, prestigio e poder. Krishna salienta
o tempo todo que alguém devidamente iniciado e reverente
ao Guru (4.34), prestando serviço aos seus pés, é de
fato adequado para liberar-se do mundo material.
Ensina-se
mais pelo exemplo do que por teorias contidas em textos.
Isso nos mostra que não é de agora a
ocupação com o processo de educação
onde o exemplo dos Acharyas, como verdadeiros modelos de exemplos,
as pessoas procuram seguir. Krishna, mais uma vez, reforça
a idéia de que Arjuna deve lutar, porque seus atos não
estão isolados de todo o contexto. O rei Janaka foi
instruído pelo sábio Astavakra, numa obra intitulada “Astavakra-gita”,
de como deve ser a ação de um renunciado. A ação
correta é aquela que e feita sem ter em vista o fruto
ou a expectativa do resultado, chamado pelo sábio de “picada
da serpente negra da auto-opinião de ´eu sou quem
faz´”. Os pares de opostos, do mundo material,
são explicados ao rei naquela obra, tendo em vista alcançar
a liberação do Sastra, ou ciclo de nascimentos
e mortes.
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