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SWAMI SIVANANDA

© Tradução para o Português de
Swami Krishnapriyananda Saraswati
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
90460-000 - Porto Alegre, RS, Brasil
1997 - 2005

Swami Sivananda Karmas e Infernos
Na visão do Srimad Bhagavatam - Bhagavata-Purana), h
á vários infernos que um Jiva deve experimentar, de acordo com os Karmas que ele traz por seus pecados e paixões. Vinte e nove classes de regiões de sofrimento são descritas no Bhagavata Purana, quando diz que os Jivas nascem em virtude dos seus Karmas.

Há um lugar de sofrimento chamado Tamisra. As pessoas que se apossam da riqueza, filhos e esposas de outros nascem nessa região. Lá, o Jiva experimenta dores extremas, sendo amarrado com cordas mortais e lançado violentamente nas regiões sombrias. Ele não come nem bebe nada; é agredido com porretes e ameaçado; sendo levado a um estado de aflição exaustiva, o Jiva chega a desmaiar.

Há outra região chamada Andha-tamisra (escuridão ofuscante). Aqui nascem os Jivas que ludibriam seus cônjuges e se apropriam das suas esposas e de outras propriedades. Eles são subjugados nesse inferno para sofrer tormentos tais, que perdem toda a compreensão e padecem de dores lascinantes. O Jiva sofre como uma árvore, cujas raízes são cortadas.

Aqueles que se identificam inteiramente com o corpo físico, e consideram a riqueza do mundo como sua propriedade, vão para um inferno chamado Raurava. Aqueles que atormentam às pessoas aqui na Terra, ficam sujeitos ao suplício dos vermes venenosos chamados Rurus, que vivem nessa região perigosa.

Maharaurava é do mesmo tipo. Os homens indulgentes nas paixões são aqui devorados por animais carnívoros (comedores de carne).

No inferno chamado Kumbhipaka a pessoa cruel e impiedosa que cozinha e come animais vivos, pássaros e similares começa a ser fervida em óleo por terríveis demônios.

No inferno chamado Kalasutra, são lançados aqueles que insultam os religiosos, Brahmanas e Pitris. Eles são colocados numa superfície de cobre ardente, de quarenta mil milhas de comprimento, constantemente aquecida (por baixo pelo fogo e por cima pelo sol), sendo atormentados pela fome e pela sede, sofrendo incontáveis misérias.

Há um inferno chamado Asipatravan: é uma floresta constituída de folhas feitas de punhais afiados. O Jiva é obrigado a atravessar a floresta e é caçado como uma fera selvagem. Aquele que vai contra o Dharma Védico e abraça religiões infiéis é lançado aqui! Ó, visão lastimável! ele realmente corre de um lado para outro e tem o corpo todo rasgado por esses terríveis bosques de lâminas. O Jiva clama: “Ah! Eu estou perdido!” e cai em agonia.

Os reis que impõem suplício a homens inocentes ou que infligem castigos corporais a um Brahmana caem no inferno chamado Sukara-Mukha, onde o corpo inteiro do pecador é esmagado como a cana-de-açúcar! Ele grita em agonia mas ninguém o ajuda!

Os homens que, tendo uma boa posição na sociedade, infligem dor às pessoas pobres, caem num inferno chamado Andhakupa. Ali o Jiva é atormentado na escuridão de todos os lados por diversas bestas terríveis, serpentes, etc, e aprende lições que não permitirão que cometa novamente essas ações pecaminosas.

Os Brahmanas que não executam os seus Yajnas diários e que não compartilham o que eles possuem são apropriadamente chamados de corvos e caem num inferno onde a sua alimentação é constituída de vermes. Eles são lançados num vasto oceano de vermes que começam a importunar o Jiva de todos os lados.

Quem rouba um Brahmana ou um homem pobre e assim o faz sofrer sem razão, vai para um inferno onde é severamente comprimido por pinças de ferro incandescente e espancado com bolas de ferro aquecidas ao rubro.

Os homens e mulheres que abusam dos servos e os pobres e inocentes; que não se compadecem nem os ajudam a sair dessa condição miserável, caem num inferno onde são severamente surrados e forçados a abraçar uma imagem de ferro ardente, sejam homens ou mulheres. Aqueles que abusam dos seus direitos matrimoniais são determinados a um castigo semelhante.

Quem se aproxima de todos os tipos de seres sob o impulso da paixão é colocado no Inferno de Salmali, com espinhos pontiagudos e cortantes, e é arrastado através das regiões do inferno.

Os reis que transgridem os limites da retidão, e os funcionários administrativos que descartam as leis da justiça, caem no rio Vaitarani depois da sua morte. O Jivas são mordidos por monstros aquáticos, mas não são separados dos seus corpos; por outro lado, eles são suportados por sua respiração vital, permanecendo sempre vivos para as conseqüências do seu Karma. Esse rio é cheio de lixo, urina, pus, sangue, cabelos, unhas, ossos, medula, carne e gordura putrefados.

Os homens nascidos numa casta elevada que escolhem casar-se com mulheres impudicas, pertencentes a uma ordem de vida mais baixa, e que se conduzem como brutos numa vida de imodéstia, caem depois da morte numa cova do inferno, num mar de pus, lixo, urina e muco, engolindo até mesmo as coisas mais detestáveis.

Aqueles Brahmanas e outros que agem como maridos de cadelas e asnos, deliciando-se em perseguir animais e matandoos em violação ao Sastra, são depois da morte feitos de alvo e perfurados com as setas de seres impiedosos.

Os homens que matam os animais impiedosamente nascem no Inferno como animais no matadouro e são tratados de uma forma similar.

Os homens pecadores nascidos duas vezes que, iludidos pela paixão, induzem suas esposas nascidas do mesmo sangue (Gotra) a beber o seu sêmen, são lançados num mar de esperma e obrigados a bebê-lo.

Aqueles que atearam fogo em outras casas, administraram veneno a outros ou saquearam aldeias e caravanas – sejam eles reis ou servos de reis - caem depois da morte num inferno onde são mastigados com voracidade por setecentos e vinte cães de caça com seus dentes terríveis.

Quem profere falsidades para ficar em evidência ou fazer donativos cai num inferno chamado Avichimat, onde não há nenhum suporte para permanecer de pé. Ali o Jiva é lançado de ponta-cabeça do ápice de cumes de montanhas de quatrocentas milhas de altura. Até mesmo a superfície dura e pedregosa se parece com água neste inferno, para o Jiva iludir-se ainda mais. Embora o seu corpo seja despedaçado, ele não morre; é repetidamente erguido até o topo e lançado para baixo, novamente, de forma interminável.

Se um Brahmana bebe vinho ou come comida questionável, ele é obrigado a beber ferro fundido nas regiões do inferno.

Aqueles que contrariam as regras prescritas no Varnashrama Dharma são aqui adequadamente punidos.

Os homens que elogiam a si mesmos como grandes personagens, mas não respeitam aqueles que são de nascimento realmente notáveis, honrados e eruditos, são na verdade cadáveres vivos e depois de morte serão lançados de ponta-cabeça num inferno de lodo salgado para sofrer infinitos tormentos.

Aqueles que reverenciam os deuses oferecendo vítimas humanas são lançados num inferno onde serão cortados em fatias e comidos por demônios, mas assim mesmo eles não morrem, mas apenas experimentam imensa dor.

As pessoas más, que atormentam os seus refugiados - porque eles estão sob o seu controle -, depois da morte irão padecer de fome e sede extrema e serão espetadas com instrumentos afiados por todos os lados, para que se lembrem de seus pecados.

Aqueles que aqui são por natureza cruéis como cobras e aterrorizam outros seres caem, depois da morte, num inferno chamado Dandasuka, onde serpentes de cinco ou sete espiras os atacam, fazendo-os temer a morte, embora eles não morram.

Aqueles que aqui aprisionam as pessoas em buracos e calabouços escuros são em troca (depois de sua morte) presos numa atmosfera escura, densa de fogo e fumaça.

Os hospedeiros que ficam zangados com os convidados, e olham para eles com olhos cruéis, como se quisessem queimá-los, terão depois da morte os seus olhos arrancados por abutres, que possuem bicos duros como pedras adamantinas.

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