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AS
ERAS VÉDICAS
SWAMI SIVANANDA
©
Tradução para o Português de
Swami Krishnapriyananda Saraswati
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
90460-000 - Porto Alegre, RS, Brasil
2005
Surya-siddhanta
"Aquelas pessoas que sabem que o dia de Brahmaa, o
qual é uma duração de milhares de Yugas
(eras), e a noite, a qual também é de milhares
de Yugas de duração, eles sabem o que é
dia e noite" (Bgita, 8.17)
Dia,
significa evolução e projeção da
manifestação do universo. Noite, significa
involução do universo ou Pralaya. Os mundos são
limitados ou condicionados no tempo. Portanto, eles retornam
novamente. O mundo de Brahmaa* - Brahmaloka
ou Satyaloka - também é transitório, apesar
de durar muitos milhares de eras. Quando as quatro grandes Yugas
ou eras duram milhares de anos, elas realizam um dia de Brahmaa,
e quando um igual número de Yugas passam novamente, é
uma noite de Brahmaa. Aqueles que podem ver e viver através
do dia e noite de Brahmaa, realmente, podem saber o que é
dia e o que é noite.
O Suryasiddhanta
fala das divisões de tempo, de acordo com o que segue:
|
Divisões
das Eras conforme o Surya-siddhanta |
|
Era
Védica |
Anos |
| Kali-yuga
(com Sandhya e Sandhyamsa) |
432.000 |
| Dvápara-yuga |
864.000 |
| Treta-yuga |
1.296.000 |
| Krita-yuga |
1.728.000 |
| Mahavakya
(consiste nas quatro Yugas reunidas) |
4.320.000 |
| 71 Mahavakyas
- com Sandhya adicional, com 1.728.000 anos que constituem
um Manvantara |
308.448.000 |
| 14 Manvantaras
com um outro Sandhya, próximo de 1.728.000 anos,
constituiem um Kalpa de |
4.320.000.000 |
| 2 Kalpas,
fazendo um dia e uma noite de Brahmaa. |
8.640.000.000 |
| 360 dias
e noites de Brahmaa |
3.110.400.000.000 |
| 100 anos
de Brahmaa - uma vida |
311.040.000.000.000 |
O mundo fica
absorto no Avyakta ou no Imanifesto, também conhecido
como Mulaprakriti, durante o Pralaya - noite - cósmica.
Assim como as árvores permanecem latentes dentro de uma
semente, assim, também, todo este universo fica num estado
latente na forma de uma semente da Mulaprakriti, durante o Pralaya.
Isto é o que chamamos de uma "Noite de Brahmaa";
esta é a noite cósmica. Novamente, o mundo é
lançado para o início do Mahakalpa (evolução).
Daqui surge o dia cósmico. Este rítmo de dia e
noite cósmico - evolução e involução
- é mantido no macrocosmo.
Nada que vem
da sempre girante roda do dia e noite cósmica dura para
sempre. É por esta razão que os videntes sábios
dos Upanishads de outrora, viviam no Ser Supremo transcendental,
o Ser imperecível, o Purusha indestrutível; na
meta suprema da vida, a mais elevada meta de alguém,
a qual está além do dia e noite cósmicos.
Assim como as sementes fritas não podem germinar, assim
também aqueles que alcançaram o Brahman imperecível,
o Absoluto, o Eterno, não podem retornar ao mundo de
sofrimentos, dores e misérias; para eles não há
dia e noite. Eles são unos com a existência Absoluta.
O manifesto e o imanifesto
residem no Brahman. Brahmam está além do manifesto
e imanifesto. Quando o mundo e o corpo são destruídos,
o Brahman não é destruído. As ondas vêm
e vão, mas o oceano permanece sem ser afetado. Assim
também os mundos vêm e subsistem, mas o Brahman
é a origem de tudo; a origem da Mulaprakriti, parmanecendo
sempre inafetado. Assim como os ornamentos de ouro voltam a
ser ouro quando fundidos, do mesmo modo todos os mundos saem
de Brahman e voltam para o Brahman. O outro não é
afetado pelos diversas formas que são feitas do seu metal
como anéis, brincos, braceletes, tornozeleiras, etc.,
assim também o Brahman não é, de modo algum,
afetado pela destruição ou dissolução
dos mundos, nem pelos corpos dos seres vivos. O Brahman permanece
sempre como Ele é.
Om Tat Sat
*
O leitor deverá
diferenciar Brahmaa
- o semideus da criação material, de Brahman,
o Supremo Absoluto, origem de tudo e de todos.
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