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Arte,
uma expressão da Divinidade :.
SWAMI SIVANANDA
© Tradução
para o Português de
Swami Krishnapriyananda Saraswati
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS, Brasil
1997 - 2007
"‘Seja
firme em servir os outros".
Swami Sivananda
Arte,
uma expressão da Divinidade
Todos os seres, desde os considerados mais inferiores, todas
as ações, sejam as mais triviais, todas as coisas
quer sejam aparentes ou não, são a estampa da
luz do Eterno; o principio da Beleza que dança neles
todos; o esplendor da Verdade está brilhando de forma
equânime em toda a criação; no homem trabalhador
do campo, nos pássaros no ar, nos animais da floresta,
nos brotos do jardim, nas ondas do mar. Há apenas uma
lei da vida que pulsa nas veias do universo inteiro. Glória
ao Divino Ser.
Tudo nesta bela criação é uma peça
de arte; tudo o que vemos é uma manifestação
da Sua arte. Nós, também, somos Sua arte, vendo
a Sua magnitude, refletindo Sua beleza, e expressão a
Sua grandiosidade. Cada um tem nos olhos o pintor e o poeta;
cada coração tem um sentimento adormecido de beleza
e para a consciência da perfeição. Cada
partícula no espaço é rica com a inexaurível
abundância da bondade, da santidade, da beleza. Quem amplia
a consciência e se aprofunda no espírito, habilita-se
para desenvolver a visão de todo o espírito cintilante,
e toda a realidade se desvela para ele, mesmo no que não
é real. A saída para este mundo de limitações,
enquanto se está por sobre a Terra, dentro de um mundo
ilimitado de Liberdade e Beleza, Poder e Brilho, é o
propósito verdadeiro da nossa existência.
Para aquele que os olhos vêem de fato, tudo é bondade,
doçura; tudo é beleza, tudo é graça;
tudo o que percebe é homogêneo e harmônico.
Filhos de luz! Contemplem o brilho do diamante no escuro do
carvão da mina; olhe o brilho dos olhos na face fechada;
sinta o aroma fragrante no charco fedorento; sinta a onipresença
de sua vida mesmo nas criaturas inferiores, que se deleitam
na imundície; descubra a grandeza do gênio das
famílias humildes que vivem na miséria. Para
quem tem esta visão interior, seja onde se encontre,
vê o toque de mestre do Pintor Divino; do Mestre artista,
que Se expressa a Si mesmo com infinita e inefável beleza.
A arte não é um sentimento de prazer da criatura
humana, nem tampouco um consolo para o sofrimento de um coração
sofrido, nem um mero desfrute estético. Ela é mais
do que tudo isso, ela é um sistemático e cientifico
viver na Beleza Absoluta, na infinita harmonia, em paz perfeita,
na eterna alegria. A arte é um reino de intenso sentimento,
um sentimento no qual está consciente o Uno indivisível,
a essência Divina da existência; a arte é majestosa
e mística, idealista e simbólica, sobrenatural
e transcendental. A arte é uma expressão do não-visto
por meio do que é visto. Que a arte floresça dentro da perfeição,
a qual é livre de todos os sentidos de desejo e interesses
físicos. Em nome da arte não se deve algemar
a si mesmo numa prisão de profissionalismo e sensualismo.
O artista deve mover-se pela beleza da Verdade; e sua arte
deverá criar-se progressivamente, e ser sugestiva espiritualmente.
Ela deve desvelar os seus momentos de visão inspirada,
de total auto-rendição. No modo criativo, o artista
deve elevar-se ao alto; alto dentro do céu da iluminação
luminosa, e da existência gloriosa; além da mundaneidade.
Purificado no coração, deve-se ondular na varinha
mágica da arte, em cujo toque tudo se converte em beleza
do que está além.
Que as salas de visitas estejam cheias com as vibrações
de elevados ideais espirituais, os quais derramam os poderes
da beleza de uma nova vida de alegria e paz. Que aquele que
utiliza o pincel esteja livre de todo o orgulho, e egoísmo,
e de tudo que se relacione com coisas mundanas. Então
o Divino irá irá preenchê-lo com Sua vontade,
para que pinte o hálito de poder sincretizante, e o
balsamo calmante, dentro de todo o espectador através
dos seus olhos; então que sejam aliviados das doenças
de suas mentes e dos sofrimentos do coração.
Que a sua arte seja um lâmpada de beleza imortal; brilhante
com a refulgência que dissipa a escuridão da alma
que canta os sons sofredores do mundo.
Um artista que pinta os apetites inferiores dos homens,
que não tem a meta de descobrir os significados da vida,
que não desperta a consciência espiritual no coração
humano, é perverso, e, portanto, tem ilusórios
efeitos e influencia de forma maléfica. O teste da verdadeira
arte implica na sua profunda sugestão. A verdadeira
arte deverá incorporar o melhor do gênio do artista;
o melhor nele, e causar respeito dentro de um plano sutil ou
refinado excitamento; toda a arte mundana sucumbe nos propósitos
profanos e perecíveis.
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