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APENAS
O AMOR É
SRI
SWAMI CHIDANANDA
© Tradução
para o Português de
Swami Krishnapriyananda Saraswati
SOCIEDADE
INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Porto Alegre, RS, Brasil
1997 - 2007
O
poder divino possui inumeráveis aspectos. Mas ao que
diz respeito ao homem, três destes aspectos são
fundamentais.
No começo
era Deus, diz a Bíblia. Apenas Deus. E então Deus
desejou: “Faça-se a Luz”. E a luz
foi feita. O Uno é, dizem os Upanishads; o Uno sem segundo,
supremo, todo e único. Nele aparece uma idéia
mística: “Que Eu Me torne muitos”. E os “muitos”
surgiram; todo o universo se manifestou.
Trazer de dentro
os seres é um dos inumeráveis aspectos do Supremo
Poder Divino. Há, também, um dos três o
qual é fundamental. No Hinduísmo, este poder criativo
é atribuído a Brahma. É uma função
de Brahma manifestar os incontáveis nomes e formas os
quais se lançam dentro de um começo de um ciclo.
No final de
um ciclo, outro aspecto do Poder Divino joga, é o que
absorve todos estes nomes e formas manifestas, levado-os de
volta ao Imanifesto. Tal aspecto de absorção é,
também, personalizado, e recebe o nome de Siva. Siva
é o dissolvedor; o absorvedor; o destruidor. Muitas vezes
as pessoas associam uma má intenção com
o significado da palavra “destruidor”. Mas pensemos
cuidadosamente. Em si mesmo não destrói o homem?
Quando ele quer beber um copo de suco de frutas frescas, ele
não destrói as frutas? O suco de fruto foi criado,
é verdade, mas o processo é todo destruído
ao fazer o suco. Não há nenhuma intenção
má em fazer um suco de frutas. A destruição
é um preliminar processo natural da criação
de uma nova forma. Assim é o processo universal, uma
faze significante. É Brahma quem cria, mas quando ele
termina a criação, é Siva quem dá
os passos para dissolver e destruí-la.
Entre estes dois
extremos, o universo é mantido. No passado, presente
e futuro, e através das eras, um grande poder provedor
envia chuvas e luz, vento e nuvens, tempestades e marés,
as estações, bem como todas as coisas que são
necessárias para a preservação da vida.
Produzir as coisas quando elas são necessárias,
restaurando quando elas são perdidas, recuperando quando
estão ruins, estas são funções de
outro aspecto do Poder Divino. Estes aspectos possuem grande
significado para as pessoas, porque eles preservam a vida. Este
aspecto, acima de tudo, presa os outros aspectos do Poder Divino.
Este aspecto é, também, personificado com o nome
de Vishnu ou Narayana. Lakshmi é a grande consorte de
Vishnu. Ela está presente neste mundo como semente, ou
a que dá fertilidade aos campos e a nutrição.
Ela está presente como riqueza. Ela está presente
como conhecimento, secular, científico e comum. Ela está
favorecida com um poder inimaginável para manter a lei
e a ordem no universo, e administrar a justiça.
No Bhagavata
Puranma, as glórias de Vishnu, Narayana, são exaltadas.
Destes 12 volumes, o décimo é exaltado. Nele está
a encarnação do Senhor Vishnu, chamada o Avatara
conhecido como Krishna, sendo descrito em detalhes.
Krishna nasceu
em Mathura, nas margens do rio Yamuna, mas logo após
o Seu nascimento, Ele foi para Brindavan, onde passou Sua infância;
um período de maravilhosos passatempos. Ali, ele salvou
muitas boas pessoas, destruiu pessoas ruins, e criou muitas
outras ondas de verdadeiro amor espiritual. Seus Lilas, como
estão ditos no Bhagavata, abrem um amplo campo para o
exercício de emoções superiores, e para
o “jogo” do puro amor espiritual.
A vida de Krishna,
especialmente a Sua vida em Brindavan, tem sido sempre inspiração
para os artistas na Índia. Ela tem sido tema para inumeráveis
grandes trabalhos de arte. Mesmo hoje, nesta era nuclear, cerca
de 90% das músicas tocadas na Índia, por exemplo,
possuem cunho religioso, e assim está nas pinturas. Há
uma escola de arte que floresceu entre 150 e 200 anos atrás,
a qual produziu uma rica gama de pinturas que retratam Radha-Krishna,
e o Amor Divino das Gopis pelo Senhor.
A vida de Krishna,
principalmente em Brindavan, e o amor por Ele mostrado pelas
pessoas de vida rural, elucida os elevados pontos da filosofia
devocional na Índia. Se você ler o Bhagavata Purana,
você irá entender quais são estes pontos.
O amor é um caminho no qual você tenta alcançar
a experiência Divina de Deus, pelo relacionamento pessoal
para com Ele, por intermédio de uma ligação
emocional particular. Esta ligação emocional é
intensificada por intermédio de vários exercícios,
até que você atinja o ponto onde o amor divino
preenche inteiramente sua consciência. Ela empurra fora
a sua falsa consciência de “Eu”, transformando-a
em Amor Divino. Você se eleva muito alto dentro de um
estado de experiência de Deus, até que, finalmente,
seu ser inteiro é totalmente absorvido, e a sua consciência
é inteiramente saturada por Ele. O amor, e unicamente
o amor vence.
“Mas como?”,
você poderá perguntar, “Eu poderei amar a
um Ser do qual eu não conheço? Meu pai, minha
mãe, meus amigos, minha esposa, eu posso amá-los
porque eu os conheço. Eles se relacionam comigo. Eles
não me são estranhos, estrangeiros ou não
familiares”. Tudo bem. Qualquer que seja a via que agora
você se relacione com o Senhor será própria.
Nenhum relacionamento novo e estranho foi criado. Qualquer que
seja o amor predominante em seu coração neste
momento, você deverá direcioná-lo a Ele.
Se, por um instante, se o amor que você sente é
predominante com sendo uma criança, direcione este amor
para Deus. Pense n´Ele como sendo uma criança.
Esqueça tudo sobre Sua grandeza, grandiosidade, e glória
por enquanto, e sinta que Ele está no seu coração
como uma Criança Divina. Ou, se você ama a seu
Mestre, e se você amar a Ele de todo o seu coração,
pense n´Ele como sendo seu mestre. Ou, se o amor que você
sente é profundo e apaixonado, como o amor que os amantes
sentem pelo seu amado, tudo certo, tal amor, costuma-se dizer,
é a mais intensa forma de amor. Expresse o Senhor como
seu querido, como seu noivo eterno. Em qualquer uma destas vidas,
una-se com o Senhor. Desenvolva sua técnica pessoal de
manter-se ligado como Ele, até Ele desvele-se em seu
coração.
Agora, antes
de terminar, gostaria de comentar brevemente sobre o amor das
Gopis por Krishna. Ele foi um amor profundo de amante pelo seu
amado. Este era o amor que as Gopis sentiam por Krishna, levando-As
ao auge na perfeição. Mas, por favor, observe.
As Gopis tinham consciência de que Krishna era seu Deus,
e a encarnação da grande Realidade Divina. O amor
que Elas tinham para com Krishna era o amor da alma individual
pelo Ser Supremo Divino. Além do mais, o amor delas era
verificado antes de ter retorno. Após muita penitência,
orações e purificações, elas finalmente
se capacitaram para receber o amor de Krishna.
Numa noite de
lua cheia do outono, Ele revelou-Se para elas a grandiosidade
do Seu Amor Divino. E elas ficaram completamente embevecidas,
sujeitando-se por completo a música celestial da alma.
Mesmo nesta noite, Krishna as desafiou. Num determinado momento
deste passatempo divino Ele, repentinamente, ficou imóvel.
“Meu Deus!”, Ele disse, “O que está
acontecendo com todas vocês? Por que vocês vieram
aqui? Vocês têm seus maridos e suas casas. Isso
está muito, muito errado; deixar as suas casas, maridos
e filhos, deixando as obrigações domésticas
e virem até aqui. Isso vai inteiramente contra a lei.
O que as pessoas irão dizer? Por favor, voltem para suas
casas!” E vocês sabem o que as Gopis responderam?
“Você pensa que nós não sabemos quem
é você, Krishna? Você pensa que nós
não podemos dizer? Quando nós estamos amando aos
nossos maridos, pensa você não O estamos amando?
Você pensa que nós não sabemos que você
é o residente do coração de todos os seres;
o Ser cósmico; o Senhor uno que merece o amor do coração
de todos os humanos? No Seu amor está nossa liberação.
No Seu amor está nossa emancipação e salvação!”.
Como vocês podem ver, as Gopis não tinham consciência
dos seus corpos materiais.
Muitas pessoas,
erroneamente, pensam que o amor de Radha e Krishna é
alguma coisa como o amor de Romeu e Julieta. Mas isso não
é assim. Isso não pode ser comparada ao que sentem
os jovens na história. O amor de Radha e Krishna não
é deste mundo. Não se trata de um amor físico.
As Gopis estavam completamente além da consciência
corporal. O Amor delas era puro. O drama que elas representaram
foi transcendental. Foi a resposta da alma para o chamado Divino.
Om
Tat Sat
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