CULTURA
RELIGIOSA
.:
Ensaios para uma Antropologia Religiosa :.
Revisando
e entendendo conceitos
SRI
SWAMI KRSNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Departamento de Ensino Religioso
Porto Alegre, RS
1997-2006
“Quando
dizemos 'nosso mundo', dizemos a
forma como vivemos nossa linguagem”.
Swami Krishnapriyananda
Sumário
1. Reencarnação
2. Samsara
3. Vidas passadas
4. O que quer dizer "veda"?
5.
O que significa "pagão"?
6.
Mithra e o Sanatana Dharma
7.
Cultos de Mithra
8.
Mitraísmo e o Cristianismo
9. Krishna e o Cristianismo
10. Referências bibliográficas
Revisando e entendendo conceitos
"Existe
uma chave para a liberdade: Pense!
Se quiseres ser um cordeiro, seja feita a tua vontade.
Não reclames, entretanto, quando fores servido
em nosso grande Sabbath!"
(Dito pagão, do século
XX)
9.
Krishna e o Cristianismo
Personagens
guerreiros e heróis, carregados de
divindade, miscigenados com semideuses potentes, governadores
dos céus, dos fenômenos como chuvas, ventos,
o fogo, etc., atraíram de forma muito peculiar
os interesses do Império de Bizâncio. Haraiva,
depois Hari, era o Senhor onipotente no continente indiano,
principalmente depois da influência dos Harivianos
ou arianos. Tudo isso se encaixava perfeitamente na mitologia
do Mitraísmo.
O messianismo neomitriático, defendido por Constantino,
tinha a imagem de um salvador – neomessianismo
-, agora também inspirado na efígie de
Alexandre Magno, o grande imperador, discípulo
de Aristóteles, que dominara o mundo, apesar de
jovem. Mas faltava ainda caráter guerreiro religioso
para a distribuição e restabelecimento
da justiça. O arquétipo de Krishna, um
somatório de todas as qualidades Pahlavi (sabedoria),
advindos do Amshaspands, estava estampado no Mahabharatha
(grande Bharata ou império de Bharatha). Era a
obra prima, adorada, reverenciada, como a mais bela e
verdadeira história do mundo, ocorrida na Índia.
A Escritura afirmava que Bharata havia sido o rei do
mundo, antes dele ter se tornado uma sociedade dispersa
e desregrada da lei. Krishna, como sempre faz de tempos
em tempos, então veio e restabeleceu a nova ordem
do mundo, mostrando para todos seus poderes, em feitos
extraordinários que nenhum mortal poderia imitar.
O reino de Bharata havia caído nas mãos
de exploradores ilegítimos, e somente a astúcia
de Krishna, sem ter pego em armas, poderia ter feito
o desfecho que teve. Também, Krishna curara leprosos,
renascera mortos, destruíra demônios, teria
erguido montanhas, etc., de modo que tinha todos os atributos
de um herói sem igual. Krishna estava sempre no
lado dos oprimidos e indefesos, principalmente devido
a tirania de um governo opressor como Kamsa (devorador
de tudo dos outros; provável origem de semiologia
de câncer), governador que tal qual Herodes ordenou
a matança de todas as crianças de zero
a dois anos, para evitar o oitavo filho de Devaki (sua
prima-irmã), que seria gerado para matá-lo,
conforme a profecia do dia do casamento da sua parenta.
Mesmo Mithra (Vivasvat, filho de Aditi), o senhor da
carruagem de sete cavalos, tinha se curvado diante de
Krishna, tendo recebido as instruções diretamente
do filho de Devaki, sobre a ciência universal do
Yoga Supremo (Bgita, 4.1). Portanto, agora o messias
tinha um epíteto importante, ele passou a chamar-se “christos”,
a forma greco-romana de dizer Krishna. O Mitraísmo
iria sucumbir diante da nova ordem.
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