CULTURA
RELIGIOSA
.:
Ensaios para uma Antropologia Religiosa :.
Revisando
e entendendo conceitos
SRI
SWAMI KRSNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Departamento de Ensino Religioso
Porto Alegre, RS
1997-2006
“Quando
dizemos 'nosso mundo', dizemos a
forma como vivemos nossa linguagem”.
Swami Krishnapriyananda
Sumário
1. Reencarnação
2. Samsara
3. Vidas passadas
4. O que quer dizer "veda"?
5.
O que significa "pagão"?
6.
Mithra e o Sanatana Dharma
7.
Cultos de Mithra
8.
Mitraísmo e o Cristianismo
9. Krishna e o Cristianismo
10. Referências bibliográficas
Revisando e entendendo conceitos
"Existe
uma chave para a liberdade: Pense!
Se quiseres ser um cordeiro, seja feita a tua vontade.
Não reclames, entretanto, quando fores servido
em nosso grande Sabbath!"
(Dito pagão, do século
XX)
8.
Mitraísmo
e Cristianismo
O
imperador Constantino, que com um golpe militar, patrocinado
pelos frutos dos saques aos seus soldados, ocupou o trono
do império de Bizâncio, percebeu que o povo
vivia com um culto, tendo agora um protagonista de cunho “revolucionário”.
Os messianistas ou seja, judeus que viviam em agora Constantinopla,
e que eram reverentes ao messias e ao imperador - ainda
que aquele não
tivesse nome próprio, nem mesmo aparência conhecida
(na época não havia imprensa e nem internet ...)-, passam
a frequentar os antigos templos de Mitrha. Constantino
sente-se orgulhoso por ter ocupado o lugar do imperador,
sob a égide
de uma nova religião. Ainda que esta religião
não tivesse uma organização, aos
poucos ela foi adquirindo nome, forma, cores e significados.
Inicialmente, os messiânicos não queriam
fazer suas adorações em templos, principalmente
naqueles dedicados a Mithra. Eles não aceitavam
o fato de ter ídolos ou imagens dentro do mitreu.
Então Constantino dá nova forma as antigas
imagens; soldados passam a ter asas como anjos; Ahiram
vira o Satan, até mesmo porque está envolto
pela serpente que retirou Adão e Eva do paraíso,
etc. apesar da nova posição de Constantino,
o Mitraísmo permaneceu presente nos símbolos,
rituais, formato, adorações e festas como
Natal, etc., na nova religião messiânica
do imperador Bizantino. O paralelismo existente entre
o Mitraísmo e o Cristianismo é plenitotal;
diferenciando-se, quem sabe, apenas pela presença
de um ente ou personagem revolucionário, que pregava
a "igualdade ou o igualitarismo", e que somente muito depois
ficou conhecido como "jesus".
A
Enciclopédia Mirador Internacional, de 1976,
cita o fato de que, “Existiam, pois, entre
o culto de Mithra e o cristão, surpreendentes
analogias de crença, símbolos, práticas
e linguagem. Por isso, Salomon Reinach chegou a afirmar
a origem mitraísta do cristianismo. As analogias
já tinham sido notadas, na Antiguidade, por Tertuliano,
e São Justino, séc. II e III, e num tempo
em que o Mitraísmo ainda subsistia, fato de excepcional
importância para estabelecer se tal vinculação é real
ou não... A originalidade do cristianismo, em
relação ao Mitraísmo, está na
diferença do espírito dos ritos ... concentrando-se
em Cristo”. De fato, o aspecto novo, presente
no novo Mitraísmo, é a presença
de um “herói”,
que trouxe ao mundo uma nova visão da salvação.
Constantino, reunindo-se com os experts da época,
procurou dar rosto, história e corpo para a fé que
instalava no seu império. Não tendo nenhuma
imagem para o ilustre personagem - porque já haviam
passados três séculos desde a sua suposta
vinda -, o César do Oriente buscou nas moedas
cunhadas no passado o rosto de um herói da mesma
idade do messias, encontrando eco nas de Alexandre Magno,
morto no Oriente aos 33 anos, e que havia deixado milhares
de bustos da sua figura em todos os lugares de conquistara.
Agora o “Cristo” – salvador do mundo – tinha
um rosto helenizado. De modo muito bem elaborado, a nova
religião de Constantino iria dar novo rumo ao
mundo.
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