CULTURA
RELIGIOSA
.:
Ensaios para uma Antropologia Religiosa :.
Revisando
e entendendo conceitos
SRI
SWAMI KRSNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Departamento de Ensino Religioso
Porto Alegre, RS
1997-2006
“Quando
dizemos 'nosso mundo', dizemos a
forma como vivemos nossa linguagem”.
Swami Krishnapriyananda
Sumário
1. Reencarnação
2. Samsara
3. Vidas passadas
4. O que quer dizer "veda"?
5.
O que significa "pagão"?
6.
Mithra e o Sanatana Dharma
7.
Cultos de Mithra
8.
Mitraísmo e o Cristianismo
9. Krishna e o Cristianismo
10. Referências bibliográficas
Revisando e entendendo conceitos
"Existe
uma chave para a liberdade: Pense!
Se quiseres ser um cordeiro, seja feita a tua vontade.
Não reclames, entretanto, quando fores servido
em nosso grande Sabbath!"
(Dito pagão, do século
XX)
7.
Cultos de Mithra
Os
cultos de Mithra eram realizados em templos com formato
de gruta ou útero, também chamados de “mitreus”.
Isso se devia a forte influência matriarcal e culto
a divindade feminina, que foi suplantada pela Igreja
que o substituiu. O culto era conduzido com orações,
cantos, liturgia, santificação do pão,
do vinho, uso de luzes de óleo (fogo feito com
ghee). Isso também
era feito nas casas que mantinham o fogo acesso (daí a
expressão “lareira” ou fogo da casa
ou lar), e era feito nos três horários do
dia: amanhecer, meio dia, e entardecer. Estudos feitos
nos antigos templos notam que havia um altar no centro
do mesmo, onde todas as cerimônias eram feitas,
tendo um grande vaso para as purificações,
bem como continha um recinto reservado para os sacerdotes
e para os sacrifícios. Atrás do altar de
sacrifício havia a representação
de Mithra sacrificando um touro sagrado, além
de uma estátua de Zervan-Akarana ou o “Tempo
Infinito”. Também se sabe que surgiu o aspecto
antagônico de Zervan, que ao longo dos séculos
transformou-se em Ahura Mazda (Asura em sânscrito),
e que inicialmente era o senhor todo poderoso. Ahura
tinha o aspecto antagônico conhecido como o senhor
do mal ou Ahriman. Este nome é uma forma antagônica de
Aryano, soava como não-ariano, por isso, era escuro,
dominva as trevas, etc. Mithra, por conseguinte, ficou
entre os dois, e foi aos poucos ocupando o lugar daquelas
divindades,
tendo
saído
vitorioso. Ahriman e Ahura, ou seja, os Asuras, passaram
com valores opostos para a cultura da Índia antiga.
Asuras eram os opositores dos Devas (deuses do bem),
e passaram a fazer parte da mitologia naquele continente,
e o mito rapidamente se espalhou. Na medida em que o
dualismo, bem e mal, foi ingressando no continente indiano,
novas
e diferentes correntes filosóficas e religiosas
foram surgindo. É por esta razão que vemos
uma enorme diversidade na cultura religiosa da Índia,
a ponto de nomes e formas se confundirem. Alguém
que apressadamente comenta sobre os Hindus serem politeístas,
com certeza desconhece as origens da riqueza religiosa
indiana, e julga apressadamente a partir da sua posição
pessoal.
Provavelmente
devido a uma contrapartida e tentativa de independência dos Aryanos, então o que
hoje chamamos de Hinduísmo deu novo significado
e colorido para os antigos deuses Persas.
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