CULTURA
RELIGIOSA
.:
Ensaios para uma Antropologia Religiosa :.
Revisando
e entendendo conceitos
SRI
SWAMI KRSNAPRIYANANDA SARASWATI
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
Departamento de Ensino Religioso
Porto Alegre, RS
1997-2006
“Quando
dizemos 'nosso mundo', dizemos a
forma como vivemos nossa linguagem”.
Swami Krishnapriyananda
Sumário
1. Reencarnação
2. Samsara
3. Vidas passadas
4. O que quer dizer "veda"?
5.
O que significa "pagão"?
6.
Mithra e o Sanatana Dharma
7.
Cultos de Mithra
8.
Mitraísmo e o Cristianismo
9. Krishna e o Cristianismo
10. Referências bibliográficas
Revisando e entendendo conceitos
"Existe
uma chave para a liberdade: Pense!
Se quiseres ser um cordeiro, seja feita a tua vontade.
Não reclames, entretanto, quando fores servido
em nosso grande Sabbath!"
(Dito pagão, do século
XX)
1.
Reencarnação
O
conceito de “reencarnação” é muito
antigo, e, ao mesmo tempo, o mais primitivo conceito
sobre a permanência de alguma coisa no mundo. Através
do estudo da História, vemos que ele pertence
a todas as regiões culturais do mundo, sendo anterior
ao que chamamos de conceito religioso e posteriormente
religião. Quando ocorreu uma distinção
entre “sagrado e profano” desta idéia,
ninguém pode afirmar. Mas ele é tão
primitivo quanto sair correndo de algo, em eminente perigo,
para fugir, ou retirar a mão do fogo para não
se queimar. Na Melanésia há um mito interessante
que bem representa o que dizemos: “No começo
os homens nunca morriam, quando atingiam determinada
idade, eliminavam a pele como as cobras e os caranguejos,
e tornavam-se jovens outra vez. Depois de um certo tempo,
uma mulher que estava ficando velha foi a um regato para
mudar de pele. Desfez-se da pele velha, lançando-a à água,
e notou que ao ser levada pela corrente a pele ficou
presa num galho seco. Depois voltou para casa onde tinha
deixado o filho. Este, contudo, recusou-se a recolhê-la,
e disse chorando, que sua mãe era uma velha, diferente
dessa jovem estranha; e assim, a fim de acalmar a criança,
a mãe voltou ao regato em busca de seu tegumento
eliminado e vestiu-o novamente, desde então os
seres humanos deixaram de eliminar a pele e começaram
a morrer”. MIRCEA ELIADE, p. 95. De certo
modo, este conceito de “livrar-se de um corpo” como
sendo uma “roupa velha e gasta”, está presente
nas instruções dadas por Kana Deva* no
Bhagavad-gita 2.22, para Arjun. “Do mesmo modo
como trocamos vestimentas gastas e velhas por roupas
novas, uma pessoa apega-se e aceita corporificar-se num
corpo novo e diferente, dispensando os corpos velhos
e gastos”. Krishna deu esta instrução
fazendo Arjun compreender pela analogia. No verso 2.12,
foi falado da eternidade do Ser ou Atma, e agora Krsna
está reforçando os conceitos para relembrança
do guerreiro Aryano lamentoso.
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