CULTURA
RELIGIOSA
.:
Buddha e a filosofia Budista :.
SRI
SWAMI KRSNAPRIYANANDA SARASWATI
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
2006
"...
eu entendia essa moral da compaixão, que cada
dia ganha mais terreno e que atacou e pôs enfermos,
inclusive aos filósofos, era o sintoma mais
inquietante da nossa cultura européia, a qual
perdeu seu próprio lugar, era seu desvio:
até um novo budismo? Até um Budismo
de europeus? um niilismo budista? Esta moderna preferência
dos filósofos pela compaixão e desta
moderna subestimação da mesma são,
com efeito, algo novo: precisamente sobre a carência
de valor da compaixão, a qual haviam estado
de acordo até agora os filósofos".
Friedrich
Nietzsche, Genealogia da Moral, prólogo
Sumário
1. Introdução
2. O Gautama
3. Libertando dos sacrifícios
4. Vilipêndio
5. Visões da filosofia atribuída a Buddha
6. Filosofia niilista e atéia
7. Vitória do teísmo de Sankara
2.
O Gautama
Segundo nos contam, na década de 560 a.n.e., o
príncipe Shodhodhana e sua esposa Maya, então
soberanos do principado de Kapilavastu, ao pé do
Himalaia, conceberam um filho, Siddhartha Gautama (563-483
a.n.e.), que veio a ser Buddha, O iluminado. Sakya-muni,
ou sábio dos Sakyas (asceta mendicante) é outra
denominação de Buddha. É dito
que Buddha, ao ver pela primeira vez uma pessoa morta,
compreendeu
que “... a velhice, a doença e a morte são
o termo de toda a vida, que o sofrimento é o quinhão
da criatura e que tudo sobre a Terra é efêmero”.
Abandonado
a rica vida que herdara de seu pai, um Kshatriya ou
guerreiro, logo Buddha formou um grupo de 60 discípulos,
na cidade de Varanasi – Benares -, que após
receberem os ensinamentos deste, saíram a espalhar
a palavra dele pelo território indiano. Diz-se
que Buddha costumava ir pessoalmente, segundo a tradição
indiana, de aldeia em aldeia para difundir Seus ensinamentos,
salvo na época denominada de Caturmasya (período
das monções, de Agosto a Dezembro), onde
ficava refugiado em grutas ou em cavernas. Lissner diz
que “... seu ensino era transmitido oralmente.
Buddha era um Homem duma energia terrível e seu
poder de persuasão extraordinário. Altivo,
tinha maneiras suaves e dava prova de grande benevolência”.
Buddha,
indubitavelmente, foi o filósofo que
mais influenciou os gregos com seu pensamento niilista
e ateu, bem como a todos os impersonalistas orientais,
inclusive os primeiros filósofos cristãos
e os Apologistas. Os ensinamentos de Buddha, absorvidos
pelos filósofos gregos, se justifica pela contemporaneidade
da maioria daqueles com Gautama e com as idéias
dos jainistas. Quanto aos outros, deve-se principalmente
a Plotino e seu neoplatonismo, ou então a S. Agostinho
e sua longa convivência com a filosofia maniqueísta,
que não deixa de ter um cunho budista e dualista.
Não só os ensinamentos da filosofia budista
podem ser encontrados por entre os filósofos gregos,
mas também na arte, e na arquitetura grega deste
período, tendo, como belo exemplo a chamada Arte
de Gandara. Segundo Ganeri, “Um vestígio
duradouro da presença dos gregos na Índia é a
influência do seu estilo artístico na arte
e na escultura indianas. Essa influência foi particularmente
sentida em Gandara, durante os séculos I e II.
Da mistura de estilos da escultura grega e da budista,
resultaram estátuas elegantes, envoltas em roupagens
longas e fluentes”. Este permear de idéias,
sem dúvida, é um caldeirão onde
são cozidos os ingredientes fundamentais de um
modelo de pensamento e comportamento que irá influenciar,
indelevelmente, todo o futuro do mundo ateu.
Sabemos
que Buddha revelou-se contrário à forma
como estavam sendo interpretadas as Escrituras védicas,
dizendo, por exemplo, que “... elas foram escritas
por homens, por isso também conteriam falhas”.
Entretanto, se olharmos com atenção as
Quatro Nobres Verdades de Buddha, veremos que elas muito
se assemelham aos postulados do Sankhya, pois na realidade
foram cunhados daquela escola filosófica da Índia.
A primeira das grandes verdades contidas no Sankhya é o
Dukha satya, ou seja, a verdade da existência do
sofrimento; a segunda, Mamudaya satya, a verdade da causa
original do sofrimento; a terceira, Mirodha satya, a
verdade da cessação dos sofrimentos, e,
a quarta, Magga satya, ou a verdade que leva à extinção
do sofrimento. De modo semelhante, a reencarnação,
apregoada pelos textos védicos permaneceu como
regra constante nos ensinamentos de Buddha.
Segue | 1 |
2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7